Guarapuava, 19 de janeiro de 2020
#curta!

A falta de acesso potencial a esse e a outros equipamentos culturais, como museus e teatros, varia por sexo, cor ou raça, grupo de idade e nível de instrução, como aponta o Sistema de Informações e Indicadores Culturais

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Com opções de salas de cinema no circuito comercial e de arte (como é o caso do Cinema da Unicentro), Guarapuava vive uma realidade diferente de parte da população brasileira.

Segundo uma pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 39,9% das pessoas moravam em municípios sem, ao menos, um cinema no ano de 2018. A falta de acesso potencial a esse e a outros equipamentos culturais, como museus e teatros, varia por sexo, cor ou raça, grupo de idade e nível de instrução, como aponta o Sistema de Informações e Indicadores Culturais.

“Isso é uma barreira de acesso potencial. Outras barreiras também podem agir, como o preço das entradas ou mesmo a distância física e a inexistência de transporte público para o acesso, mas é uma mensagem de dificuldade”, explica o pesquisador do IBGE Leonardo Athias, via Agência de Notícias IBGE.

Pessoas sem instrução ou que não completaram o ensino fundamental tinham menos acesso a museus, teatros, cinemas, rádios locais e provedores de internet do que pessoas com maior nível de escolaridade. Quase metade das pessoas com escolaridade mais baixa vivia em municípios que não têm cinema, 40,3% em municípios sem museu e 39,7% em cidades sem teatro.

“Você tem uma dupla desigualdade. Entendemos que há uma restrição de acesso à educação e ao mesmo tempo coincide com municípios que têm menos estrutura, menos presença de equipamentos culturais. Vemos isso pela distribuição regional, pelos estados do Norte e Nordeste, que têm menos estrutura de equipamentos, menos capilaridade, menores níveis socioeconômicos e você tem uma soma de desvantagens”, declara Athias.

Em relação aos grupos de idade, crianças e adolescentes ilustravam o pior cenário: 43,8% das pessoas até 14 anos viviam em municípios sem cinema e 35,9% delas viviam em municípios sem museu. As crianças e adolescentes do Maranhão eram as que tinham menos acesso potencial a museu (23,6%), a teatros e sala de espetáculos (30,8%) e a cinema (19,6%).

O estudo também mostra que a população preta ou parda tinha menor acesso potencial a esses equipamentos culturais. Enquanto 44% dos pretos ou pardos moravam em municípios sem cinema, esse número em relação aos brancos era de 34,8%.

STREAMING

Enquanto livrarias, jornais impressos e lojas de discos diminuíram sua presença no Brasil, os cinemas fizeram o caminho inverso: sua presença nos municípios passou de 8,7% para 10% nos últimos 12 anos.

O pesquisador do IBGE comenta que, diferentemente do que era esperado, o cinema não desapareceu por causa do maior acesso à internet e, consequentemente, dos serviços de streaming.

“Um ponto interessante da pesquisa é a indicação de que eles não são concorrentes diretos. Quem gosta de cinema entende que é uma experiência diferente de assistir a um filme em casa”, explica Athias.

Também quando comparado 2006 a 2018, a presença das livrarias nos municípios brasileiros diminuiu 12,3 pontos percentuais, chegando a 17,7%. As videolocadoras acompanharam a tendência, tendo sua presença diminuída em 59 pontos percentuais.

DIFERENÇA SALARIAL

Apesar de terem se tornado maioria entre os trabalhadores do setor cultural, as mulheres continuavam ganhando menos do que os homens. De 2014 para 2018, a participação feminina passou de 47,6% para 50,5%. No último ano, o rendimento das mulheres foi de R$ 1.805, e dos homens foi R$ 2.586, uma diferença de R$ 781, enquanto em todos os setores, essa disparidade era de R$ 508.

“Essa diferença salarial está relacionada ao fato do setor cultural ter mais profissionais com nível superior e a gente sabe, pelos estudos de gênero, que a desigualdade nesse nível de escolaridade é maior do que em outros níveis”, declara o pesquisador.

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