Guarapuava, 20 de junho de 2019
Economia

Em entrevista ao CORREIO, o professor e jornalista Edgard Melech, que atuou em diários como a Gazeta do Povo, Diário Popular e Correio de Notícias, avalia o cenário da tradicional mídia de papel no Brasil

-

O jornalista e professor Edgard Melech é enfático ao dizer que o jornalismo impresso ainda tem muito futuro no Brasil, já que lança mão de uma plataforma física, tradicional e consolidada para dar suporte à informação.

Mas, ele atenta: “desde que, preferencialmente, seja integrado e complementar a demais mídias como o rádio, a televisão e, principalmente, a internet”.

Nesse sentido, do ponto de vista jornalístico, ele acredita ser importante ressaltar que uma das principais funções da informação no papel é contribuir significativamente para a memória histórica das comunidades.

“Os jornais impressos têm uma contribuição muito valorizada não somente na construção da história, mas principalmente no registro documental dos fatos diários de maior interesse e impacto às pessoas”, acrescenta Melech, que tem experiência em veículos como a Gazeta do Povo, Diário Popular e Correio de Notícias, e atualmente leciona no curso de jornalismo da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).

INFORMAÇÃO NO PAPEL

De acordo com o Atlas da Notícia publicado pelo Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor), existem hoje no Brasil um total de 3.368 jornais impressos em circulação - esses dados são referentes a janeiro deste ano.

Apesar de os tradicionais diários de Curitiba já terem sumido das bancas, como a Gazeta do Povo, por exemplo, Edgard ressalta que pelo menos 70 veículos impressos permanecem em circulação no Paraná.

“Acredito que informação é informação, notícia é notícia, seja em qualquer plataforma de mídia. Vê-se, desta forma, que quanto a esta questão de mídia impressa ou digital, ambas podem ser complementares”, opina o professor, que ressalta que a internet ainda não é acessível para todos, o que mantém as mídias tradicionais exercendo seus papéis com grande impacto.

FUTURO

Edgard diz que acompanha com periodicidade os grandes diários nacionais, caso da Folha de S. Paulo e O Estado de S.Paulo, além de publicações segmentadas nas áreas de política, educação e cultura.

No seu ponto de vista, há futuro para o jornalismo publicado em papel, mas é necessário manter uma integração constante com outros meios de comunicação e plataformas digitais.

“Justifico esse otimismo em relação ao jornal impresso porque considero que ainda é uma mídia tradicional muito importante para a consolidação da democracia e da liberdade de expressão, aspectos fundamentais para as sociedades e para os indivíduos”, explica, pontuando que é necessário que os veículos atendam aos verdadeiros interesses de seu público e das comunidades, “pois só assim poderá coexistir neste emaranhado e complexo universo das mídias”.

Veja Também