Guarapuava, 16 de dezembro de 2019
#curta!

Mesmo com a chuva, o público que passou pela rua XV de Novembro na manhã desta terça-feira (5) pode acompanhar a apresentação ‘Vikings e o Reino Saqueado’, da Cia. Os Palhaços de Rua; peça abriu 22ª edição do festival

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Do palco para as ruas: saindo do modelo tradicional de teatro, o espetáculo “Vikings e o Reino Saqueado” levou para a rua XV de Novembro, na manhã desta terça-feira (5), a arte da palhaçaria.

A apresentação deu início ao Festival de Teatro da Unicentro (Feteco), que neste ano chega à sua 22ª edição.

No enredo, a dupla constantemente tenta reconquistar seu reino, tomado por duques. Utilizando textos como o do sociólogo brasileiro Jessé Souza e do mitologista Joseph Campbell, os artistas relacionam a cultura nórdica com a realidade política e social do Brasil nos últimos cinco anos.

Durante 40 minutos de espetáculo, Batata Doce e Turino, interpretados por Adriano Gouvella e Lucas Turino, dividiram espaço com o público que passou pelo local para prestigiar a apresentação.

“A gente traz essa ideia para as ruas, para que as pessoas que estão passando, que não iriam ao teatro assistir, possam ter acesso a essa leitura e, principalmente, refletir sobre o seu dia a dia, sua condição de vida, o meio em que está inserido e tudo mais”, declarou Turino.

PÚBLICO ATENTO

Mesmo com a chuva que despencou durante a manhã, os olhos do público seguiram atentos. Eduarda Roth (18 anos) é acadêmica de Arte na Unicentro, e ressaltou que, no seu ponto de vista, o espetáculo foi revolucionário.

“Traz um pensamento muito legal sobre o trabalho, sobre o governo e sobre o momento crítico que a gente vive. Eu adorei, porque trouxe essa criticidade também para rua”, disse.

O público que prestigiou o espetáculo conseguiu dar boas risadas com a apresentação.
(Ágata Neves)

A também acadêmica Bruna Cebulsky (18 anos) notou que, mesmo com a comédia, a dupla fez uso da arte para expressar críticas e problemas comuns que atingem a população.

“Eles realmente escancaram tudo que está acontecendo. Você trazer a cultura para rua e mostrar tudo que está acontecendo em um momento como esse é revolucionário e forte”, comentou a jovem.

DEMOCRATIZAÇÃO

Para os atores, o processo de democratizar o teatro e aproximar o público do espetáculo é muito importante.

Com humor, a dupla de palhaços debate questões políticas e sociais de interesse da população.
(Ágata Neves)

“Trazer esse conhecimento teórico-científico, essa reflexão junto com os espetáculos de circo e teatro é um modo de fazer com que as pessoas parem, se encantem e ao mesmo tempo reflitam um pouco sobre a condição do Brasil, sobre sua condição de vida no mundo”, declara Adriano.

Compondo a organização do Feteco, Elizabete Lustoza, chefe da Divisão de Assuntos Culturais da Unicentro, promete que “muitos encantos ainda estão para acontecer nas apresentações deste Feteco”.

SERVIÇO

O festival segue até o dia 8 de novembro. Nesta quarta-feira (6), o Teatro Municipal de Guarapuava recebe a estreia gratuita da peça “Revolução das Mulheres”, do grupo Felchak Produções. A apresentação tem início às 20h, e a classificação indicativa é de 14 anos.

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