Guarapuava, 23 de maio de 2019
Cotidiano

Filho de Jozoel de Freitas, o seu Tuto, e Roseli de Souza Ferreira, o guarapuavano Carlos Eduardo Burkhard, o Dudu do Contempla, carrega uma história de mobilização pela cultura e pela cidadania em Guarapuava

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Na pele e nas ações, o guarapuavano Carlos Eduardo Burkhard (37 anos) carrega consigo uma história de mobilização. Filho de dois nomes fundamentais para o município - Jozoel de Freitas, o seu Tuto, e Roseli de Souza Ferreira -, ele sempre esteve envolvido com a cultura, a cidadania e a preservação patrimonial na chamada “terra do lobo bravo”.

Compositor, dançarino, músico e um dos fundadores do Grupo Contemplação, Dudu do Contempla, como é mais conhecido, tem uma trajetória de vida enraizada nos exemplos de Tuto e Roseli. “Pra mim, minha mãe e meu pai, enquanto funcionários públicos, deram todo o meu norte pra poder seguir nessa linha”, diz, em entrevista ao CORREIO.

Para quem não sabe, o seu Tuto contribui para a visibilidade da cultura afro-brasileira em Guarapuava, atuando como artesão e espécie de “historiador do cotidiano”. Ele também mobilizou o carnaval na cidade, fundou uma fanfarra e reformou o Museu Visconde de Guarapuava. Já Roseli participou de ações sociais na comunidade guarapuavana.

Não à tona, Dudu tem orgulho desse legado. O músico hoje coordena a fanfarra criada por seu pai e reativou, ao lado de um dos irmãos, a tradição do carnaval de rua.

Casado e pai de dois filhos, Dudu já trabalhou no comércio e na área pública. Sem contar a participação em projetos de música, dança e educação. Sempre com a cultura afro-brasileira como referência.

Por exemplo, no ano passado o guarapuavano participou da assinatura de um documento, no Museu Paranaense, que solicitava junto ao governo do Estado o tombamento do patrimônio imaterial dos clubes negros do Paraná.

Dudu coordena fanfarra em Guarapuava
(Foto: Acervo Pessoal/Dudu)

CIDADANIA

Na área da cidadania, Dudu escreveu o projeto “Homem de Lata”. Mantida em escolas da periferia de Guarapuava, a ação tinha como objetivo integrar alunos e famílias junto ao ambiente escolar.

A iniciativa recebeu prêmios ao propor a autonomia das crianças na produção de seu próprio instrumento musical, reduzindo o impacto no meio ambiente e oportunizando noções de ritmo musical. “É toda aquela questão de formação do cidadão”, diz Dudu.

ARTES

Além de compor canções como o hit “Lua”, Dudu do Contempla também se preocupa com o desenvolvimento artístico de Guarapuava, pensando em estratégias de entretenimento e arte.

“Mas o problema é que não existe uma ponte entre o artista guarapuavano e outros centros”, avalia. Ele acredita que, para uma cidade que está se desenvolvendo do porte de Guarapuava, a área artística está ficando para trás. Ou seja, existe uma demanda por entretenimento e cultura que não está sendo atendida com programação diversificada.

Inclusive, Dudu aponta outro problema: a “terra do lobo bravo” tem artistas de várias áreas, mas sem um cadastro ativo para identificá-los.

CUIDADOS

“Saúde e morte são duas coisas que você tem que dar uma atenção especial”, diz Dudu, acrescentando que são duas etapas na vida do ser humano. No entanto, segundo ele, falta maior sensibilidade para a questão funerária; enfim, ter alguém preparado para lidar com essa situação. “As pessoas não veem a morte como uma política pública”.

Nesse sentido, o guarapuavano observa que não existe uma preocupação com o patrimônio cemiterial (a história e a conservação de túmulos, por exemplo).

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