Guarapuava, 15 de setembro de 2019
Opinião

"Uma das questões que mais me interessa neste momento é o real entendimento do que seja a síndrome da apatia política que, aparentemente, não é outra coisa senão que as pessoas não estão suficientemente comprometidas com práticas verdadeiramente democráticas"

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Acreditar é preciso. Não sem algumas reservas e questionamentos. Acredito que uma das tarefas imposta aos homens de boa vontade e dotada do justo esclarecimento é fazer o que se pode para aumentar a confiança das pessoas na potencialidade de uma necessária mudança pedagógica. Como escreveu Domenico Di Masi a impossibilidade de distinguir nos dificulta julgar e decidir, lançando-se na maior de todas as impotências, a neutralidade. Temos uma obrigação moral de não sermos pessimistas. Dito de outra forma, acredito que é insensato e nocivo hoje fazer as pessoas acreditarem nesta impotência de não fazer, de não se movimentar, de não acreditar. Todavia, o otimismo que advogo não significa fazer apologia ao conformismo ou à cegueira, mas sim a compreensão do sentido dos acontecimentos com responsabilidade. Então vamos aos fatos. Reconheço que ‘político e financeiro’ nunca estiveram tão próximos no momento em que escrevo e tentam sepultar qualquer outro horizonte diferente. Estamos em um labirinto, como se não bastasse, um labirinto confuso. Para sair deste estágio, é preciso ter pessoas dispostas para tal fim e ferramentas adequadas. Esta disposição, muito ausente hoje, precisa ser reavivada urgentemente. A sugestão daquele que considero um grande líder mundial, Papa Francisco, é que façamos algo diferente do que está sendo feito, uma espécie de uma ‘bagunça pedagógica’ ou uma movimentação incomum que nos faça sair do mormaço do meio dia, acabando com a máxima hegeliana de “uma noite em que todas as vacas são pretas” ou de que o apocalipse está aí. Uma das questões que mais me interessa neste momento é o real entendimento do que seja a síndrome da apatia política que, aparentemente, não é outra coisa senão que as pessoas não estão suficientemente comprometidas com práticas verdadeiramente democráticas.

Nesse sentido, a neutralidade é, talvez, nosso maior pecado. Buscar ações para sair deste estágio movediço parece ser a grande tarefa da tecnologia cívica para vencer a imbecilidade de uma grande maioria que “sabem o que estão fazendo e que continuarão fazendo o que estão fazendo” sem considerar a casa de todos. É de Habermas a frase que mais me empolgou na última semana: “é possível que um dia aprendamos a usar as redes sociais civilizadamente”, acrescentaria, sem este pessimismo letal.

 

**********Dr. Claudio Andrade é professor associado da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), no Departamento de Filosofia. Ele é também presidente da Academia de Letras, Artes e Ciências de Guarapuava (Alac), além de assessor da Rede de Assessores de Cefep/CNBB Brasília (DF)

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