Guarapuava, 24 de junho de 2019
#curta!

Ignácio de Loyola Brandão escreve sobre o romance “1984” e relaciona alguns dos temas mais urgentes levantados no livro – repressão, manipulação de informação, vigilância do Estado – com o momento vivido no Brasil e no mundo, onde em muitos sentidos a ficção de Orwell se torna cada vez mais real

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O clássico “1984” do escritor inglês George Orwell (1903-1950) completa 70 anos em 2019. Aproveitando a data, o jornal Cândido (edição de maio) convidou Ignácio de Loyola Brandão para escrever sobre o romance.

O autor de “Zero” (1974) e recém-eleito imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) relaciona alguns dos temas mais urgentes levantados no livro “1984” – repressão, manipulação de informação, vigilância do Estado – com o momento vivido no Brasil e no mundo, onde em muitos sentidos a ficção de Orwell se torna cada vez mais real.

Nesta edição da publicação da Biblioteca Pública do Paraná (BBP), a trajetória pessoal do autor de “A revolução dos bichos” (1945) também ganha espaço. Um perfil biográfico mostra como Orwell, que morreu de tuberculose aos 46 anos e cujo nome real era Eric Arthur Blair, teve uma existência meteórica e intensa. Foi funcionário da Polícia Imperial Indiana, lavador de pratos em Paris, jornalista da BBC e soldado voluntário na Guerra Civil Espanhola (1936-1939) — na qual levou um tiro na garganta.

O Cândido também resgata um texto do escritor e jornalista Sérgio Augusto que relaciona a repressão sexual em Oceânia, o país onde se passa “1984”, com as ideias do psicanalista alemão Wilhelm Reich e seu livro “A psicologia de massas do fascismo” (1933). O texto de Augusto foi originalmente publicado em 1984 na Folha de S.Paulo e revisto pelo autor para esta edição.

OUTROS TEMAS

Na coluna Pensata, o professor de Literatura Comparada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) João Cezar de Castro Rocha discute os caminhos da crítica literária em tempos de internet e redes sociais. O escritor paranaense Domingos Pellegrini comenta a relevância de “Os sertões” (1902), clássico de Euclides da Cunha, nos dias de hoje. Outro grande escritor, o americano Kurt Vonnegut, tem sua trajetória revista em reportagem do jornalista e editor Omar Godoy.

O fotógrafo Eduardo Macarios apresenta imagens da mostra Por dentro da Biblioteca, com fotos da Biblioteca Pública do Paraná que exploram o projeto arquitetônico do interior do prédio e evidenciam o contraste entre o antigo e o moderno na instituição, que em março completou 162 anos.

Outro destaque é a transcrição do bate-papo com o escritor e jornalista Sérgio Rodrigues, que abriu a temporada 2019 do projeto Um Escritor na Biblioteca. Na conversa, o romancista fala sobre o desenvolvimento de alguns de seus livros, como “O drible” (2013) e “Elza, a garota” (reeditado em 2018), além de comentar temas como o futebol na literatura e o espaço que os autores de ficção têm hoje na cultura brasileira.

Entre os inéditos, a edição traz poemas de Rodrigo Tadeu Gonçalves, Yasmin Nigri e Marina Colasanti, que em agosto lança novo livro de poesia, além de conto de Bernardo Ajzenberg e fragmento do próximo romance de Guido Viaro, o 15º da carreira do escritor curitibano. A ilustração da capa é do artista Visca.

A PUBLICAÇÃO

O Cândido é mensal e distribuído gratuitamente na Biblioteca Pública do Paraná e em diversos pontos de cultura de Curitiba. O jornal também circula em todas as bibliotecas públicas e escolas de ensino médio do Estado. É enviado pelo correio para assinantes a diversas partes do Brasil.

Na internet, seu conteúdo pode ser lido gratuitamente (CLIQUE AQUI).

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