Trilogia oitentista ‘Karatê Kid’ está disponível na Netflix

Após o sucesso da série “Cobra Kai”, os filmes dos anos de 1980 entraram nesta segunda-feira (1º março) no catálogo da gigante do entretenimento online. É a oportunidade para conhecer a gênese da saga

Cada vez mais se tem certeza de que a Netflix é um reduto de trintões e quarentões. Seja na temática, seja no público.

Depois da febre em torno da série “Cobra Kai” (três temporadas), agora é a vez da trilogia “Karatê Kid”, sucesso dos anos de 1980, que entrou nesta segunda-feira (1º março) no catálogo da plataforma de streaming.

Só quem tem pelo menos 40 anos de idade deve se lembrar das aventuras de Daniel LaRusso, o “Daniel San”, em alguma reprise perdida da Sessão da Tarde. Graças ao protagonista de “Karatê Kid – A hora da verdade” (1984), Ralph Macchio se tornou um astro de Hollywood na década oitentista.

A exposição levou Macchio a estrelar produções bem sacadas, como é o caso de “Crossroads – A Encruzilhada” (1986). Quem poderia imaginar que ele viveria um aprendiz de bluesman, duelando e vencendo Steve Vai?!

Mas isso é papo para outro dia. O que interessa é que, no primeiro filme da franquia de artes marciais, o jovem ator dá a sua cara a tapa (literalmente falando), sendo perseguido pela turma de Johnny Lawrence (William Zabka) o filme todo. Até que Daniel encontra o Sr. Miyagi (Pat Morita), um velho mestre que lhe ensina os segredos do “karatê do bem”.

Depois de se engraçar com a ex-namorada de Johnny, Ali Mills (Elisabeth Shue), e apanhar bastante, Daniel San aprende a arte milenar e participa de um campeonato de karatê. Na final, ele enfrenta Johnny, um dos alunos do Cobra Kai Dojô e do “mestre do mal” John Kreese (Martin Kove).

Para quem gostou de “Cobra Kai” (2018/2021), o filme de 1984 é um prato cheio. “Karatê Kid – A hora da verdade” apresenta todos os elementos originais que serão explorados pela série. Na verdade, esse material exclusivo da Netflix se passa 34 anos depois do torneio de caratê All Valley, quando Johnny perdeu tudo e hoje (na primeira temporada) leva uma vida de derrotado.

Enquanto o filme de John G. Avildsen põe Daniel San como vítima, a série humaniza o ex-valentão da escola.

Sr. Miyagi (Pat Morita) ensina o “karatê do bem” para o jovem Daniel San (Ralph Macchio) – Foto: Divulgação

SEQUÊNCIAS
Com o sucesso do primeiro longa-metragem, “Karatê Kid” se tornou uma franquia cinematográfica graças a duas continuações nos anos 80: “A hora da verdade continua” (1986) e “O desafio final” (1989).

Do elenco original, foram mantidos os atores que fazem Daniel LaRusso e Sr. Miyagi. Portanto, os personagens Johnny Lawrence e Ali Mills ficaram somente na lembrança. No segundo filme, com John G. Avildsen novamente na direção, Daniel San viaja rumo ao Japão juntamente com seu mestre. Lá ele se envolve com um antigo inimigo de seu querido mentor, que tentará se vingar dele mais uma vez. Daniel encontra um novo amor no Oriente, mas também faz alguns rivais.

E, no terceiro longa, também com Avildsen atrás das câmeras, LaRusso é desafiado por um lutador de karatê que quer também destruir seu mestre, Miyagi. Inicialmente ele reluta em aceitar o desafio, mas termina sendo obrigado. A ação se passa em Los Angeles, com a volta de John Kreese (ausente do segundo filme) no comando das maquinações do mal.

É nítido que a série perde seu gás nessas continuações. Ainda mais com um Ralph Macchio mais velho e fora de ritmo.

No segundo filme da franquia cinematográfica, Daniel San luta no Japão (Foto: Divulgação)

SEM DANIEL
Por incrível que pareça, a franquia ganhou sobrevida, com “Karatê Kid 4 – A Nova Aventura” (1995), filme horroroso que tem direção de Christopher Cain. Desta vez, o Sr. Miyagi treina uma menina, Julie (Hilary Swank, ainda desconhecida e longe de se consagrar com “Meninos não choram”, de 1999). Nem sinal de Daniel San.

Essa produção não está no catálogo da Netflix (ufa!). Mas tome cuidado com “Karate Kid”, remake de 2010 com Jaden Smith (filho do astro Will Smith) no papel do jovem aprendiz e Jackie Chan na pele do mestre. Tem mais cara de reboot e busca representatividade; mas é um longa-metragem descartável. Sem contar que o kung fu toma lugar do karatê. Vai entender…

Fora do catálogo da Netflix, quarta aventura no cinema apresenta uma jovem Hilary Swank no papel da aprendiz (Foto: Divulgação)

**************Reportagem: Cris Nascimento, especial para CORREIO