Cuidado com a vida microbiana do solo pode gerar economia

Estudo relaciona atividade biológica com as práticas de conservação, como plantio direto e terraceamento. Essas técnicas estão diretamente ligadas ao controle da erosão hídrica

No contexto atual da produção agrícola no Paraná, conhecer e promover a manutenção da vida microbiana no solo pode ser sinônimo de economia. Isso porque, ao cuidar desta biodiversidade, aumenta-se a atividade biológica no solo, trazendo diversos benefícios como maior absorção de nutrientes presentes na terra pelas plantas, reduzindo assim a necessidade de adubação.

“Existe uma atenção cada vez maior dos agricultores em relação à vida microbiana do solo. Isso porque, com o recente aumento do preço dos fertilizantes, cada vez mais o manejo e a atividade biológica do solo ganham relevância. Se ele tiver um bom manejo vai depender menos desses insumos”, observa o pesquisador Arnaldo Colozzi, que comanda o subprojeto “Monitoramento da atividade microbiana e populações de Fungos Micorrízicos Arbusculares em megaparcelas sob plantio direto, com e sem terraceamento”, que faz parte da Rede Paranaense de AgroPesquisa e Formação Aplicada (Redeagro). 

A iniciativa financiada pelo Senar-PR, Fundação Araucária e Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti), desde 2017, coordena 35 projetos que coletam dados sobre a ocorrência de erosão em seis mesorregiões no Estado.

O estudo conduzido por Colozzi analisa as relações da vida biológica do solo com as práticas de conservação, como plantio direto e terraceamento. Essas técnicas estão diretamente ligadas ao controle da erosão hídrica, problema que vem ganhando força no Paraná nos últimos anos, principalmente devido ao abandono destas técnicas por parte dos proprietários rurais. Nos últimos dois anos, em função do menor volume de chuvas, as ocorrências deste tipo de erosão foram menores. Mas isso não significa que o problema está solucionado.

EFEITO

De acordo com o pesquisador, o efeito das práticas agrícolas sempre reverbera na biota (conjunto de seres vivos, macro e micro-organismos presentes no solo), sendo amplificada na forma de respostas celulares e bioquímicas no agroecossistema. Essas alterações que ocorrem na comunidade e na atividade metabólica da biota precedem as mudanças que ocorrem nas propriedades química e física do solo, que por sua vez impactam diretamente a produtividade das lavouras. “Por isso, o monitoramento de indicadores biológicos pode ser eficiente e assertivo em indicar rapidamente alterações na qualidade do solo “, observa Colozzi.

No estudo em questão, estão sendo monitorados parâmetros como a biomassa microbiana, respiração do solo, atividade enzimática, entre outros. Por enquanto, a falta de chuvas também vem prejudicando a condução do experimento. 

“Já fizemos duas amostragens, no tempo zero e no primeiro ano. Mas estamos aguardando a chuva. Se não tem água, a atividade microbiana fica reduzida”, adianta o pesquisador. “Mas nos locais onde conseguimos coletar dados, os resultados preliminares apontam, de maneira geral, maior biomassa microbiana no solo nas parcelas onde têm terraço”, observa Colozzi.