Alimentos da agricultura familiar enriquecem a merenda escolar

As escolas recebem de pequenos produtores cerca de 700 mil quilos de alimentos a cada 15 dias neste momento de pandemia – a entrega padrão é semanal. Até o final do ano devem ser 12,3 milhões de quilos. Primeira entrega de alimentos do ano letivo acontece nesta quarta-feira (31)

Produtos da agriculta familiar enriquecem a alimentação dos estudantes da rede estadual de ensino e contribuem para motivar hábitos saudáveis. O Governo do Estado firma contratos com cerca de 180 cooperativas e associações de pequenos produtores para garantir a entrega desses itens às mais de 2,1 mil escolas. As unidades recebem cerca de 700 mil quilos de alimentos a cada 15 dias neste momento de pandemia – a entrega padrão é semanal. Até o final do ano devem ser entregues 12,3 milhões de quilos.

A compra oferece gêneros alimentícios diversificados, sazonais e produzidos próximos às escolas. São frutas, hortaliças, legumes, tubérculos, temperos, leite, panificados, ovos, sucos, iogurte, feijão e arroz, entre outros adquiridos de mais de 25 mil pequenos produtores paranaenses, o que os auxilia a manter as vendas nesta época de pandemia.  

“Os contratos assinados permitem que os nossos alunos consumam alimentos in natura, com baixo teor químico na produção, que contribuem para que desenvolvam hábitos alimentares saudáveis”, explicou o diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), Alexandre Modesto Cordeiro.

NO CAMPO 

A compra de associações e cooperativas ajuda no desenvolvimento social e econômico de milhares de famílias rurais em todo o Paraná. É o caso da Cooperativa Agropecuária Matoriquense (Coamar), de Mato Rico, região Central do Estado. “A assinatura do contrato é o andamento da cooperativa, trabalhamos dentro desse orçamento. Se temos o dinheiro, estamos trabalhando’, disse o presidente da Coamar, José Maximino Mussato.

A cooperativa conta com o trabalho de 209 cooperados que produzem e fornecem alimentos para escolas estaduais e municipais da região. A cada entrega são cerca de 30 toneladas em produtos.

O presidente da Associação dos Produtores Rurais do Estado do Paraná (Aprep), Nelton de Castro Soares, reforça que os contratos asseguram rendimentos aos pequenos produtores. “O programa de alimentação escolar é extremamente importante. Muitas famílias vivem quase que exclusivamente dessa renda para seu sustento”, disse. A entidade atende 25 escolas estaduais em oito municípios próximos de Goioerê, região Centro-Oeste do Estado.

Os pequenos agricultores também podem produzir com um pouco mais de tranquilidade. “A nossa produção vai para as escolas estaduais e municipais de Campo Largo e Campo Magro (Região Metropolitana de Curitiba). Dessa forma, o que produzimos tem a garantia de entrega. É um recurso mensal certo”, afirmou a agrônoma e administradora da Cooperativa da Agricultura Familiar de Campo Largo (Cooperlargo), Débora Gabardo Rigoni.

Os itens da agricultura familiar trazem uma maior diversidade na alimentação dos estudantes paranaenses. “Entregamos produtos sazonais que enriquecem a merenda nas escolas, é mais saúde para os alunos. Eles acabam tendo uma visão na escola de que precisam ter uma boa alimentação”, disse o presidente da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Familiares de Campo Mourão e Região (Coafcam), Claudinei Nunes Fernandes.

ENTREGAS 

Nesta quarta-feira (31) acontece a primeira distribuição deste ano letivo da alimentação escolar para as famílias cadastradas em programas sociais. Além dos produtos da agricultura familiar, também serão destinados cerca de 30% de não perecíveis que estão em estoque nas escolas estaduais e que seriam destinados à preparação de refeições para os estudantes, caso o ano letivo fosse iniciado de forma presencial.

Em 2021, a compra de alimentos beneficia cerca de 220 mil famílias em situação de vulnerabilidade. Em 2020, o Governo do Estado distribuiu quase 40 mil toneladas de alimentos, um investimento de R$ 187,9 milhões – bem acima de 2019, quando foram distribuídas 23 mil toneladas (apenas nas escolas), um total de R$ 127 milhões investidos.