Guarapuava, 13 de dezembro de 2019
Cotidiano

Em nota encaminhada ao CORREIO, a concessionária afirmou que esses dispositivos podem criar vulnerabilidade no sistema de abastecimento, provocando riscos à saúde; legislação estadual já regulamenta o uso dos equipamentos

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Um projeto de lei em tramitação na Câmara de Vereadores de Guarapuava busca regulamentar a instalação de “eliminadores de ar” nos hidrômetros do município. A discussão da proposição, atualmente, está adiada, mas deve voltar à pauta no mês de agosto.

Ao CORREIO, o vereador Prof. Serjão (PT), autor do texto ao lado de Dognei (PDT), afirma que a medida visa beneficiar as regiões mais periféricas da “terra do lobo bravo”, como os bairros Alto Cascavel, Jardim Aeroporto e Colibri, onde ocorre falta de água com mais frequência.

Em sua argumentação, o petista afirma que quando o abastecimento nesses pontos mais altos da cidade é normalizado, a água retorna com uma grande quantidade de ar, que acaba sendo contabilizado pelo hidrômetro.

Entretanto, em uma nota encaminhada à reportagem, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) ressalta que a empresa instala ventosas na rede de distribuição em pontos onde a intermitência ou a interrupção no abastecimento é maior. A função desse dispositivo é justamente eliminar o ar antes que ele chega à casa dos clientes.

“Em testes realizados, tanto laboratoriais quanto em situações reais, a quantidade de ar que passou pelo hidrômetro foi tão pequena que não chegou a representar diferenças significativas para o consumo”, aponta o texto.

Além disso, a concessionária alerta que a instalação indevida dos “eliminadores de ar” pode causar riscos à saúde, já que deixa o sistema de abastecimento vulnerável.

“Além de infringir a legislação, pode causar grave risco à saúde pública, prejudicando a qualidade da água ao oportunizar a contaminação pelo manuseio inapropriado das instalações”, diz na nota.

Em contrapartida, Serjão afirma que, baseado em registros de outros municípios, a economia pode chegar a 30% nas regiões mais afetadas. “Em uma casa que consome R$ 100 por mês, pela média estaria pagando R$ 30 de ar”, observa, ressaltando que o “custo do ar” também pode incidir sobre a taxa de esgoto e lixo, onerando a população.

LEI ESTADUAL

A nível estadual, a instalação desses equipamentos é abordada na lei estadual 13.962/2002, que foi regulamentada pelo decreto estadual 953/2007.

Dessa forma, a legislação aponta que somente a concessionária pode realizar a instalação dos dispositivos, que deve ocorrer sempre na distribuição global, “ficando vedada qualquer instalação deste aparelho na ligação e na instalação predial de água, formadas pelo ramal predial, cavalete, hidrômetro e demais conexões e tubulações localizadas no imóvel dos usuários”.

Acompanhando essas determinações, a empresa garantiu em nota que já atende à legislação existente sobre o assunto, “instalando dentro de critérios e normas técnicas as ventosas nas redes de distribuição global de água”.

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