Guarapuava, 22 de setembro de 2019
Economia

Ao CORREIO, Alex Menezes, delegado regional do Sindicato dos Trabalhadores em Correios do Paraná (Sintcom-PR), afirma que os cortes em benefícios da categoria podem reduzir em até 30% o salário dos trabalhadores

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A precarização das condições de trabalho dos funcionários dos Correios, além da indicação de que a empresa pode ser privatizada, levaram a categoria a deflagrar uma greve por tempo indeterminado a partir desta quarta-feira (11).

Em Guarapuava, a reunião dos funcionários paralisados ocorre em frente ao Centro de Distribuição Domiciliária (CDD) na rua XV de Novembro. Números parciais apontam que a adesão chega a 70% na cidade, mas praticamente todo o operacional está parado.

Em entrevista exclusiva à reportagem, Alex Menezes, delegado regional do Sindicato dos Trabalhadores em Correios do Paraná (Sintcom-PR), explica que a categoria foi forçada a entrar em greve devido às “políticas violentas da empresa”, que propõe cortes de benefícios dos servidores.

“Em momento algum nós reivindicamos aumento salarial. Inclusive, nós nos comprometemos a perder parte da inflação, dado ao contexto, só que a empresa sinalizou com cortes violentos”, ressaltando que o impacto financeiro pode ser da ordem de 30%.

Esses benefícios são basicamente vale-alimentação, férias e adicionais de hora-extra, que podem ser “drasticamente reduzidos”, na visão de Menezes. “Durante dois meses, a empresa sequer compareceu às negociações”, relatou o delegado, pontuando que a categoria busca dialogar.

Além da mobilização na região central de Guarapuava, há registro de adesão integral à paralisação em Turvo e Pitanga.

Alex Menezes, delegado regional do Sintcom-PR, explica que a categoria foi forçada a entrar em greve devido às “políticas violentas da empresa” (Foto: Douglas Kuspiosz/Correio)

INTEGRAÇÃO

A privatização dos Correios é uma pauta recorrente no governo Jair Bolsonaro, que admite vender outras estatais através do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI).

Na avaliação de Alex, esse movimento de desestatização da empresa é equivocado, já que os Correios se mantêm autossuficientes e desenvolvem uma importante ação de integração.

“Nós atendemos todos os 5,5 mil municípios do Brasil, e desses apenas 324 são de interesse da iniciativa privada. Mais de 5,2 mil não contarão com esse serviço, ou pagarão tarifas mais caras com os futuros donos”, conjecturou, acrescentando que isso terá um grande impacto em cidades com menos de 50 mil habitantes, como Turvo, Pitanga e Pinhão, na região de Guarapuava.

Em Guarapuava, a reunião dos funcionários paralisados ocorre em frente ao Centro de Distribuição Domiciliária (CDD) na rua XV de Novembro (Foto: Douglas Kuspiosz/Correio)

AGÊNCIA

Conforme noticiado pelo CORREIO em junho, a agência dos Correios localizada na rua XV de Novembro, próximo à Praça Cleve, deixou de funcionar. No local, apenas o CDD está operando, com um efetivo reduzido.

Dessa forma, o quadro de funcionários foi realocado para unidades da região e para outra agência da cidade. “A população já sente que os serviços estão mais precários”, lamentou Menezes.

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