Motoristas de aplicativo farão paralisação do serviço neste sábado (27), em Guarapuava

Motoristas reclamam dos valores das corridas. Os manifestantes desligarão os aplicativos e se concentrarão no calçadão da XV de Novembro, neste sábado (27), às 8h

O uso de aplicativos para transporte de passageiros já se tornou parte da rotina do guarapuavano. O serviço, disponível em praticamente todo o Brasil, começou a funcionar na “terra do lobo bravo” em 2018.

Mas, passados cerca de três anos desse pontapé inicial, os trabalhadores têm se mostrado insatisfeitos com algumas das plataformas disponíveis. Não à toa, membros da Associação dos Motoristas de Aplicativos de Guarapuava (Amag) promoverão um protesto no calçadão da rua XV de Novembro, neste sábado (27), às 8h.

Ao CORREIO, o representante da Amag e um dos organizadores do protesto que irá acontecer neste sábado, Obadias de Souza, explica que a alta no preço dos combustíveis e a diminuição imposta pelo aplicativo no valor das corridas são empecilhos para a categoria.

Segundo ele, os motoristas não conseguem pagar o aluguel dos automóveis, devido ao baixo retorno financeiro. “Uma corrida que custava R$ 5,05, que já era barato, acaba ficando mais barato para o usuário, porém o valor do combustível não para de subir, tornando inviável fazer essas corridas”, destaca Obadias.

NÚMEROS
Recentemente, a Prefeitura de Guarapuava, através de um decreto assinado em julho de 2020, passou a credenciar os motoristas de aplicativo que atuam no município. Até o momento, há cerca de 450 trabalhadores cadastrados.

No entanto, a estimativa da Amag é que aproximadamente 1.200 motoristas trabalham com esse serviço em Guarapuava.

NOTA
Em nota emitida na noite desta sexta-feira (26 fevereiro), a Associação dos Motoristas de Aplicativo de Guarapuava (Amag) comunicou o adiamento da paralisação, que estava agendada a princípio para a manhã deste sábado (27), às 8h, na Praça Cleve. A nova data ainda não foi definida. “Porém, definimos o boicote das empresas 99 e Uber, pelas injustas taxas repassadas aos motoristas e a orientação desta Associação a seus Motoristas e que sejam atendidas apenas chamadas feitas nos Aplicativos nacionais Garupa e Log Urbano”, diz o material.

“O motivo do adiamento é o pleno respeito ao Decreto Municipal e consciência em não causar mais transmissões do Covid-19 com aglomerações dos profissionais dos aplicativos”, diz o texto da nota.

Vale lembrar que, na manhã desta sexta-feira (26), o governador do Paraná Carlos Massa Ratinho Jr. anunciou um decreto estadual que, entre outras medidas, limita a circulação de pessoas em todo o Estado, com suspensão das atividades não essenciais até 8 de março. O documento entrou em funcionamento à zero hora deste sábado (27). E, ao final da tarde de sexta, o prefeito de Guarapuava, Celso Góes, reforçou a validade das ações.

O texto ainda diz que, apesar dos motoristas de aplicativos não serão enquadrados como modalidade de transporte coletivo do mesmo modo que os taxistas, “somos de uma atividade essencial para a população dentre eles profissionais de saúde e o próprio cidadão que por vezes precisa se deslocar a estabelecimentos considerados essenciais tais como farmácias, unidades de saúde e etc., e por isso devemos permanecer trabalhando nesse tempo de dificuldades”.

“Reforçamos a todos os usuários de Aplicativos de Mobilidade Urbana que além de manterem as medidas de segurança ao chamar um veículo de aplicativo (uso de máscara e álcool em gel), tenha consciência que ao utilizar um aplicativo nacional, está colaborando com os motoristas e ao desenvolvimento do Município e mesmo do País, considerando que empresas internacionais de Aplicativos de Mobilidade Urbana em nada contribuem regionalmente”, finaliza o texto.

A nota é assinada pelo presidente da Amag, Obadias de Souza Lima Jr.

****************Reportagem: Redação e Carlitos Marinho (especial para CORREIO), com supervisão de Douglas Kuspiosz

*********************Matéria acrescida de informações às 7h50 de 27/02/2021