Guarapuava, 17 de December de 2018
Esporte

'Alguns dias atrás eu e alguns amigos fomos assistir “Pantera Negra”. A princípio essa informação pode parecer desconexa mas toda a cultura que o filme nos apresenta, desde os trajes, o comportamento das diversas tribos, a linguagem e, de novo, os trajes, me fizeram antecipar para esta coluna qualquer seleção africana. A escolhida foi a Nigéria'

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(Foto: Ilustrativa)

Grupo difícil, uniformes incríveis e uma base com rodagem em grandes ligas europeias são ingredientes que cercam o roteiro da Nigéria na Copa do Mundo 2018.

Alguns dias atrás eu e alguns amigos fomos assistir “Pantera Negra”. A princípio essa informação pode parecer desconexa mas toda a cultura que o filme nos apresenta, desde os trajes, o comportamento das diversas tribos, a linguagem e, de novo, os trajes, me fizeram antecipar para esta coluna qualquer seleção africana. A escolhida foi a Nigéria.

Primeiro, porque foi a primeira seleção africana classificada para a Copa do Mundo 2018. Depois, porque recentemente apresentou um uniforme arrojadíssimo, relembrando a seleção nigeriana com ótimo desempenho em 1994 e seguindo aquela linha de design retrô que as duas gigantes fornecedoras de material esportivo (Nike e Adidas) desenvolvem para o torneio. Por fim, porque a Nigéria tem a chance de reviver esse filme ou até rascunhar na história um roteiro melhor. E porque eu continuo na vibe do Pantera Negra.

Falando de história e tradição, a ‘Super Águia’, como é chamada em alusão ao pássaro estampado no emblema, tem acumulado classificações para o evento. Desde 94, ano em que sacudiu o mundo, já são seis participações. Apenas em 2006 ficaram de fora. Em 94, inclusive, conseguiram uma de suas campanhas mais memoráveis, quando classificaram-se em primeiro num grupo em que a tradicional Argentina sucumbiu. Mais além, foram eliminados nas oitavas pela Itália, vice-campeã do torneio. O ano e a geração também ficou marcada pela conquista da Copa das Nações Africanas.

Para a competição na Rússia, a Nigéria precisará demonstrar muita força e reviver seus melhores momentos. Presente no grupo D, não vai encontrar vida fácil. Terá pela frente Croácia, Argentina e Islândia, três seleções duríssimas, pela história ou pelo destaque recente. Mas, respeitando as proporções, vale ressaltar que classificou-se com facilidade no “grupo da morte” das eliminatórias africanas, deixando para trás Zâmbia (segunda colocada), a tradicional seleção de Camarões e a Argélia, de ótima campanha em 2014.

A base do time, em termos, não deve se deslumbrar e temer os adversários. Traz nomes promissores e aclamados, com rodagem europeia e em grandes ligas. Só na Premier League, são quatro jogadores. Iheanacho, promessa do futebol mundial revelado pelo Manchester City e Wilfred Ndidi atuam pelo Leicester - que também tem Ahmed Musa emprestado ao CSKA, da Rússia. Alex Iwobi, outra promessa versátil, atua bons minutos no Arsenal e deve ser titular. Além disso, a seleção ainda conta com jogadores mais veteranos que atuam na china como Ighalo (jogou no Watford) Obi Mikel, um dos maiores jogadores da história do país e com dez anos de passagem pelo Chelsea.

Como podemos perceber, os principais atores dessa história atuam nas faixas mais avançadas de campo e devem incomodar e muito os adversários, tal como Kanu. A nova geração vem com muita mobilidade e habilidade ofensiva, certa solidez na defesa e está acostumada com grandes cenários. E se o final não for tão feliz, pelo menos o resgate e valorização da cultura negra já valeram a pena.

 

**********Gabriel Aquino é jornalista e músico


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