Agosto Dourado: leite humano é nutrição completa e proteção para a vida toda

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No Agosto Dourado, mês de conscientização sobre a amamentação, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) reforça a importância de garantir informação de qualidade, suporte profissional e uma rede de apoio fortalecida para quem amamenta. Considerado um alimento vivo, completo e dinâmico, o leite humano se adapta de forma única às necessidades do bebê a cada fase do crescimento e até ao longo de uma mesma mamada.

Nos primeiros seis meses de vida, o leite humano fornece tudo o que a criança precisa, desde proteínas de alta qualidade, gorduras essenciais para o desenvolvimento cerebral, carboidratos (como a lactose), vitaminas, minerais e água. Por ser um alimento completo, dispensa qualquer tipo de complementação com outros líquidos, inclusive água ou chás.

Além da nutrição, o leite humano funciona como uma verdadeira ‘primeira vacina’. Ele é rico em componentes imunológicos que protegem a criança enquanto seu próprio sistema de defesa ainda está se estruturando. Enzimas e anticorpos como a Imunoglobulina A (IgA secretora), a lactoferrina, a lisozima, além dos Oligossacarídeos do Leite Humano (HMOs) e células de defesa, agem no combate a infecções e ajudam a formar uma microbiota intestinal saudável.

A amamentação também reduz significativamente os riscos de diarreias, infecções urinárias, otites e problemas respiratórios graves, como bronquiolite e pneumonia, diminuindo as chances de internação hospitalar. A longo prazo, a prática reduz a incidência de obesidade, diabetes (tipos 1 e 2), hipertensão, doenças cardiovasculares, alergias em crianças predispostas e até a leucemia infantil.

O ato de sugar o peito também cumpre um papel fundamental no desenvolvimento físico. A sucção exige um esforço coordenado dos músculos da boca, língua, face e mandíbula. Essa movimentação favorece o crescimento harmonioso da arcada dentária, reduz o risco de mordida aberta ou cruzada e posiciona a língua adequadamente, o que impacta diretamente nas funções de mastigação, respiração nasal e no correto desenvolvimento da fala.

SAÚDE PARA QUEM AMAMENTA
Os benefícios da amamentação se estendem à saúde de quem amamenta. No pós-parto imediato, a sucção estimula a liberação de ocitocina, hormônio que ajuda na contração do útero, reduz o risco de hemorragias e auxilia no retorno gradual ao peso anterior à gestação. Com o passar do tempo, a prática atua como fator de proteção contra o câncer de mama, câncer de ovário, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

O momento do aleitamento também estimula a troca de olhares, o contato pele a pele e o reconhecimento de voz e cheiro, gerando sentimentos de acolhimento e segurança. Vale destacar que a construção do apego seguro também ocorre por meio do colo, da atenção e do carinho de todos os cuidadores, garantindo a saúde emocional da criança mesmo quando a amamentação não é possível.

SUPERANDO DESAFIOS E MITOS
Apesar de ser um processo natural, o início da amamentação pode apresentar dificuldades como dores, fissuras nos mamilos, ingurgitamento (acúmulo de leite nas mamas, conhecido como empedramento) e insegurança. Na maioria dos casos, o desconforto e as lesões mamilares ocorrem por causa da pega inadequada do bebê.

Buscar orientação com profissionais de saúde logo nos primeiros sinais de desconforto é essencial para corrigir a pega e manter uma amamentação tranquila. Adotar a livre demanda, permitindo que o bebê mame quando e quanto quiser, e evitar a introdução precoce de bicos artificiais, como chupetas e mamadeiras, são medidas fundamentais para estabilizar a produção do leite.

A Sesa também alerta para um mito antigo: não existe leite fraco. A aparência do leite humano varia naturalmente ao longo da mamada e do dia, tornando-se mais rico em gorduras no final. Já a sensação de ‘pouco leite’ costuma ser solucionada com o ajuste da pega, pois a produção funciona sob a lei da oferta e demanda, ou seja, quanto mais o bebê mama, mais leite o organismo produz.

Os principais indicativos de que a criança está bem nutrida são a boa eliminação de urina, evacuações adequadas e o ganho de peso constante verificado nas consultas de rotina.

REDE DE APOIO
O sucesso do aleitamento também vai refletir o envolvimento da rede de apoio. Parceiros e familiares desempenham um papel vital ao assumir tarefas domésticas, cuidar da rotina da casa e proteger a pessoa que amamenta de cobranças e opiniões equivocadas. Da mesma forma, os profissionais da saúde têm o dever essencial de atuar desde o pré-natal, orientando sobre o manejo correto e oferecendo suporte contínuo baseando-se em evidências científicas.

Para quem precisa retornar ao trabalho após o período de licença, a legislação brasileira garante direitos fundamentais para a manutenção da amamentação, como a licença-maternidade, a estabilidade no emprego, com a proteção contra demissão sem justa causa desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.

RECOMENDAÇÃO
A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é a manutenção do aleitamento exclusivo até os 6 meses de vida, com a introdução progressiva de alimentos saudáveis in natura a partir deste período, mantendo a amamentação até os 2 anos ou mais.

A secretaria estadual da Saúde lembra que, nos casos em que a amamentação não é possível ou quando há bebês prematuros internados, a primeira opção é o consumo de leite humano pasteurizado vindo dos Bancos de Leite Humano (BLH). Quando esta alternativa não estiver disponível, as fórmulas infantis indicadas pelo pediatra cumprem o papel nutricional. O mais importante é garantir que cada história seja acolhida com respeito, sem julgamentos, priorizando a saúde e o bem-estar de quem cuida e do bebê.

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