No Dia Mundial da Saúde Sexual, Paraná reforça importância da testagem rápida e prevenção

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Celebrado nesta sexta-feira, 4 de Setembro, o Dia Mundial da Saúde Sexual tem como objetivo conscientizar a população de que o cuidado com o corpo é uma dimensão essencial da qualidade de vida e da autonomia do cidadão. No Paraná, a data é um ponto de atenção para orientar a população sobre o combate às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), com foco na rede de acolhimento e testagem oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A estratégia adotada pelo sistema público para enfrentar essas infecções se baseia na Prevenção Combinada, que entende que a proteção exige acesso a múltiplas ferramentas. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) orienta a população a buscar as Unidades Básicas de Saúde (UBS), Serviços de Atenção Especializada (SAE) e Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), onde são disponibilizados gratuitamente preservativos e gel lubrificante. O sistema oferta ainda a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e Pós-Exposição (PEP), medicamentos que impedem a infecção pelo vírus do HIV e estão descentralizados nas 22 Regionais de Saúde.

Para reforçar essa rede de proteção e garantir o acesso contínuo aos tratamentos, a Sesa incentiva fortemente o diagnóstico precoce por meio do protocolo “Testar e Tratar”. A testagem rápida para HIV, Sífilis e Hepatites B e C está disponível por livre demanda nas UBS, sem a necessidade de agendamento prévio.

A adesão a esse serviço de triagem reflete nos números do Estado. Apenas em 2025, foram realizados mais de 707 mil testes rápidos e distribuídos 64 mil autotestes. Na parcial dos quatro primeiros meses de 2026, os registros apontam 231 mil exames rápidos executados e 19 mil autotestes entregues diretamente à população.

PREVENÇÃO

A principal recomendação das equipes de saúde é a adoção de hábitos seguros. O uso de métodos de barreira, como os preservativos internos (femininos) e externos (masculinos), deve ser constante em todas as relações, visto que muitas infecções podem não apresentar sintomas visíveis em suas fases iniciais.

O cuidado preventivo também inclui não compartilhar seringas, agulhas e objetos cortantes de uso pessoal (como alicates de unha), além de manter o acompanhamento médico anual com a realização de exames preventivos.

REDUÇÃO NOS CASOS

A ampliação do acesso à testagem reflete diretamente no monitoramento epidemiológico. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) – do Ministério da Saúde, indicam uma redução nos diagnósticos da infecção no Paraná.

Em 2023, o Paraná registrou 2.674 casos de HIV, número que passou para 2.307 em 2024 e contabilizou 2.275 diagnósticos em 2025. Na parcial de 2026, até o mês de julho, o Estado soma 940 casos. O cenário de casos de Aids (quando a doença já está desenvolvida) acompanha o indicador: foram 1.095 registros em 2023, passando para 1.077 no ano seguinte e 975 em 2025. Até julho deste ano, os registros parciais somam 371 casos.

Além do monitoramento de novas infecções, a estruturação da rede reduziu a mortalidade por Aids no Paraná em 45% nos últimos oito anos (2018 a 2025), alcançando as metas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Atualmente, 85% das pessoas diagnosticadas no Estado estão em tratamento contínuo pelo SUS. Deste grupo, 96% alcançaram carga viral indetectável, condição em que o vírus deixa de ser transmitido.

LINHA DE CUIDADO

A rede pública também mantém uma Linha de Cuidado Materno-Infantil estruturada para zerar a transmissão vertical (da mãe para o bebê). O protocolo das maternidades e das unidades primárias engloba o acolhimento no pré-natal e a oferta de exames em todos os trimestres da gestação e no parto. Gestantes com diagnóstico positivo recebem acompanhamento de alto risco, profilaxia durante o parto e medicação imediata para o recém-nascido, além de acesso à fórmula láctea para substituir o aleitamento materno.

A aplicação deste protocolo gerou resultados técnicos atestados pelo Ministério da Saúde, que concedeu ao Estado o Selo de Eliminação da transmissão vertical do HIV, o Selo Bronze em Sífilis e o Selo Bronze de Boas Práticas rumo à eliminação da Hepatite B.

O Paraná soma também a certificação de Curitiba, primeira capital a eliminar a transmissão vertical do vírus em 2017, e de Guarapuava, primeiro município brasileiro a conquistar a dupla certificação pela eliminação do HIV e da sífilis em 2022.

Com o apoio das políticas descentralizadas, o Estado tem avançado na certificação nacional pela eliminação da transmissão vertical do HIV, um reconhecimento do Ministério da Saúde concedido especificamente a municípios com 100 mil habitantes ou mais, que exigem critérios epidemiológicos rigorosos e alta complexidade de rede. Quinze destes municípios do Paraná já alcançaram o selo, o que representa 62,5% do total elegível.

IMUNIZAÇÃO CONTRA O HPV

Outra aliada estratégica na prevenção e no combate ao agravamento de doenças é a imunização. A Sesa reforça a orientação para que pais e responsáveis levem os jovens de 9 a 14 anos, de ambos os sexos, à Unidade Básica de Saúde mais próxima de casa para a vacinação contra o HPV.

A vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV), vírus transmitido pelo contato pele a pele e considerado a IST mais comum do mundo, é aplicada em dose única e atua como ferramenta essencial na prevenção de diversos tipos de câncer, como os de colo do útero, vulva, pênis, ânus e orofaringe.

Os indicadores da rede estadual apontam a forte adesão à proteção. Em 2025, o índice de imunização para meninas na faixa etária estipulada foi de 98,76% e, para os meninos, chegou a 91,25%, superando a meta de 90% preconizada pelo Ministério da Saúde. Na parcial de 2026, até o momento, a cobertura vacinal segue alta: 86,33% para o público feminino e 82,84% para o público masculino.

Além do público regular de rotina, a Sesa destaca o andamento do “Resgate HPV”. O prazo para a vacinação em jovens de 15 a 19 anos foi ampliado pelo Ministério da Saúde até 31 de dezembro de 2026. A campanha de resgate vacinal foi estendida para garantir a proteção desse público-alvo que não foi imunizado na idade recomendada.

Além do HPV, as salas de vacina mantêm a proteção gratuita contra as hepatites. Entre 2020 e 2025, o Paraná registrou 11.659 casos confirmados de hepatites virais. Desse total, 53,5% corresponderam à hepatite B (6.232 casos), 38% à hepatite C (4.428) e 8,6% à hepatite A (999).

A vacina contra a Hepatite B é oferecida gratuitamente pelo SUS para toda a população, em esquema de três doses, sendo fundamental que a primeira dose seja aplicada entre as primeiras 12 a 24 horas de vida para reduzir o risco de transmissão materno-infantil. Já a vacina contra a Hepatite A integra o calendário infantil aos 15 meses de idade e também está disponível para grupos específicos que se encaixam nos critérios descritos nos protocolos do Ministério da Saúde.

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