Leandro Delmonico diz que novo álbum de estúdio representa um recomeço para o Charme Chulo

Em setembro de 2021, a banda paranaense Charme Chulo lançou seu novo álbum de estúdio, o independente “O negócio é o seguinte”. O quarteto de rock caipira incluiu música eletrônica e sonoridade pop em seu repertório. Ao CORREIO, o guitarrista e violeiro Leandro Delmonico explica a nova fase do grupo

Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, Jeca Tatu, viola, pop, balanço eletrônico. “É cada bucha, rapaz!”. Isto é Charme Chulo, banda paranaense que ficou conhecida pela mistura de guitarras, violas, rock e moda caipira.

Após um breve hiato, desde “Crucificados pelo sistema bruto” (2014), o quarteto lançou um novo álbum de estúdio, em setembro de 2021. Trata-se de “O negócio é o seguinte”, produzido e gravado por Rodrigo Lemos, no Estúdio Arnica Cultural, em Curitiba.

Formado por dez faixas (assinadas pela dupla Igor Filus/Leandro Delmonico), o trabalho representa recomeço para uma banda que iniciou suas atividades em 2003 na capital paranaense, surpreendendo o Brasil com sua “cruza de Smiths e Tião Carreiro e Pardinho”.

“A ideia inicial era fazer um trabalho que mostrasse o que o Charme Chulo tem de mais objetivo e dançante, sem deixar de lado a grande marca da banda: o rock caipira. Isso aparece no single ‘Mais além’, de 2018, com participação da banda Tuyo, que hoje concorre ao Grammy”, diz o guitarrista e violeiro Leandro Delmonico, um dos remanescentes da formação original e cofundador da banda, em entrevista ao CORREIO.

Segundo ele, o novo disco marca uma fase mais madura e pop do conjunto. “‘O negócio é o seguinte’ foi composto de uma maneira muito mais leve, tentando absorver e agregar as novas tendências da música brasileira ao estilo já característico do Charme Chulo. Nesse tempo a banda continuou se apresentando esporadicamente, mas acho que este trabalho recente marca uma espécie de retomada ou recomeço na história do grupo”.

Em termos de resultados, Delmonico afirma que o álbum recém-lançado soa como uma evolução da banda. Ao rock caipira típico, o quarteto soma elementos modernos, eletrônicos, “mas não deixa de ter a voz característica do Igor nem os sons e riffs de viola e guitarra que o nosso público acostumou a ouvir”.

Leandro Delmonico (de chapéu) é cofundador do Charme Chulo (Foto: Isabella Mariana)

TEMÁTICA
Invariavelmente, as faixas de “O negócio é o seguinte” tocam na temática amorosa, em suas diversas facetas. São letras pessoais. “O álbum fala sobre os dilemas da vida adulta, escolhas e amor de forma geral. Algumas canções falam sobre um momento de desacelerar e ao mesmo tempo provocam essa vontade de sair dançando e perder a cabeça. É o dilema de quem é jovem, mas tem filhos, he he”, diz Delmonico.

Mas o álbum também abre espaço para letras como a de “Feio favorito”, que cita nominalmente os integrantes dos Trapalhões, famoso grupo de humor que fez história na TV e no cinema entre os anos de 1970/90. “Os trapalhões eram famosos, mas não tinham um padrão de beleza, talvez não fizessem sucesso hoje. Nós gostamos muito de Trapalhões, Chico Anysio etc.”, conta o músico, explicando que queria fazer uma música sobre os dilemas de uma pessoa que é “feia” ou impopular nos tempos de Instagram e Tik Tok. “Colocar referências pops sempre foi algo que nos agradou, sem contar o lado paranaense/curitibano da coisa. Sempre que dá a gente tenta situar o ambiente da banda, pra valorizar o regionalismo mesmo”.

Já em “Eu não sei amar”, prevalece o ritmo dançante da moda de viola, com Delmonico cantando uma música inteira pela primeira vez no Charme Chulo. “Minha ideia era valorizar a viola e no começo pensamos dela ser uma faixa instrumental, mas resolvi compor uma canção simples pra acompanhar – gosto muito do resultado e tenho orgulho em soar caipira raiz, he he”.

E “Tudo química” tem o refrão “É tudo química, felicidade, eu sei/Leva pra longe a tristeza do Jeca Tatu”. Mais Charme Chulo, impossível.

CLIPES
Até aqui, a banda lançou dois clipes baseados em singles de “O negócio é o seguinte”: “Nem a saudade” e “Rabo de foguete”. Segundo Leandro Delmonico, o planejamento é produzir mais dois vídeos.

Em relação ao material em áudio, um fã do Charme Chulo avisou que vai prensar o novo álbum no formato de CD com tiragem limitada para colecionadores. Mas as faixas do disco estão disponíveis hoje em todas as plataformas digitais para audição.

E sobre a agenda de shows, Delmonico avisa que a banda fará duas apresentações de lançamento em dezembro, sendo que uma delas será presencial em Curitiba e outra virtual. “Em 2022, queremos viajar um pouco com o disco”, finaliza.

Capa do novo álbum, cujo projeto gráfico é de Carlos Bauer (Foto: Reprodução)

FORMAÇÃO
Com quatro álbuns de estúdio na bagagem – “Charme Chulo” (2007), “Nova Onda Caipira” (2009), “Crucificados Pelo Sistema Bruto” (2014) e “O negócio é o seguinte” (2021) -, o Charme Chulo é formado por Igor Filus (voz), Leandro Delmonico (viola, guitarra e voz), Hudson Antunes (baixo) e Douglas Vicente (bateria).

Segundo Delmonico, o terceiro álbum foi bastante liderado por Igor e “fala muito da nossa experiência no mercado musical independente brasileiro antes de 2014 (havíamos morado em São Paulo com a banda e tudo o mais)”.