Guarapuava, 18 de setembro de 2019
Cotidiano

Especialista alerta para as diversas armadilhas para quem tem pressão alta

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“A hipertensão é um dos principais fatores para o aparecimento de doenças cardiovasculares. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 51% das mortes por Acidente Vascular Cerebral (AVC) e 45% das mortes relacionadas a problemas cardíacos decorrem da hipertensão”, afirma o médico cardiologista e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Marcus Bolivar Malachias

“Doenças cardiovasculares matam mais do que câncer, acidentes e violências. As pessoas costumam cuidar da segurança, do diagnóstico de câncer, seguem o tratamento, mesmo tendo diversos efeitos colaterais, mas não se preocupam em controlar a pressão. Essa consciência que precisamos criar na população”, complementa Malachias, que é também professor da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG).

A hipertensão arterial ou pressão alta é uma doença crônica caracterizada pelos níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias. Importante destacar que ser crônica significa que essa enfermidade não tem cura definitiva. E essa é uma das questões que causam problemas para a adesão das pessoas ao tratamento da hipertensão.

“Noventa por cento dos pacientes diagnosticados com hipertensão precisam fazer o acompanhamento com medicamentos. Não deem ouvidos para os mitos criados em torno do uso de medicamentos e eventuais efeitos colaterais, pois para esse tipo de tratamento são praticamente inexistentes”, comenta Marcus Malachias.

MUDANÇAS

“Para as pessoas com hipertensão que precisam ser medicadas, mudanças de hábitos podem ajudar a diminuir a quantidade de remédios. Manter-se no peso ideal, praticar exercícios e diminuir o consumo do sal auxiliam de maneira positiva o tratamento”, lembra o presidente técnico-científico da Biolab Farmacêutica Dante Alario Junior, CSO.

Outro fator importante que mascara a percepção sobre a gravidade da hipertensão deve-se ao fato de ela ser assintomática. Ou seja, não exibe sintomas. Os pacientes só tomam consciência de que a pressão está alta após a medição, motivo pelo qual é preciso fazer o controle preventivo regularmente, principalmente os pacientes hipertensos.

EQUÍVOCO

“Tomando ou não o remédio, a pessoa sente-se praticamente da mesma maneira. Por isso, alguns optam por parar o tratamento. Isso é um grande equívoco. Sem controle, quando a doença der o alerta, o quadro de saúde provavelmente já estará associado a patologias mais sérias, como possibilidade de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral”, ressalta, principalmente os pacientes hipertensos.

Segundo ele, no Brasil apenas 20% dos pacientes seguem as indicações médicas. Isso ocorre por uma série de motivos. Mas, de maneira geral, o grande vilão é a falta de consciência das pessoas. A criação de um dia dedicado a alertar a população contra a hipertensão é uma iniciativa da comunidade médica para despertar ou reforçar nas pessoas a importância do controle da pressão arterial.

“Todos devemos medir a pressão arterial regularmente. Caso ocorra alguma alteração, procurar imediatamente auxílio médico. Precisamos disseminar a cultura do cuidado com a saúde. O indivíduo que não se trata reduz sua expectativa de vida entre 5 e 16 anos”, finaliza o médico.

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