Guarapuava, 19 de fevereiro de 2020
Cotidiano

Com apresentações do Coral Municipal, da peça ‘Revolução das Mulheres’ e exibição do documentário produzido pela Secretaria de Comunicação (Secom) e de Políticas Públicas para as Mulheres, o evento deu destaque para pioneiras do município

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“Esta noite foi histórica!”. É assim que a secretária municipal de Políticas Públicas para as Mulheres de Guarapuava, Priscila Schran, definiu a noite cultural “Vozes - Mulheres na Terra de Guairacá”, realizada na noite de segunda-feira (2) no Teatro Municipal.

O evento, organizado juntamente com a Secretaria Municipal de Comunicação (Secom), visou destacar vidas de mulheres silenciadas desde a fundação da atual Guarapuava, dada há 200 anos. “Nós conseguimos trazer luz para a questão das mulheres, para a história delas. Conseguimos trazer a luz à vivência e à experiência de ser guarapuavana nestes 200 anos”, destacou Priscila.

CRONOGRAMA

A atividade foi dividida em quatro partes. Na primeira, o Coral Municipal, ministrado por Marcia Rickli, apresentou três músicas ao público, que ovacionou os jovens após as apresentações.

Na segunda parte, a performance ‘Vozes-Mulheres na Terra de Guairacá’, com roteiro e texto escrito pela professora Níncia Ribas Borges Teixeira e montagem do artista Nilton Korobinski, mostrou o progresso social envolvendo as mulheres, e também apontando problemáticas nos discursos e atitudes machistas aos quais elas estão submetidas. Na narrativa, Guarapuava é, metaforicamente, uma figura feminina que está sendo germinada, que busca igualdade social e espaço para as mulheres. Logo após a performance, o coral de meninas do Colégio Lobo Kids cantou o hino municipal.

Ilustradas em um documentário, as histórias de mulheres invisibilizadas ao longo dos dois séculos foram trazidas na terceira parte. Maria Luiza Pinto, descendente de indígenas Guaranis, Izabel Virmond Rauen, descendente dos fundadores da cidade e Maria Vanda Viana Alves, descendente de africanos escravizados, relataram como era a vida de pioneira, e quais as principais mudanças sociais vistas com o passar do tempo.

No evento, Maria Vanda prestigiou a exibição, e relembrou alguns momentos marcantes de sua história. “Nós não ‘podia’ se misturar com os brancos, era tudo separado. Se um escravo ‘aprontasse’, era chicotado e tinha a orelha pregada, cortada”, relembrou.

Dona Maria Vanda recebeu as homenagens do prefeito Cesar Silvestre Filho e da secretária municipal Priscila Schran (Foto: Ágata Neves)

REFLEXÕES

A noite também trouxe muitas reflexões ao público. “Nós estamos tentando fazer hoje um resgate histórico, para tentar consertar uma divisão que tem na sociedade e que está encravada. É por isso que todo o esforço que é feito enquanto política pública, de tratar do tema, de repetir, enfrentar, expor e sensibilizar a sociedade é para podermos mostrar aos poucos para as pessoas da sociedade, aos poucos, que temos que dar um basta definitivo nestas diferenças que ainda existem”, afirmou o prefeito Cesar Silvestri Filho durante seu discurso.

O prefeito entregou para Maria Vanda e familiares de Izabel e Maria Luiza uma placa de cidadã guarapuavana, em comemoração à participação e contribuição delas nos 200 anos da cidade.

Além da análise feita pelo prefeito, a quarta parte da noite cultural contou com a apresentação da comédia “Revolução das Mulheres”, com direção de Rita Felchak. “O texto da peça foi criado em 800 a.C. por Aristófanes, e ele já profetizava que as coisas iriam estar acontecendo desse jeito, então, nós estamos ainda engatinhando, tendo dificuldades e tentando descobrir onde estão as falhas”, ressaltou a artista.

Ela ainda afirma que “a arte tem a grande missão de questionar, informar, fazer com que as pessoas perguntem e debatam, e este foi o momento em que achamos de muita importância, no momento em que estamos vivendo agora, principalmente com toda a dificuldade que as minorias têm de serem ouvidas, serem contempladas com leis. Agora é o momento de falar sobre isso”.

Por meio da série de entrevistas, que serão liberadas no dia 9 de cada mês a partir de dezembro, os órgãos públicos visam “trazer a história oral, trazer a vida delas para a história oficial do município. A partir de agora, ela também está sendo escrita pela voz destas mulheres que ficou silenciada por muito tempo”, finaliza Priscila Schran.

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