Gás de cozinha sofre 5° aumento de preço em 2021; veja como está em Guarapuava

O novo reajuste deste mês de junho aumentou R$ 0,19 por kg o preço do botijão de gás nas distribuidoras; ao CORREIO, representantes de distribuidoras de Guarapuava falam sobre o cenário

O preço do gás de cozinha subiu novamente – pela quinta vez – em 2021. Segundo a Petrobras, o novo preço é de 5,9% acima do valor anterior. O reajuste de junho aumentou em R$ 0,19 por kg o preço do botijão de gás nas distribuidoras.

Em janeiro, a Petrobras elevou o preço em 6%. No mês seguinte, a alta foi de 5,1%. Em março, um novo reajuste de R$ 0,15 por kg foi anunciado e, em abril, o aumento foi de 5%.

Existem alguns elementos que influenciam nos preços praticados no petróleo e em todos os seus derivados no Brasil, seja no varejo ou nas vendas por atacado. Um dos elementos é o câmbio. O Brasil tem um dólar muito elevado dentro do mercado interno e todos os produtos importados consumidos se tornam mais caros internamente.

Em entrevista ao CORREIO, o professor de economia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), Carlos Alberto Gomes, explica como a alta do preço do dólar em relação ao real deixa os produtos derivados do petróleo mais caros para o consumidor final.

“Como se tem um câmbio em que o real é desvalorizado em relação ao dólar, isso torna o produto, que é cotado em dólar, mais caro em real, então este é um dos motivos pelo qual o gás de cozinha e os mais derivados de petróleo no Brasil têm subido bastante ao longo deste ano”, pontua o professor.

Algumas distribuidoras de Guarapuava ainda não fizeram o reajuste porque tem gás do estoque anterior.

Em entrevista ao CORREIO, Fabiana Gemignani, gerente de uma das distribuidoras da cidade, cita esse motivo. “Como eu ainda tenho gás do estoque anterior, eu estou mantendo o preço antigo, mas até o final de semana já estaremos reajustando de acordo com o novo preço, que será de R$ 2 ou R$ 3”, explica.

Com o constante aumento do produto, que ainda pode ser encontrado a partir de R$ 93, muitos guarapuavanos têm buscado alternativas ao gás de cozinha. É o que conta Edson Souza, dono de outra distribuidora de Guarapuava. “Veja só, o botijão que eu vendo aqui é quase 10% de um salário mínimo. Chega uma hora que as pessoas têm que recorrer ao fogão a lenha”.

“As vendas de gás de cozinha diminuíram principalmente em cidades pequenas, porque as pessoas usam mais lenha. Aqui em Guarapuava, eu pude perceber que as pessoas estão usando mais micro-ondas, panelas elétricas, fogão elétrico, mesmo com a energia mais cara”, exemplifica Fabiana.

IMPOSTO
Em março deste ano, o governo federal zerou as alíquotas dos impostos de Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o diesel e o gás de cozinha.

Os revendedores de gás explicam que os cortes desses impostos não fazem diferença no preço para o consumidor, porque o maior tributo é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que é estadual. “Para nós, não surtiu efeito o corte desses impostos, porque o Estado não cortou o ICMS, que é o imposto mais alto”, justifica Fabiana.

Os impostos que foram zerados pelo governo federal, no caso do PIS e do Cofins, embora também tenham uma participação expressiva, não são os principais fatores de alta.

“Existem outros elementos que acabam contribuindo para a elevação do preço, entre eles o câmbio, o dólar muito elevado, o aumento do barril de petróleo e também o ICMS, que no Brasil a média é 14%”, explica o professor. “O que acontece é que as distribuidoras e todo o sistema de revenda de botijão de gás, não repassaram para os preços finais esta redução. As taxas estavam muito baixas e resolveram aproveitar agora este momento da redução dos tributos para manter ou até ampliar o preço do botijão de gás, aumentando assim a sua taxa de lucro”.

*************Reportagem: Carlitos Marinho, especial para CORREIO