O homem que dança

Lançado em 1997, “The Impression That I Get” é um single alto astral da banda norte-americana The Mighty Mighty Bosstones, famosa pela mistura de punk rock, hardcore e ska

Quero ser Ben Carr. Principalmente em “The Impression That I Get”.

Lançado em 1997, no álbum “Let’s Face It”, é um single alto astral da banda norte-americana The Mighty Mighty Bosstones, famosa pela mistura de punk rock, hardcore e ska. Provavelmente, “The Impression That I Get” é a sua canção mais famosa, executada até hoje em shows (pré-pandemia), baratos e afins.

Dos metais ao vocal rouco de Dicky Barrett, passando pela guitarra distorcida do refrão, essa música tem um clima dançante e empolgante. Muito de seu sucesso está relacionado também à leveza pop que a tornou radiofônica.

Mas, no meu íntimo, o sucesso de “The Impression That I Get” se deve ao dançarino Ben Carr. Ele não toca instrumento algum e nem canta na performance dessa faixa. Em uma banda de ska-punk, isso pode parecer estranho; ou melhor, em qualquer banda. Afinal, os integrantes de um conjunto musical estão ali para cantar ou tocar.

No caso do Mighty Mighty Bosstones, é o de menos. Pelo menos, nesse single em especial. No videoclipe oficial de “The Impression That I Get”, Carr põe toda a sua agilidade e destreza para dançar do início ao fim do trabalho. Em versões ao vivo, ele também se ocupa apenas em fazer aquilo em que é melhor: saltitar como se não houvesse amanhã.

O cara é a síntese da alegria e do espírito descompromissado. Ele não quer ganhar um concurso de dança ou ser escolhido para a melhor performance do ano. Pelo contrário, é pelo divertimento de dançar ao som de seus colegas de banda. Em cima do palco ou em uma narrativa de clipe, Carr encarna a energia pura, que pulsa de acordo com a sonoridade.

Quem não gostaria de ser como ele? No clássico da literatura “O apanhador no campo de centeio”, de J.D. Salinger, o personagem Holden Caulfield, um jovem problemático e rebelde, quer apenas ficar no meio de um campo, apanhando as crianças antes que elas corram em direção ao precipício. É a busca de um sentido para as coisas.

Da minha parte, quero apenas fazer como Ben Carr e ficar dançando ao som da canção “The Impression That I Get”, congelado no tempo, em um eterno momento de alegria e energia. Simplesmente, dançar. Sem me preocupar com o estilo, elegância ou correção.

É pedir muito?

SERVIÇO
Quem estiver interessado em ver Ben Carr em ação, o clipe “The Impression That I Get” está disponível no canal oficial da banda no YouTube.

Outra pedida é um show do The Mighty Mighty Bosstones, também no YouTube, com o “homem que dança” em estado puro.

Em tempo: a banda de Boston, Massachusetts, é formada nos anos de 1980. Em maio de 2021, o MMB lançou o álbum de estúdio “When God Was Great” (2020) pela gravadora Hellcat Records, de Tim Armstrong (Rancid). O disco pode ser ouvido no link: https://bosstones.ffm.to/whengodwasgreat

O álbum contém 15 faixas que surgiram inicialmente de um sentimento coletivo de perda. “Estávamos escrevendo canções levemente antes da loucura, sem nenhum tipo de linha do tempo em mente. De repente, o mundo mudou e eventos de referência em uma longa carreira que estávamos ansiosos, como tocar com o Madness no Teatro Grego, foram tirados de nós ”, explica o vocalista Dicky Barrett, ao site Epitaph.

Não quero ser John Malkovich. Quero ser Ben Carr (Foto: Divulgação)

************Texto: Cris Nascimento, especial para CORREIO