A energia do futuro

Nos últimos anos, o interesse pela energia fotovoltaica aumentou em Guarapuava. São casas, comércios, indústrias e propriedades rurais que adotaram esse modelo energético, e que acompanham uma tendência nacional

Andando pelas ruas de Guarapuava, cada dia torna-se mais comum notar, nos telhados ou em estruturas próprias, painéis de energia fotovoltaica. Nos últimos anos, os guarapuavanos passaram a investir nesta tecnologia, que alia sustentabilidade e inovação. 

A geração desse tipo de energia – que muitas vezes é resumida como “energia solar” – passou a ser viável no Brasil após uma primeira normatização em 2012, quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) regulamentou a utilização de créditos. Na prática, durante o dia e com o sol a pino, os painéis fotovoltaicos geram energia e enviam para a rede; depois, o usuário pode consumir esses créditos. 

Essa é a explicação dada pelo empresário Thiago Pereira, proprietário da Platus Energia Solar, empresa do ramo que atua desde 2016 em Guarapuava. À época da implantação da empresa na cidade, apenas seis geradores estavam em funcionamento; hoje, esse número é superior a mil, incluindo os segmentos residencial, comercial, empresarial e rural. 

“O residencial tem tido muito interesse. A demanda por orçamentos do ano passado para cá cresceu em mais de 100%, mesmo com a pandemia. Já em relação ao comercial, houve uma estabilização por conta dessas incertezas. Já o industrial e o rural teve muito investimento”, explica Thiago, ressaltando o bom momento da fotovoltaica. “Estamos vivendo um boom neste momento, com muitas indústrias, muitos produtores, atrás do gerador fotovoltaico”.

Um dos guarapuavanos que decidiu investir em energia solar é o empresário Fábio Peterlini, que é proprietário de um petshop na cidade e presidente do Sicredi Planalto das Águas. Ele explica que, devido ao elevado gasto energético no petshop, houve interesse na nova tecnologia. 

Na prática, apesar de ser um investimento considerável, a tendência é que ele se pague num período de quatro a cinco anos. E é possível manter o custo mensal semelhante ao já gasto na tradicional fatura de energia elétrica. 

“Tem um ano que eu instalei, e em quatro anos e meio já vai ser pago o investimento. Desde o primeiro mês, minha conta zerou”, explica Fábio, pontuando que, naturalmente, ele ainda precisava pagar os tributos. Esse tempo somado à vida útil de 25 anos dos painéis garante uma autonomia de pelo menos 20 anos de geração fotovoltaica.

“Quando a gente conversa com nossos clientes, nós sempre colocamos da seguinte forma: hoje você já paga energia, que está relativamente cara e nós temos uma situação econômica que ainda permite que você faça um financiamento que fique praticamente do mesmo valor da fatura, e você produz sua própria energia. Ou seja, o fluxo de caixa não vai mudar”, acrescenta Thiago. 

FINANCIAMENTO

De acordo com Fábio, atualmente existem linhas de financiamento específicas para a energia fotovoltaica. É um incentivo da instituição financeira – no caso do Sicredi, em que ele atua – para a aquisição dessa tecnologia, com juros mais baixos. 

“Na pessoa jurídica, você vai ter um investimento maior, mas o consumo também é maior. Se você fizer na residência, que o consumo é melhor, o investimento é menor. Mas a duração dos painéis é de 25 anos, então você tem um longo período sem pagar conta de luz depois de quitar o financiamento”, diz.

Aliado a essa vantagem, o crescimento do interesse e o avanço da tecnologia são outros dois pontos positivos da fotovoltaica.

SUSTENTABILIDADE

O proprietário da Platus também afirma que há uma preocupação com a sustentabilidade, sobretudo no atual momento. Ao passo que é necessário um grande gasto energético para a produção das placas de energia solar, são necessários quatro anos para repor essa energia. 

“Mas a vida útil é de 25 anos. Ele tem um superávit de 21 anos. E outra coisa muito bacana: 97% do painel é reciclável de uma maneira fácil”, explica. “Eu vejo que é uma vantagem muito grande. E cada vez mais a eficiência dos painéis está aumentando, então essa conta está cada vez melhor”. 

Mas, no ponto de vista do empresário, as hidrelétricas continuarão sendo a base da geração de energia do Brasil no futuro; o que poderá ocorrer é uma substituição do modelo termoelétrico para o fotovoltaico, mas com o intuito de complementar o sistema.