Guarapuava, 26 de agosto de 2019
#curta!

Resultado de um sonho familiar, a Casa Benjamin Teixeira foi criada em 2007 por Áurea Luz e Murilo Walter Teixeira, filho de Benjamin Teixeira, que acompanhou boa parte do desenvolvimento de Guarapuava durante o século passado

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Jornais, cartas e documentos… um pedaço da história da famosa “terra do lobo bravo” está guardada na Casa Benjamin Teixeira, um espaço cultural que é mantido há mais de dez anos no município.

Resultado de um sonho familiar, o local foi criado por Áurea Luz e Murilo Walter Teixeira, filho de Benjamin Teixeira, que acompanhou boa parte do desenvolvimento de Guarapuava durante o século passado.

“Benjamin nasceu em 1902, e guardou documentos desde os seus 18 anos de idade. Ele faleceu e acabou isso ficando para o seu filho. Quando nós casamos, eu disse: ‘Murilo, vamos colocar isso à disposição da comunidade’”, relata Áurea, que é escritora.

Mas, para além do próprio arquivo pessoal deixado por Benjamin, há um contínuo trabalho do casal na busca de novos documentos que possam auxiliar na construção da história do município.

“Tudo que a gente pode encontrar sobre a cidade, nós tentamos conseguir. Vamos atrás do escritor, vamos atrás da Unicentro [Universidade Estadual do Centro-Oeste]. Muita coisa antiga nós achamos nos sebos”, explica.

A Casa Benjamin Teixeira tem jornais extintos como o Diário de Guarapuava (foto) e atuais, caso deste Correio do Cidadão (Foto: Douglas Kuspiosz/Correio)

IMPRENSA

Entre os mais de 1.600 volumes arquivados para consulta no local, está um registro bastante consolidado dos veículos de comunicação que passaram por terras guarapuavanas.

Há, por exemplo, edições do jornal semanal “O Guayra”, que foi o primeiro órgão de imprensa na cidade e do impresso “A Columna”, que começou a circular em 1915; mais recentes, o impresso Diário de Guarapuava, que parou de circular em 2014, e este Correio do Cidadão dividem os arquivos da Casa Benjamin Teixeira.

Tem-se, assim, pelo menos um exemplar dos jornais que circularam na cidade, mantendo a identificação do proprietário, diretor, redator e colaboradores.

Mas, de acordo com Áurea, um dos destaques é o registro do desenvolvimento da literatura do município. Romancistas, cronistas e poetas se expressavam e tinham nesses veículos um meio de vinculação de suas produções.

“Não existiam livros publicados, então tive que buscar nos jornais”, relata a escritora, explicando que o jornal “O Trevo”, lançado em 1921, estava em consonância com as efervescências culturais da Semana de Arte Moderna, que ocorreu entre 11 e 18 de fevereiro de 1922 em São Paulo.

“Esse era um jornal literário e crítico, dedicado à mocidade guarapuavana. Trazia muita literatura, e aqui eu fui encontrando poetas e cronistas daquela época”, finaliza.

(Foto: Douglas Kuspiosz/Correio)

ESTUDO

A Casa Benjamin Teixeira (rua Cap. Virmond, 1.888) é aberta à comunidade em geral. Mas, os estudantes e pesquisadores são o público-alvo do espaço, pois é necessário manter um cuidado ao manusear alguns dos materiais.

Informações e agendamentos podem ser feitos através do telefone (42) 3623-2072.

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