Batida em silêncio

O mundo da música perdeu Charlie Watts (80 anos) nesta terça-feira (24 agosto), lendário baterista do Rolling Stones, uma das maiores bandas de rock and roll de todos os tempos

Esta é uma história famosa no meio musical. Nos anos de 1980, Charlie Watts deu um soco em Mick Jagger, após ser chamado de “meu baterista” pelo vocalista bêbado dos Rolling Stones. A banda estava hospedada em um hotel durante turnê. Mas, antes de desferir o golpe, Watts se arrumou tranquilamente (barba, roupas etc.) e subiu para acertar as contas.

Provavelmente é o único momento em toda a carreira artística de Watts em que ele perdeu a fleuma britânica. Ele era caladão, discreto, lorde e não fazia o tipo “sexo, drogas e rock and roll”. Inclusive, adorava jazz.

Mesmo assim, fez parte de uma das maiores bandas do planeta por quase 60 anos. Nesta terça-feira (24 agosto), mesmo dia em que o clássico disco stoniano “Tattoo You” completou quatro décadas de lançamento (é de 24 de agosto de 1981), Watts morreu aos 80 anos de idade. Ele era baterista dos Stones desde 1963.

Em cima de um palco ou em estúdio, o instrumentista tirava o máximo de uma bateria simples para os padrões roqueiros. Aliás, ele tinha um estilo singular, pois segurava as baquetas de um jeito jazzístico. A expressão no rosto era sempre a mesma, como se não estivesse muito a fim do show e do business.

Dizem que ele e o baixista Bill Wyman (há muito tempo fora dos Stones) competiam para ver quem era o “menos carismático”. Na outra ponta, Jagger e Keith Richards (guitarrista) disputavam os holofotes, em uma relação de amor e ódio em busca da consagração como o mais criativo da banda. Já Ronnie Wood (guitarrista) era o escudeiro perfeito; Brian Jones (guitarrista já falecido), o rebelde genial; e Mick Taylor (guitarra), o virtuose de trajetória curta na banda.

Apesar da discrição, Watts era o verdadeiro motor musical nos shows. Richards dizia que os Stones tocavam para ele.

E, fora do palco, Watts ficou conhecido pela elegância de seus ternos e a vida pacata, sem necessidade de aparecer. Durante anos, manteve um projeto pessoal de jazz.

TRAJETÓRIA
Nascido na capital inglesa em 1941, Watts começou a tocar bateria nos clubes de rhythm and blues londrinos no início dos anos de 1960. Ele concordou em unir forças com Brian Jones, Mick Jagger e Keith Richards em seu grupo iniciante, os Rolling Stones, em janeiro de 1963.

Considerada hoje um dos dinossauros do rock, a banda britânica legou uma infinidade de álbuns e singles que se tornaram clássicos do gênero. São hits como “Sympathy For The Devil”, “(I Can’t Get No) Satisfaction”, “Angie”, “Start Me Up”, “Gimme Shelter”, “Brown Sugar”, “Jumpin’ Jack Flash”, entre tantos.

MORTE
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, Charlie Watts estava internado em um hospital da capital britânica. O baterista morreu semanas após anunciar que não estaria presente na nova turnê dos Rolling Stones pelos Estados Unidos por ter acabado de passar por uma cirurgia de emergência.

A banda informou que Watts seria substituído por Steve Jordan, um amigo próximo, mas a ideia era de que ele pudesse celebrar os 60 anos do grupo nos palcos em 2022. Esta não seria a primeira vez que Jordan assumiria a posição de Watts, que se ausentou da banda em 2004 para tratar um câncer.

*************Com agências