Em busca da coxinha perfeita

Nesta terça-feira (18), comemora-se o Dia Nacional da Coxinha, data que homenageia um dos quitutes clássicos da comida de rua. Para celebrar a efeméride, o CORREIO convidou o colunista Paulo Stein, o Paulão, para eleger a sua coxinha preferida, numa avaliação polêmica e estritamente pessoal

Já estou preparadíssimo! Hoje é dia de percorrer os botecos, padarias, lanchonetes, restaurantes, conveniências de postos, pés sujos, enfim, onde se come bem, em busca da coxinha perfeita. Aquela crocante, macia e de recheio inigualável! Afinal, nesta terça-feira (18) é o Dia Nacional da Coxinha.

Claro, se os decretos municipais e estadual permitirem minhas andanças pelos rincões da gastronomia de Guarapuava. Sempre é bom avisar que estamos em período de pandemia e todo cuidado é pouco.

Convidado pelo CORREIO, retorno com meus textos saborosos e indecentes sobre comida. O Paulão aqui só anda com garfo e faca a tiracolo. Nunca saio de casa sem meu kit de sobrevivência: jogo de talheres (com as famosas facas Ginsu), guardanapo, molhos (eita, pimenta) e uma fome de anteontem de ontem! Em outra encarnação, fui Sancho Pança, fiel escudeiro comilão de Dom Quixote.

A difícil “missão” do dia é revelar minha coxinha preferida, viajando pelo universo dos quitutes, quetais e comidas de rua. Se você não sabe, esfomeado leitor, o tal salgado em formato de gota é um clássico dos botecos. Não pode faltar. Ai da vitrine engordurada e esfumaçada que não tiver uma mísera coxinha!! Chama o guarda pra fechar esse trem doido!!

E coxinha tem de ser frita no óleo 12 anos. Aquele óleo que você nem sabe mais a cor, a procedência e o prazo de validade. Mas tem aquele sabor com história e autenticidade.

Guarapuava tem muitos salgados famosos e que fazem parte da paisagem local. Um campeão é o do Tio Patinhas, conhecida lanchonete que fica no Centro da cidade. A sua coxinha de frango é famosa pelo tamanho. É praticamente uma refeição.

Apesar do nome, o pastel Setti da rua Guaíra também abre alas para o reino coxinheiro. A sua iguaria é feita de massa de mandioca e recheio de carne moída.

Aqui, cabe uma polêmica regional. Na “terra do lobo bravo”, o pessoal costuma chamar coxinha de carne de “bolinho”. Inclusive, o formato mais encontrado é redondo. Já a de frango, é na tradicional gota; com direito, à opção com catupiry, para dar aquela cremosidade. Humm, tô imaginando ela escorrendo por entre meus lábios…

Os guarapuavanos que me perdoem, o famigerado Paulão aqui é democrático: de carne ou de frango, coxinha tem de vir como gota. E, pra mim, “de carne” só pode ser com carne moída; “frango” é frango, não é “carne”.

MANDIOCA
Gosto é gosto. Por isso, prefiro a coxinha de massa de mandioca, que é difícil de fazer e temperar. E com recheio de carne. Imagina na pimenta… nossa!!!

Nesse quesito, a minha campeã e que vou indicar pra você, insaciável leitor, é um tipo de coxinha encontrável apenas em Borrazópolis (região Norte do Estado), município a 200 km de Guarapuava. Vale a viagem! Essa pequena cidade guarda um tesouro: os quitutes servidos na Ki-Salgado e Pastelaria (www.instagram.com/kisalgadoe/), uma lanchonete simples, mas honesta.

Lá, seus quase sete mil habitantes são felizes, pois têm a possibilidade comer uma verdadeira coxinha de massa de mandioca e recheio de carne. Da fritura ao tempero, a “gota” da Ki-Salgados é um deleite dos deuses! Sem contar que serve bem, com bastante “sustância”. É tipo um bis, pois não dá pra comer uma só. Portanto, vá com fome ao estilo Kit Carson.

E termino parafraseando o Ultraje a Rigor: indecente é ficar despido de coxinha!

**********Reportagem: Paulo Stein, especial para CORREIO