Cooperativa de Pitanga atende mais de 600 agricultores familiares

Responsável pela Cooperativa de Leite da Agricultura Familiar (Coorlaf-Pitanga), Dirceu Alves de Lima explica que a entidade é fundamental para o desenvolvimento de muitos produtores da cidade

Criada em 2009, a Cooperativa de Leite da Agricultura Familiar de Pitanga (Coorlaf-Pitanga) desenvolve um projeto voltado para pequenos produtores do interior do município. 

De acordo com Dirceu Alves de Lima, responsável pela entidade, a instituição surgiu pela necessidade do município se desenvolver nessa área. “A Coorlaf-Pitanga é uma cooperativa que tem uma central em Guarapuava, e que foi criada aqui na cidade justamente para atender a demanda dos produtores de leite do nosso município”, explica. 

Dirceu recorda que muitos países cresceram através do cooperativismo e, em uma cidade como Pitanga, isso não seria diferente.

“No início, a intenção da cooperativa foi de comprar esse leite do produtor rural e transformá-lo em produtos. Porém, o estatuto trazia algo mais: especificava que também deveria ter a comercialização disso tudo”, salienta. 

Com mais de 600 associados, a Coorlaf-Pitanga está focada neste momento no Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e, segundo Lima, isso ajuda muito a cooperativa. 

“Hoje, o carro-chefe da Coorlaf está na compra e distribuição de alimentos da agricultura familiar para a merenda escolar das escolas do município de Pitanga e também dos colégios estaduais”, detalha. 

Ele lembra que a missão da Coorlaf-Pitanga é também desenvolver o agricultor familiar, comprar o que ele oferece de melhor e ajudar na economia do município. “Só no mês de dezembro, nós repassamos, em pagamentos aos pequenos produtores, quase R$ 70 mil. Então, isso mostra o quanto esse agricultor familiar é importante para a economia de Pitanga, pois ele gasta o que recebe dentro da cidade”, ressalta. 

NOVIDADE

Dirceu destaca que, com o passar do tempo, muito foi feito pelo agricultor familiar pitanguense, mas que isso é apenas o começo. 

“Nossa cooperativa quer trabalhar e olhar com muito carinho para nossos pequenos agricultores. Todo cooperativismo tem seus desafios e, claro, que nós não seríamos diferentes, mas estamos firmes e fortes em crescer com a nossa Coorlaf”, conta. “A partir de março, estaremos com uma loja aberta com produtos visando ajudar nossos produtores. E será uma loja com produtos diferenciados”.

O responsável pela entidade explica que, com essa ação empreendedora, a cooperativa terá um destaque maior na cidade e até poderá desenvolver novas parcerias com os municípios vizinhos. “Nos últimos seis meses, nós estudamos o mercado de Pitanga e vimos o que o produtor está precisando. E com essa loja nós mostraremos a força do produtor e da agricultura familiar em trazer um diferencial”. 

PERSPECTIVA

Com Pitanga completando 77 anos, Dirceu vê que a cidade tem um potencial de crescimento enorme dentro do cooperativismo, mas, principalmente, dentro da agricultura. A atividade que está em plena ascensão é a venda de bebidas lácteas. “Temos uma plataforma que pode receber mais de 70 mil litros de leites e maquinários que chegam a quase R$ 500 mil”.

Dirceu Alves de Lima, responsável pela Coorlaf-Pitanga (Lucas Herdt/Correio)

No ponto de vista de Lima, um projeto bem elaborado de agroindústrias pode trazer importantes parcerias para a região. “Queremos uma cooperativa forte, mas queremos ainda mais fortalecer nosso produtor. Se a cooperativa vai bem, é porque nossos agricultores vão bem. E investindo nos nossos colaboradores, a Coorlaf crescerá ainda mais”. 

De acordo com Dirceu, por ser a terceira maior bacia leiteira do Paraná, Pitanga tem a perspectiva de sempre olhar para o futuro. “Temos um grande potencial em transformar o leite que chegam dos nossos produtores. Sem contar que o leite daqui é de grande qualidade. E parcerias precisam ser feitas para desenvolver um grande trabalho”. 

‘O sindicato é a casa do trabalhador rural’, diz presidente

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Pitanga foi fundado em 14 de janeiro de 1984 e teve a sua primeira diretoria montada em junho do mesmo ano. A instituição conta hoje com cerca de 340 associados. 

Também representada por Dirceu Alves de Lima, que é presidente do STR, a entidade atua na busca e defesa dos direitos dos trabalhadores. “Com o sindicato, nós tivemos muitas lutas e muitas conquistas. Desde a sua criação, nós sempre buscamos e pensamos nos direitos dos trabalhadores. E muitas coisas nós conseguimos, como a aposentadoria aos 55 anos para a mulher e 60 anos para o homem”, lembra. 

No ponto de vista de Lima, muitos dos direitos adquiridos atualmente vieram graças ao empenho para colocar na Constituição Federal de 1988 as necessidade do trabalho rural. 

“Naquela época, queríamos que nosso trabalhador tivesse as mesmas condições que os trabalhadores de carteira assinada da cidade. Principalmente, com nossa luta conseguimos reconhecer na Constituição a mulher como sendo chefe de família também”, recorda.

Na busca por direitos desde a década de 1980 e filiado ao sindicato desde 1986, o presidente do STR afirma que a dificuldade sempre existiu. “O governo dificulta nosso trabalho, mas ele não fecha os sindicatos. Quem fecha e abandona a instituição são os próprios trabalhadores, que esquecem que o sindicato existe. Sendo que nosso trabalho nunca para”.

RELEVÂNCIA

Um dos principais objetivos do STR é representar os trabalhadores no município, no estado e no governo federal, levando sempre as pautas exigidas para os governantes. “Nossa missão é defender e representar o agricultor e o trabalhador rural. Em 2017, quando quiseram mexer na aposentadoria rural, nós estávamos firmes e fortes para que esse direito não fosse tirado de nós”, ressalta. 

Além da importância para os produtores rurais, as mobilizações na cidade de Pitanga mostram a força do sindicato e, para Lima, evidencia o quão crucial são esses trabalhadores para a economia local.

“Do dia 1° até o dia oito, a cidade está cheia. É o período em que os aposentados vêm receber a aposentadoria. No final do mês, também acontece isso por conta que uma parcela de aposentados também recebe”, explica. “O agricultor aposentado vem para a cidade e gasta no mercado, na farmácia, nas lojas, na agropecuária, nos materiais para construção. Esse dinheiro fica aqui no município de Pitanga”.

FUTURO

O presidente do sindicato salienta que há uma certa imagem negativa em torno das instituições sindicais, mas que toda ação feita por eles foi e sempre será pacífica. 

“Sempre digo que o sindicato é a casa do trabalhador rural. É aqui que ele se informa e conhece sobre seus direitos, as novidades que estão acontecendo no meio rural e muitos benefícios que eles conseguem”, destaca. 

Dirceu ainda conta que o futuro da agricultura familiar está nas mãos dos governantes em incentivar e desenvolver políticas públicas que façam com que os jovens tenham interesse pelo campo. “Fazer com que os políticos vejam a importância da sucessão rural é importantíssimo. Vemos a escassez de alimentos, porque não tem quem trabalhe mais na roça. E precisamos de incentivos para que jovens fiquem na lavoura”, ressalta. 

PITANGA

“O sindicato colaborou muito com a expansão do município. O movimento sindical vai buscar os recursos e os poderes vão direcionar esse dinheiro e é desse jeito que um vai ajudando o outro para que a população seja beneficiada”, pontua.

O presidente diz que os pitanguenses estão de parabéns junto com a cidade, pois, além da área urbana, o meio rural também se consolidou e sempre acreditou no município.

***Lucas Herdt, especial para CORREIO