Guarapuava, 17 de novembro de 2019
#curta!

Filmes clássicos dos anos de 1950/60, principalmente do western spaghetti, são conhecidos no mercado brasileiro por títulos impactantes em português que não têm nada a ver com o nome original. Confira nesta edição do CORREIO uma seleção deles

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“Onde começa o inferno”, “Meu ódio será sua herança”, "Cavalgada infernal"... o gênero do faroeste é prodigioso em títulos carregados de tinta, principalmente se for sob o signo da violência.

Mas o mérito pelos nomes impactantes é todo brasileiro, já que os filmes estrangeiros disponíveis no mercado nacional foram rebatizados quando chegaram a essas bandas.

Claro que, em alguns casos, os títulos originais não funcionavam muito bem quando traduzidos ao pé da letra. Por isso, era necessário um novo nome que tivesse a ver com a força da história. Ou não. Pois muitos nomes fugiam completamente do verdadeiro enredo.

A seguir, uma seleção especial do “faroeste em versão nacional”.

SEM DJANGO

Dirigido por Sergio Corbucci, “Django” (1966) é um clássico do chamado western spaghetti, ou seja, dos filmes produzidos por italianos a partir do mais genuíno gênero norte-americano de cinema, o western (ou faroeste, como ficou conhecido no Brasil).

O sucesso foi tão grande que gerou continuações. Só que “Django não perdoa, mata” (1968) não tem nada a ver com o personagem. A única coincidência é a presença do ator Franco Nero (de “Django”).

Nesse filme de Luigi Bazzoni, Nero vive um oficial mexicano seduzido pela cigana Carmen, em história inspirado na ópera de Georges Bizet. Ah, o título original do filme é “L'uomo, L'orgoglio, La Vendetta” (algo como “Homem, orgulho e vingança”).

A única referência a "Django" é o ator Franco Nero (Foto: Divulgação)

INFERNO

A palavra “inferno” é quase que obrigatória em filmes de faroeste, principalmente nos títulos brasileiros nos anos de 1960.

Em 1968, era lançado “Os violentos vão para o inferno”. Uau! Deu até medo! Mas o nome original não tem nada demais: “Il mercenario” (“O mercenário”), no caso o personagem vivido por Franco Nero, Kowalski.

Novamente, Sergio Corbucci na direção em mais uma fita que se tornou obra-prima italiana: com trilha de Ennio Morricone, Jack Palance como vilão e inspiração no cinema de Sergio Leone.

Outro título nacional com a palavra emblemática é “Onde começa o inferno” (1959), um clássico norte-americano dirigido por Howard Hawks. No original, é “Rio Bravo”.

John T. Chance (John Wayne) é o xerife de uma cidade pequena que tenta manter um preso dentro da cadeia, com a ajuda de dois companheiros, um bêbado e um idoso aleijado.

John Wayne e Dean Martin em "Onde começa o inferno". Eita! (Foto: Divulgação)

ÓDIO

O trabalho do diretor Sam Peckinpah é um divisor de águas na cinematografia do western no que se refere à violência. Antes dele, as mortes em cena eram filmadas com pouco sangue e muita “limpeza”.

É com “Meu ódio será sua herança” (1969) que o caldo engrossa. Sangue, tiros e corpos destroçados. Isso sim é um faroeste raiz!

Talvez seja por isso que, no Brasil, seu longa ganhou esse título ameaçador (e que às vezes vem com "tua"). No original, é simplesmente “The Wild Bunch” (“O grupo selvagem”). Meio sem sal, né.

Quer título melhor do que "Meu ódio será sua herança"? (Foto: Divulgação)

POESIA

A versão norte-americana do filme japonês “Os sete samurais” (1954) chegou ao Brasil com o poético título de “Sete homens e um destino” (1960). Afinal, são sete pistoleiros contratados para proteger um vilarejo, em uma verdadeira constelação de estrelas de Hollywood nos papéis principais.

Em inglês, o filme de John Sturges tem até mesmo um título bacana (“The Magnificent Seven”, ou seja, “Os sete magníficos”); mas sem a mesma poesia.

Os tais sete homens em busca de um destino (Foto: Divulgação)

DOIS NOMES

Um dos filmes mais cultuados de Sergio Leone é “Três homens em conflito” (1966). Mas espera aí, esse não é o título correto. Ou é?

Explica-se: a produção “Il Buono, il brutto, il cattivo” (nome original) foi batizada duas vezes no mercado nacional de home vídeo, a depender da distribuidora: “O Bom, o Mau e o Feio”, que é mais antigo; e “Três homens em conflito”, na cópia mais recente.

Tanto num caso quanto noutro, trata-se do mesmo longa-metragem com aquela famosa sequência final do duelo entre os personagens de Clint Eastwood (“o bom”), Lee Van Cleef (“o mau”) e Eli Wallach (“o feio”).

Você decide: "O bom, o mau e o feio" ou "Três homens em conflito" (Foto: Divulgação)

 

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