Deral de Guarapuava projeta prejuízo de R$ 510 milhões nas lavouras de soja da região pela estiagem

De acordo com o Deral, em dados divulgados ao CORREIO, em termos percentuais o feijão é a cultura com mais perdas na região. A quebra é de 38%, conforme projeção do Departamento

O resultado da estiagem que assola o Paraná nos últimos três anos está sendo percebido pelos produtores rurais na qualidade e quantidade da produção agrícola. As lavouras de todas as regiões do estado estão sendo afetadas pela falta de chuvas e a produtividade deve ser menos do que a esperada.

De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), o Núcleo Regional de Guarapuava, composto por 10 municípios, deve contabilizar perdas significativas em algumas culturas importantes para a economia regional. Na última segunda-feira (10 janeiro), inclusive, uma comissão técnica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) esteve em Guarapuava para avaliar junto aos produtores, lideranças e entidades, as perdas causadas pela seca.

Em entrevista ao CORREIO, o técnico do Deral de Guarapuava, Dirlei Antonio Manfio, destacou que, em valores, a soja é a cultura mais prejudicada. O potencial de produtividade inicial era de 1.168 milhões de toneladas, e agora com uma projeção de quebra de quase 15%, caiu para 990 mil toneladas.

Conforme Manfio, a área plantada é de 28 mil hectares e, apesar da falta de chuvas, 70% está em boas condições, 30% entre irregular e ruim. A projeção do Núcleo Regional de Guarapuava estima que o prejuízo financeiro será de R$ 510 milhões.

FEIJÃO
Em porcentagem de quebras, o feijão é o mais prejudicado na região. De acordo com o Deral, inicialmente se esperava uma produção de 30 mil toneladas nos 14.300 hectares do NR, mas com a estiagem esse número caiu para 18.600 mil toneladas. A quebra é de 38%.

“O feijão é mais fácil de mensurar porque ele está sendo colhido, estamos quase na reta final da colheita, então os dados já estão consolidados”. O Deral de Guarapuava projeta danos financeiros em cerca de R$ 44 milhões.

MILHO
A quebra na safra de milho na região de Guarapuava devido à falta de chuvas deve ser de pelo menos 28%, segundo os dados do Deral. O prejuízo financeiro no NR de Guarapuava deve ser de R$ 290 milhões. A cultura está plantada em 65.900 hectares e tinha uma projeção inicial de colheita de 741 mil toneladas, no entanto, agora, devem ser colhidas 537 mil toneladas.

“Esses são dados preliminares, e estimativa. O milho ainda ninguém colheu. E o milho, ele sentiu um pouco mais porque o plantio começa em setembro. Metade dele está em boas condições, e a outra, irregular ou ruim”, afirma Manfio.

OUTRAS CULTURAS
Em situações mais pontuais, pelo número de produtores, o Deral afirma que outras culturas também estão sendo prejudicadas pela estiagem. É o caso do fumo, com projeção de perda de 15 a 20%, da batata e da pecuária, tanto leiteira, quanto de corte.