Comandante-geral da PMPR apresenta detalhes sobre o ataque a Guarapuava e o trabalho da polícia

De acordo com o coronel Hudson Leôncio Teixeira, cinco suspeitos foram mortos durante confrontos com a polícia desde o fato que ocorreu no dia 17 de abril

A tentativa de assalto à uma empresa de transporte de valores de Guarapuava e os ataques ao 16º Batalhão de Polícia Militar (PM) seguem como uma das principais pautas da Segurança Pública do Estado.

Em reunião realizada nesta sexta-feira (13), na sede da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o comandante-geral da Polícia Militar (PM) do Paraná, coronel Hudson Leôncio Teixeira, mostrou como os criminosos agiram e o que as forças de segurança estão realizando para elucidação do caso e prisão dos bandidos.

Inicialmente foi exibida uma linha do tempo mostrando os horários em que o bando chegou a Guarapuava, e em que momento iniciaram os tiros e bloqueio no Batalhão e o ataque à empresa Protege. Conforme o comandante, a fuga dos ladrões ocorreu à 00h17, sem levar nenhum valor. Ele disse ainda que os indivíduos erraram o planejamento ao se dedicar a destruição de uma parede mais resistente, quando havia outra mais fácil de ser acessada.

Durante a apresentação também foram detalhados os cincos confrontos entre policiais e bandidos na noite e madrugada do dia 17 de abril. O primeiro ocorreu à 00h30 no viaduto do trevo principal da PR 466, rota de fuga dos marginais. Já à 0h32, uma nova troca de tiros ocorreu no viaduto ferroviário do Jardim das Américas, na rota da PR 170. À 00h35, um novo confronto foi realizado na BR 277 e, à 00h53, na estrada do Imbaú, distrito da Palmeirinha.

“São marginais organizados que se estruturam, se agrupam, vão para determinado estado, praticam o crime como ocorreu aqui e migram para outras regiões. São pessoas de vários estados, já temos alguns indicativos, sabemos de qual estado a maioria deles é. Estamos interagindo com a polícia civil, federal e militar deste estado e de outro estado também, onde esses indivíduos estão homiziados”.

De acordo com o coronel Hudson, diversas ações foram realizadas anteriormente ao ataque após a Diretoria de inteligência identificar a ameaça; no entanto, não foi possível precisar em que local do estado ocorreria.

“Nós tínhamos indicativo que ocorreria no Estado, tanto é que nós fizemos reuniões orientando nossas tropas de como proceder em situações como essas. Não sabíamos onde era, mas sabíamos que ocorreria no Estado. Havia uma suspeita de que seria em São José dos Pinhais, uma suspeita forte de que seria lá, mas não havia certeza. Eu não tenho informação se esse pessoal pretende fazer um novo ataque ao nosso estado. Nós estamos revendo nossa conduta operacional”, afirmou.

Reunião realizada nesta sexta-feira (13), na sede da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Foto: Redação/Correio

AÇÕES
Segundo o coronel, outras ações estão sendo colocadas em prática para reforçar o policiamento e a segurança das equipes, entre elas, o remanejamento de 60 viaturas semi blindadas para áreas com possibilidade de ocorrer crimes como o de domingo de Páscoa em Guarapuava. Além disso, a PMPR tem previsão de aquisição de 800 fuzis, mas enquanto esse armamento não é adquirido, o Estado está fazendo o remanejamento de armas para essas regiões.

Até o momento, cinco homens suspeitos de envolvimento morreram em confronto depois dessa situação. Dos cinco, a PM indica que já tem evidências de qual foi a participação de três. “Um deles era responsável pelo socorro, ele tinha em sua residência um ‘mini hospital’. O outro indivíduo foi denunciado pela esposa, agrediu, foi denunciado. O pessoal foi prendê-lo em uma situação de Maria da Penha e houve confronto. O terceiro indivíduo, que entrou em óbito, foi confirmada a participação dele e era responsável pelo armamento’, pontuou.

Ao ser questionado pela imprensa se não seria melhor evitar o confronto e prender os indivíduos para chegar à quadrilha, o coronel Hudson afirmou que quem buscou o embate foram os criminosos. “O objetivo é prender para que nas audiências traga tudo aquilo que planejam que foi feito para que a gente possa elucidar o crime como um todo. Infelizmente, eles optaram pelo confronto, mas o objetivo nosso é identificar a liderança, de onde vem, de onde eles conseguiram armamento, como eles atuam no estado”, destacou.

INVESTIGAÇÃO
O comandante geral da PM contou ainda que o trabalho, que inicialmente foi de intensas buscas na região de Guarapuava, agora passa a ser de investigação. “Nós abrimos o perímetro. Não é necessário o reforço como havia na semana em que o fato ocorreu. Agora é mais um trabalho investigativo e de inteligência, de localizar essas lideranças, de verificar as câmeras nas rodovias, postos de gasolina, para ver de onde vieram e para onde foram. Obviamente que a gente mantém o policiamento aqui reforçado em razão do que aconteceu, mas agora é mais um trabalho de inteligência. Nós vamos encerrar a operação no momento em que percebermos que não é mais possível a prisão desses indivíduos”, frisou.