Por que as obras de George Orwell continuam atuais?

A verdade é que o autor conseguiu captar as nuances políticas do período em que vivia e imprimi-las nas páginas de seus livros mais famosos

Quando Donald Trump assumiu a Presidência dos Estados Unidos, em 2017, a Amazon americana registrou um disparo nas vendas do romance “1984”, de George Orwell. No Brasil, coincidindo com a ascensão de Jair Bolsonaro à presidência do país e com o tom assumido por seu governo durante a pandemia, em 2020, a obra passou semanas nas listas de mais vendidos junto com “Fazenda dos animais”, fábula publicada por Orwell em 1945 e que satiriza o stalinismo.

Muitos conseguem revisitar o passado ou imaginar como serão os próximos passos da humanidade, mas, para entender as movimentações do presente, distanciando-se de partidarismos, e projetá-las ao futuro, são necessárias consciência e percepção extremas.

Mesmo “Fazenda dos animais” sendo a alegoria política mais famosa do século 20, muitas vezes sua leitura é feita de maneira esvaziada e rasa, o que foi a principal ferramenta empregada na batalha ideológica pelo legado da obra e possibilitou que fosse usada como arma de propaganda anticomunista, como destaca Rita von Hunty no prefácio da edição do clássico publicada em janeiro de 2022 pela Tordesilhas Livros.

Com tradução de Fernanda Cosenza, a obra possui um projeto gráfico que também convida o leitor a se atentar aos detalhes. O designer Andy Gregg assina a arte do box personalizado, seguindo o mesmo conceito usado em “1984”, publicado pela editora em março de 2021, e ainda escreve uma nota sobre o processo de criação, revelando detalhes e elementos que compõem a arte e fazem referência à história.

(Foto: Assessoria)

ENREDO
Quando o sr. Jones, da Fazenda Palacete, sofre um golpe articulado pelos animais e é expulso de suas terras, o futuro pós-rebelião parece promissor e igualitário para porcos, cachorros, cavalos, ovelhas, vacas e galinhas. Mas os porcos Napoleão e Bola de Neve estão dispostos a aproveitar o vácuo de poder e assumir a liderança da fazenda. Aos poucos, a briga pelo controle começa a levantar a questão: o que, afinal, diferencia animais de humanos?

BIOGRAFIA
Colocando uma lente contemporânea sobre a vida e a obra do autor, a Tordesilhas Livros também possui em seu catálogo a biografia “Orwell: um homem do nosso tempo”, escrita por Richard Bradford. A obra recupera as histórias de vida e o trabalho do autor como uma forma de iluminar o presente.

A verdade é que George Orwell conseguiu captar as nuances políticas do período em que vivia e imprimi-las nas páginas de seus livros mais famosos. Mais do que isso, a reflexão que ele fez sobre a natureza e as facetas do totalitarismo é tão densa e profunda que se tornou atemporal: enquanto Orwell criticava seus contemporâneos há mais de 75 anos, atualmente, obras como “Fazenda dos animais” fazem com que leitores de todo o mundo observem o que persiste de mais sombrio na sociedade.

(Foto: Reprodução)

AUTOR
George Orwell (1903–1950) é o pseudônimo de Eric Arthur Blair, romancista, ensaísta e jornalista inglês. Nascido em 1903 na cidade de Motihari e filho de um oficial britânico, estudou no prestigiado colégio de elite Eton, onde foi aluno de Aldous Huxley. Em 1922, ingressou na Força Policial Imperial Indiana, na Birmânia, experiência que resultaria em seu primeiro romance, “Dias na Birmânia” (1934). Depois de seu regresso à Europa, participou como combatente na Guerra Civil Espanhola, além de ter contribuído como editor literário e articulista de importantes jornais.