Guarapuava, 20 de abril de 2019
#curta!

O historiador tomou assento na 40ª cadeira da Academia de Letras, Artes e Ciências (Alac) de Guarapuava no dia 7 de dezembro de 2018. “Qualquer pretexto é bom para nascer… o meu hoje é pertencer a esse grupo”, disse em seu discurso

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O historiador Ariel José Pires é um imortal.

Tanto nas lembranças dos muitos guarapuavanos que tiveram a oportunidade de conviver ao seu lado, quanto memória cultural da “terra do lobo bravo” ao ser empossado como membro da Academia de Letras, Artes e Ciências (Alac) no dia 7 de dezembro de 2018.

Em seu primeiro discurso como cônfrade, ele citou o momento como um pretexto bom para nascer. “O meu hoje é pertencer a esse grupo. Estou nascendo”, disse.

Natural do distrito da Palmeirinha, o imortal nasceu no dia 27 de abril de 1955, e cursou história na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Guarapuava (Fafig), onde se formou em 1985; nas próximas duas décadas viria a se tornar mestre e doutor, títulos conquistados na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Assis (SP) em trabalhos que estudaram os assentamentos de trabalhadores rurais e a constituição da luta pela terra na região de Guarapuava.

Após lecionar por 28 anos na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), Ariel assumiu o posto de presidente do Instituto Histórico de Guarapuava (IHG), fez parte de conselhos municipais e manteve um constante trabalho voluntário na área da educação.

“Em minha análise está intrínseca a vontade de marcar posição nos debates, na produção de conhecimentos e na manutenção da memória cultural, que, imagino, deva ser a principal razão da existência de uma Academia”, afirmou em seu discurso, antes de reconhecer as “tantas causas de desânimo, de dispersão e de indiferentismo” na própria Alac.

“No entanto, se esta Academia (re) florescer, e voltar a ter o mesmo ânimo que a engendrou, os nossos críticos terão razão em ver nisso um milagre; terá sido, com efeito, um extraordinário enxerto, uma verdadeira maravilha de cruzamento literário”, acrescentou.

FAMÍLIA

Ao tomar posse na companhia, Ariel lembrou o Nelson Zaires de Guiné, patrono do assento n° 40, e Ary Antônio de Oliveira, seu tio e fundador da cadeira.

(Foto: Douglas Kuspiosz/Correio)

“É uma satisfação e uma alegria muito grande não só pelo fato de assumir o lugar que era do meu tio, mas também por fazer parte de um grupo importante para a cultura guarapuavana”, disse ao CORREIO à época.

ANÁLISE

No seu primeiro discurso como imortal da Alac, o historiador apresentou uma análise do contexto político, econômico e sócio-cultural do mundo e, especialmente, do Brasil. Ele citou uma “direita ultraliberal, corruptora e corrupta, que só vê como projeto para a sociedade a mercantilização de tudo que nos pertence”, e uma “esquerda igualmente corrupta que é incompetente e demasiadamente legalista”.

“[...] o mundo que se me apresenta não é um mundo necessariamente de perpetuidade e de verossimilhança. Pelo contrário, é um mundo altamente inverossímil, já nos limites da barbárie [...] E então, o que fazer para realizar o verossímil? [...] aos homens e mulheres das letras que se prestam a formar uma Academia, não se pode pedir fé; só se deve esperar deles a boa-fé”, discursou.

LUTO

Ariel sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e foi internado no Hospital São Vicente de Paulo, em Guarapuava; devido ao seu quadro de saúde, foi transferido na última sexta-feira (5) para o Hospital Santa Cruz, em Curitiba. 

Na madrugada desta terça-feira (9) ele sofreu uma parada cardíaca e faleceu.

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