Mussum, 80 anos: humorista faria aniversário nesta quarta-feira (7)

Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum, nasceu em 7 de abril de 1941. Ele entrou para o imaginário popular graças a sua participação no programa de TV “Os Trapalhões

Memes, cerveja, título de disco, propaganda de carro, música, cinema, TV, camisetas, samba, língua do “is”, memória afetiva… o eterno trapalhão Mussum continua presente em nossas vidas. Para felicidadis geral da galeris.

Se ainda fosse vivo, Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Kid Mumu dos Trapalhões, completaria 80 anos de vida nesta quarta-feira (7 abril). Ele nasceu em 7 de abril de 1941, no Rio de Janeiro. E faleceu em 29 de julho de 1994, quando tinha apenas 53 anos.

Em pouco mais de cinco décadas de vida, o querido Mussum se destacou principalmente pela sua trajetória musical e humorística. Aos que puderam acompanhar os anos de 1960, deve vir à mente o grupo Os Originais do Samba, quando Antônio Carlos era conhecido apenas como Carlinhos Reco-Reco ou Carlinhos da Mangueira.

Até aí, já seria uma trajetória artística de destaque. Muita gente conta que o tal Carlinhos tocava reco-reco como ninguém. E Os Originais era um grupo de muito sucesso, tendo acompanhado Elis Regina e emplacado sucessos como “Tá Chegando Fevereiro”, “Do Lado Direito da Rua Direita”, “A Dona do Primeiro Andar”, “O Aniversário do Tarzan”, “Tragédia no Fundo do Mar “(Assassinato do Camarão) etc.

Agora, ao público que ainda é quarentão a lembrança mais viva de Mussum (principalmente com este nome artístico) é a participação dele nos Trapalhões.

Entre o final dos anos de 1970 e meados dos 90, o programa “Os Trapalhões” dominava as noites de domingo da TV Globo. A atração era formada por Dedé (Manfried Sant’Anna), Didi (Renato Aragão), Mussum e Zacarias (Mauro Faccio Gonçalves). Geralmente, eles faziam piadas em quadros de humor, levando ao ar paródias, piadas e situações do cotidiano.

Além da televisão, os Trapalhões também se aventuraram pela música e cinema, com filmes que bateram recordes de bilheteria durante décadas.

Do quarteto, Mussum era o integrante com mais gingado, pendor etílico e sempre empregava o “is” no final de quase todas as palavras. Por causa disso, criou bordões como “cacildis” e “forévis”. Vivia grudado em garrafas de “mé”.

O fato de ser negro fazia com que Antônio Carlos fosse alvo de piadas racistas. Na biografia “Mussum Forévis: Samba, mé e Trapalhões” (2014), Juliano Barreto defende que Mussum não era passivo e reagia à altura toda vez que era chamado de “azulão”, por exemplo. Mas, claro, isso não livra “Os Trapalhões” da pecha de racista, homofóbico, sexista e outros problemas. Obviamente que isso precisa ser contextualizado e problematizado.

Biografia lançada em 2014 (Foto: Reprodução)

INDICAÇÕES
Aliás, o livro de Juliano Barreto, que foi publicado pela Leya, é um material bem escrito e com informações importantes. Vale sua leitura para conhecer mais da trajetória do Mussum.

Outra indicação é o documentário “Mussum: Um filme do Cacildis” (2018), disponível no catálogo da Amazon Prime Video. Com direção de Susanna Lira e coprodução de Globo Filmes, Globo News e Canal Brasil, revela as facetas mais sérias da figura que foi eternizada no imaginário popular brasileiro por sua participação no programa “Os Trapalhões”.

VIVO
Com o crescimento da internet, as esquetes estreladas por Mussum voltaram a povoar o imaginário dos brasileiros. Seus vídeos curtos se espalham pelas redes sociais. Derivando de seu linguajar, memes usando a sua imagem viralizam todos os dias.

Sem contar também uma marca de cerveja que leva a imagem do humorista no rótulo, a participação virtual em uma propaganda do novo Fusca em 2013 e até mesmo batizando um disco do Raimundos (“Só no Forevis”), em 1999. Kid Mumu está vivo. Cacildis!

************Texto/pesquisa: Cris Nascimento, especial para CORREIO