‘A luta é para que não tenha esse modelo híbrido’, diz Chiorato sobre novo pedágio

Iniciando a série de reportagens do CORREIO sobre a concessão das rodovias federais no Paraná, o deputado estadual e coordenador da Frente Parlamentar sobre o Pedágio da Alep, Arilson Chiorato (PT), fala sobre as audiências públicas que estão debatendo o modelo proposto pelo governo federal

A Frente Parlamentar sobre o Pedágio da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), composta por 30 deputados estaduais, realiza audiências públicas em diversas regiões paranaenses para discutir o novo modelo de concessão proposto para as rodovias federais.

Na próxima quinta-feira (18 de fevereiro), Guarapuava irá sediar o encontro, que busca ouvir as demandas locais.

Em entrevista ao CORREIO, o deputado e coordenador da Frente Parlamentar, Arilson Chiorato (PT), defende a importância de “colher a percepção da população” – do setor produtivo aos usuários das rodovias – sobre as concessões.

“[A Frente] não é de esquerda nem de direita, não é governo nem oposição. Trata especificamente do pedágio. Está passando uma percepção do real desenho do pedágio no Paraná”, afirma Chiorato, que é crítico do modelo praticado atualmente no Estado, e cujo encerramento ocorrerá no fim de 2021. “Estamos difundindo a verdade”.

No seu ponto de vista, a inclusão de 15 novas praças, os 834 km a mais de rodovias pedagiadas, o contrato de 30 anos e o degrau tarifário são os principais problemas da proposta encaminhada pelo Ministério da Infraestrutura.

“Por fim, o que a gente luta é para que não tenha esse modelo híbrido, que cria a tal ‘outorga onerosa’, que é imposto pelo uso da rodovia sendo cobrado em forma de outorga. A gente tem que lutar muito para ter uma licitação de menor preço no Estado do Paraná”, diz.

O projeto do novo Anel de Integração do Estado, que deve entrar em leilão em 2021, possui 3.327 km de extensão – 834 km a mais do que o atual contrato – e a previsão de R$ 42 bilhões em investimentos, segundo a Agência de Notícias do Paraná. Também são previstos 1,7 mil km duplicados em até sete anos e uma redução tarifária.

TARIFAS E OBRAS
De acordo com Arilson Chiorato, é possível reduzir o valor das tarifas de pedágio no Paraná e garantir a realização das obras. Ele cita as experiências do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, que fizeram leilões em formato de menor preço.

“A gente acha que tem que mudar esse modelo, o governo [federal] tem que ser cessivo e o governador do Estado tem que se colocar nesse problema. Não podemos fazer com que o povo paranaense pague por mais 30 anos esse câncer econômico que é o pedágio”, ressalta.

ESTADUAIS
O deputado também destaca que, dos 3,3 mil km previstos para o projeto, 1,2 mil km são de competência estadual – as chamadas PRs. Para que possam ser repassadas ao governo federal, é preciso aprovação da Assembleia Legislativa.

“Nós deputados estamos com a seguinte missão: caso o governo não mude o projeto, não use a tarifa de menor preço, nós estamos empenhados a negar a cessão das rodovias para o governo federal e, portanto, retirar 1,2 mil km desse processo absurdo”, afirma Arilson.

Atual modelo de pedágio no Paraná se encerrará ao final de 2021 (Foto: Ilustrativa/ANPr)

ECONOMIA
Em uma declaração dada à assessoria da Alep na última sexta-feira (5), Chiorato afirmou que o modelo proposto pode fragilizar a economia do Paraná.

Ao CORREIO, ele reitera que isso pode ocorrer ao repassar o custo do pedágio ao produto final, sobretudo nas regiões mais interioranas do Estado. “É mais barato trazer produtos de Porto Alegre, de Florianópolis para Curitiba, do que do interior do Paraná para Curitiba ou para os portos”, completa.

AUDIÊNCIA
De acordo com a agenda divulgada pela Alep, Londrina sedia nesta quinta-feira (11) uma das audiências públicas. O encontro ocorre em Cornélio Procópio nesta sexta (12).

Depois, após as reuniões de Guarapuava, no dia 18, e em Francisco Beltrão, no dia 19, os debates chegarão a Maringá (25/2), Apucarana (26/2), Curitiba (4/3) e Ponta Grossa (5/3).

Em Guarapuava, a Acig informa que o encontro terá início às 9h da próxima quinta-feira (18 fevereiro), no anfiteatro do Sindicato Rural de Guarapuava. Para os interessados em participar presencialmente, é necessária a confirmação antecipada pelo telefone (42) 3623-1115, por conta do número limitado de convidados em decorrência das regras sanitárias de prevenção à Covid-19.

Assim, a organização destaca que a participação da comunidade também poderá acontecer de modo remoto pelo aplicativo Zoom – ID da reunião: 959 4362 0492; e pelas redes sociais do Sindicato Rural (www.facebook.com/srgpuava), Acig (www.facebook.com/acigguarapuava) e Cacicopar (www.facebook.com/cacicopar).