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Quadrinistas paranaenses trilham caminho próprio em releitura da Turma da Mônica

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Formando um casal talentoso e querido do quadrinho nacional, os paranaenses Phellip Willian e Melissa Garabeli estão à frente do volume “Turma da Mônica – Recomeços”, recém-lançado pelo selo Graphic MSP da MSP Estúdios, via editora Panini Comics. A proposta da série é reimaginar os personagens clássicos do escritor e ilustrador Mauricio de Sousa.

O desafio é ainda maior porque Phe e Mel, como são conhecidos carinhosamente no meio, trabalharam em um título que se tornou um clássico da Graphic MSP graças à trilogia dos irmãos mineiros Vitor e Lu Cafaggi (“Laços”, “Lições” e “Lembranças”), publicada anos atrás.

Em conversa com a reportagem, durante a passagem na 13ª Festa Literária Internacional de Maringá (Flim), o casal ponta-grossense comentou que foi um tanto assustador esse desafio de reiniciar a Turma da Mônica para o selo. A responsabilidade era grande e exigiu um tempo para que Phe e Mel pudessem aceitar o trabalho. “Somos muito fãs do trabalho dos dois [irmãos Cafaggi]. Eles influenciaram muito do que a gente faz, a maneira de contar histórias. Os desenhos deles são lindos. Foi uma honra”, resumiu Phe, que fez o roteiro de “Recomeços”.

Aliás, essa 50ª Graphic MSP tem seu próprio caminho nas mãos do jovem casal paranaense. Um “monstro” está assustando o Limoeiro. Por isso, a Turminha se reúne para capturá-lo, mas nem imagina como isso abalará as estruturas da amizade que os une. Então, (re)começar vai ser preciso.

Segundo Phe, o primeiro passo de produção foi o debate da história, pensando a dois o conceito, temas e abordagens. Como, por exemplo, inserir a personagem Milena na Turminha. “Esses aspectos foram debatidos muito entre nós dois, antes de eu escrever o roteiro. Enquanto ela [Mel] estava estudando o concept visual das personagens, eu estava pensando em cenas e momentos, estrutura da história, até escrever o roteiro. Mas eu sempre apresentava as minhas ideias antes de escrever o texto”, explica o roteirista.

Depois de aprovado o roteiro pelo editor Sidney Gusman, o Sidão, a desenhista Mel começou a fazer o estudo das páginas, com esboços no caderno. É uma etapa mais para ver como será a divisão dos quadros e se haverá necessidade de alterar o roteiro para melhorar a visualização dos balões. “É uma parte mais crua, digamos assim”, diz a artista, explicando que tem um segundo esboço, no digital, com as páginas manuais e uso de um programa no iPad. Após aprovada essa fase, ela imprime esse material para passar na folha de aquarela. Depois, vem a pintura, que será escaneada para a edição. Em seguida, os balões feitos por Deyvison Manes – ainda tem o trabalho de Guilherme Match no lettering dos logos. Finalmente, a gráfica.

EDITOR
Figura central para o sucesso das Graphic MSP, além, claro dos artistas a cada edição, o editor Sidão é muito conhecido no quadrinho nacional. Ele é jornalista especializado no setor e trabalhou durante anos na MSP Estúdios. Hoje ele continua a editar esse selo de releituras.

“O Sidão é um paizão para quem faz as Graphic. Ele é muito atencioso, muito querido. Para nós, foi como trabalhar com um amigo. É uma pessoa que está ali, do nosso lado, incentivando, sendo também uma ponte com a MSP [Mauricio de Sousa Produções]”, avalia Mel.

Além disso, conforme Phe, o Sidão entende muito de quadrinhos e da Turma da Mônica especialmente. “Ele sabe o que funciona e o que não funciona. O que seria contraditório para esse universo”, explica o roteirista, destacando que o editor indicou os melhores caminhos na produção de “Turma da Mônica – Recomeços”.

Capa da edição publicada pela Panini Comics (Foto: Reprodução)

PRODUÇÃO
Finalista do Jabuti 2019 e do Prêmio Eisner 2024 (com a edição norte-americana da Oni Press), “Saudade” é uma HQ que tornou o casal paranaense muito conhecido, ainda mais com o sucesso de vendas. Esse material foi o carro-chefe da dupla naquele período.

Hoje eles estão mais diversificados, com muitos livros infantis produzidos com as editoras Thomas Nelson Brasil e HarperCollins Brasil, desde 2024. Por exemplo, a obra “O urso e o eco” já vendeu mais de 20 mil exemplares, em vários mercados diferentes. Além dos trabalhos focados em escolas, com distribuição dirigida. “A gente acaba tendo uma diversidade maior de campo de atuação recentemente”, diz Phellip Willian, explicando que as históricas são pensadas e criadas para contextos e cidades diferentes.

No último ano, a produção de “Turma da Mônica – Recomeços” tomou bastante tempo de Melissa Garabeli, por conta do trabalho artístico em cima dessa HQ.

INTERIOR
Naturais de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, Phe e Mel vivem em sua cidade natal. Na avaliação de Mel, morar e trabalhar no Interior do Paraná é um fator que pode limitar a carreira, mas hoje está melhor. “Como a gente tem um destaque um pouco maior, as pessoas nos conhecem pelas redes sociais, pelo nosso nome, que já é mais conhecido”, explicando que quem mora no Rio de Janeiro, São Paulo ou Belo Horizonte tem mais visibilidade no meio quadrinístico, pois são polos.

Para Phe, eles sempre tiveram consciência de que o processo seria mais demorado, por morarem no Interior e também pelo fato de o Paraná não ter um mercado forte nesse setor. “Por outro lado, temos uma vida mais simples. Se a gente morasse nesses grandes centros, talvez a gente não conseguisse viver dos livros, que é um desafio no Brasil hoje”, acrescentando que ambos estão estabelecidos com sua produção editorial.

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