Catedral de Guarapuava ganha imagem de Nossa Senhora de Belém de 13 metros

A execução da peça, que foi desenhada pela arquiteta Juliane Zielinski, foi feita pelo artista Jhonnathan Ferreira

Quem passa pela rua Marechal Floriano Peixoto, nos fundos da Catedral de Guarapuava, agora vê uma imagem de Nossa Senhora de Belém de 13 metros (e 30 cm) de altura. A obra foi desenhada pela arquiteta Juliane Zielinski e executada pelo artista guarapuavano Jhonnathan Ferreira.

Feita de alumínio, a silhueta chama atenção pelos traços modernos e logo será iluminada à noite.

O CORREIO conversou com Jhonnathan, que contou como foi o processo até a finalização. “A arquiteta Juliane fez o desenho, apresentou para a Catedral, só que eles não conseguiam achar gente para executar o desenho. E por eu trabalhar com arte, eles entraram em contato comigo perguntando qual material poderiam usar”, afirmou. O guarapuavano é criador do busto do Capitão Rocha, instalado em frente à Prefeitura, do Mahatma Gandhi, no Colégio Estadual Mahatma Gandhi e, mais recentemente, de peça em baixo relevo em homenagem ao professor Ariel Pires, no campus Santa Cruz da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).

De início, ele pensou em construir a silhueta de Nossa Senhora em resina, no entanto, reavaliou e mudou o material. “Vendo todo o projeto, conhecendo a peça e sabendo que ela iria ficar no tempo e tudo mais, eu propus fazer em alumínio. Nós achamos um alumínio bom, alumínio naval”.

Além do trabalho enquanto artista, Jhonnathan disse que tem mais motivos para se orgulhar da execução. “Eu por ser devoto, minha mãe por ser muito devota de Nossa Senhora, abracei o projeto e aceitei fazer com maior alegria”.

Ele ainda aponta que a silhueta criada pela arquiteta Juliane segue um movimento que outras igrejas estão fazendo, que é trazer modernidade. O artista comentou ainda que acabou se envolvendo de duas formas com a catedral. “Eu sou membro do Instituto Histórico [de Guarapuava] e também fui acadêmico do curso de História. O curso de História da Unicentro e o Instituto Histórico lutaram muito pela conservação do prédio da catedral. Então me sinto muito feliz porque trabalhei nos dois lados. Tanto para proteger o patrimônio histórico de Guarapuava, quanto para apresentar um novo patrimônio da cidade enquanto artista”.

O CORREIO conversou com Jhonnathan, que contou como foi o processo até a finalização (Foto: Redação/Correio)

PROCESSO
A ideia é anterior à pandemia e foi retomada para execução final há dois meses. Neste período, Jhonnathan fez todo o recorte do material. “Eram chapas de dois metros de comprimento por um de largura que eu fui cortando na ‘tico tico’, foi tudo cortado à mão. A peça toda foi feita a mão”. Ele explica que apesar de parecer fácil, foi necessário seguir o formato da parede, ou seja, tem um formato cilíndrico.

A única manutenção necessária vai ser na parte das luzes, porque a parte elétrica fica exposta ao tempo e pode correr o risco de queimar algum componente elétrico; mas na peça não haverá necessidade de troca tão cedo. “Eu passei uma resina nela para deixar fosco o alumínio para não ter o perigo de dar reflexo. E também por estética, já que eles queriam alguma coisa com material envelhecido. Na base do retoque, eu calculo que só daqui uns vinte anos”.

As luzes brancas, instaladas para dar destaque à noite, não estavam no projeto inicial; porém, com o auxílio do eletricista da catedral, o seu Nilson, e o ajudante Mariano, logo devem iluminar a imagem. “Os dois deram a ideia de colocar na peça, por trás da peça. Eu na hora já abracei a ideia, porque a pedra [da estrutura da catedral] tem uma resina, então quando ela acende faz um leve reflexo na parede que vai valorizar ela ainda mais a noite”, aponta Jhonnathan Ferreira.

Foto: Redação/Correio