Deputados cobram fim das barreiras impostas pelo pedágio para o Litoral

Para parlamentares, nova modelagem de concessão pode contribuir ainda mais com o atraso do desenvolvimento e do turismo na região.

Os deputados estaduais paranaenses cobraram, na reunião da Frente Parlamentar sobre o Pedágio realizada nesta quinta-feira (08) de modo remoto para discutir a situação do Litoral do Estado, o fim das barreiras impostas pelo pedágio à região. De acordo com os parlamentares que participaram do encontro que reuniu a classe política, sociedade civil e setor produtivo, os altos valores e a falta de investimentos contribuíram para diminuir o desenvolvimento econômico, social e do turismo nos municípios litorâneos. Para os deputados, a proposta do governo federal, com um modelo híbrido de concessão onerosa, pode ser extremamente prejudicial para o Litoral (leia mais).

É o que diz o deputado Michele Caputo (PSDB). Para ele, o custo logístico continuará alto com esta modelagem. “Fomos cobrados pela população do Litoral para que a discussão debatesse a região. O Litoral não quer ser esquecido. Posso dizer que nem o enfrentamento à Covid-19 trouxe tanta unanimidade na Assembleia, tamanho o absurdo da proposta do governo federal. O custo Paraná vai continuar alto. Não podemos pagar esse absurdo. Tudo agora vai depender da nossa pressão sobre o governo federal”, disse Caputo. O deputado Galo (PODE) reforçou a necessidade de se ter uma atenção especial com o Litoral. “Provoquei a Assembleia da importância da região. Todas as necessidades da nova concessão já foram colocadas. Não queremos que Guaraqueçaba, por exemplo, seja mais chamada de fim da linha”, afirmou.

Na visão do deputado Tadeu Veneri (PT) é necessário acabar com uma série de problemas envolvendo os impactos do pedágio na infraestrutura do Litoral. Para o parlamentar, gargalos logísticos impedem o desenvolvimento econômico e do turismo da região. “O pedágio é um inibidor do desenvolvimento. Penaliza todo o Litoral e diminui o turismo na região. Sem a duplicação de PR-407 vamos continuar com este gargalo. A facilidade de ir para Santa Catarina é muito maior do que ir para Pontal do Paraná”, exemplificou.  

O deputado Evandro Araújo (PSC) afirmou que este é o momento de realizar o debate. “Causa indignação quando falamos de pedágio. O pedágio barrou o desenvolvimento do turismo no Litoral; é uma barreira injusta em um trecho que já era duplicado. Não queremos nada parecido com o passado”, alertou. A visão é semelhante a do deputado Tercílio Turini (CDN). “A Assembleia cumpre um papel fundamental, levando o debate para todas as regiões do Estado. O que decidirmos agora vai valer para os próximos 30 anos. Se errarmos neste momento, podemos comprometer o desenvolvimento do Paraná. A Assembleia, a sociedade e o setor produtivo estão unidos em favor do menor preço, sem o limite do desconto e sem a outorga e o degrau tarifário”, protestou.

A falta de ciclovias nas rodovias pedagiadas do Litoral foi cobrada pelo deputado Subtenente Everton (PSL). Ele lembrou também que as empresas não cumpriram os cronogramas de obras. “A empresa não cumpre o contrato, não realiza as obras, faz o acordo de leniência e não cumpre e ainda vai embolsar o dinheiro da outorga”.

De acordo com o deputado Soldado Fruet (PROS) o Paraná não suporta mais novas praças de pedágio. “Não vamos entregar uma série de rodovias prontas para empresas cobrarem pedágio. O pedágio é uma porteira, um retrocesso. Vamos lutar para que as rodovias estaduais não entrem nas concessões”, disse. “Sou contra novas praças de pedágio, principalmente nas rodovias onde está sendo investido dinheiro dos nossos impostos. O Governo do Paraná tem previsão de investimentos de mais de meio bilhão de reais em alguns corredores rodoviários”. 

O deputado Delegado Recalcatti (PSD) sugeriu uma licitação realizada pela menor tarifa, sem o modelo híbrido e com a inclusão de revisão de contrato a cada dez anos. “Queremos a exclusão do degrau tarifário e isenção de tarifas aos moradores dos municípios onde estão as praças de pedágio, assim como a isenção de tarifa a motociclistas e vedação de participação nas concorrências das atuais empresas pedagiadas”, cobrou. 

A importância do manifesto proposto pelos deputados estaduais no dia 5 desde mês para a ANTT com sugestões para o edital de concessão das rodovias e após ouvir a sociedade civil de diversas regiões do Paraná foi comentada pelo senador Flávio Arns (PODE-PR). “Concordo com os aspectos propostos pela Assembleia. O manifesto da Assembleia contra a nova modelagem de pedágio é um dos fatos mais importantes da semana, dizendo não ao modelo”, elogiou Arns. “Há uma posição unânime contra isso. Nada de se fazer experiências com o Paraná. O Estado tem uma posição de acordo com o desejo da população”, completou Arns.