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Guarapuavano ganha espaço no mundo das artes

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Jhon Voese (30 anos), nascido e criado em Guarapuava, é hoje um dos curadores de uma exposição no Museu Oscar Niemeyer (MON), o “Museu do Olho”, em Curitiba.

Tendo ficado longe de sua cidade natal entre os anos de 2004 e 2005, morando no Rio Grande do Sul, Jhon sentiu o interesse pela arte depois que retornou a Guarapuava, em 2006.

Por sempre passar um tempo com os estudantes do curso de Arte Educação, o rapaz um dia viajou junto com os jovens para visitar alguns museus. Mas, de acordo com Jhon, a viagem serviu de inspiração e traz lembranças até hoje.

Há dez anos, o hoje produtor cultural pelo MON e curador independente viajava com o grupo de amigos para uma visita à Bienal de São Paulo e ao MON. Em um dos encontros, o jovem guardou o nome do curador da exposição a qual havia comtemplado. Então, algo interessante aconteceu. Hoje, dez anos depois do ocorrido, Jhon é colega de profissão de Agnaldo Farias, o curador da exposição que havia admirado anos atrás.

Um curador em um museu é o profissional responsável pela pesquisa, montagem e supervisão de uma exposição. Tendo um trabalho muito significativo e de relevância, desde quando uma mostra de arte começa a ser pensada, até a sua abertura ao público.

Porém, até isso acontecer o rapaz precisou percorrer alguns caminhos. Jhon cresceu no bairro Primavera, junto aos pais, no período em que os dois residiam na mesma cidade, e com os irmãos. Ao falar da família, ele relata sobre a importância que a mãe teve durante o seu crescimento, “ela merece todo o agradecimento do mundo”, afirma o produtor cultural.

Depois de concluir a graduação em história, Jhon iniciou um estágio no MON, no ano de 2015, onde tinha o papel de auxiliar os visitantes do Museu, realizando os trajetos pelas mostras. Além disso, durante aqueles anos de estágio, o ainda aspirante a curador precisou se dedicar aos estudos das exposições itinerantes que chegavam ao local.

O guarapuavano só veio a conhecer pessoalmente Agnaldo Farias no fim de 2016, visto que o mesmo havia passado a ser curador no museu onde o jovem trabalhava. Naquele período, Jhon passou do setor de ação educativa para produção cultural, desenvolvendo cada vez mais suas habilidades na área profissional.

Dentro de um museu, o setor de produção cultural é o responsável por organizar e coordenar as produções, tanto em exposições internas e externas. Por meio desse contato com o curador Agnaldo Farias, Jhon começou a ter mais interesse sobre a profissão, passando a estudar de forma mais concentrada a história da arte.

Com a iniciativa de ingressar novamente nos estudos, Jhon montou um projeto de pesquisa em arte e conseguiu começar um mestrado na área desejada, compondo a primeira turma do Mestrado em Artes em Curitiba, o qual completou dois anos de estudo neste ano de 2020.

O estudante relata que neste período de retorno aos estudos, “todo o apoio do MON foi muito importante, tanto para me manter no quadro de funcionários enquanto estou fazendo o mestrado, assim como todo apoio que me deram quando contei que seria co-curador da exposição da Vera”, afirma.

ENTENDA
Uma exposição começa com um conceito curatorial, algo que é definido quando um curador, ou mais, fazem uma pesquisa sobre um tema, ou um conceito. A partir desse conceito já definido, o profissional deve realizar uma seleção de obras de arte e somente depois de todo o mapeamento é que a exposição pode começar a ser pensada e criada.

O tempo de construção de uma exposição varia. Jhon Voese salienta que tudo depende da intenção da mostra. Com relação a isso, o processo também pode sofrer interferência por conta do processo de trabalho de cada um dos profissionais envolvidos, que necessitam produzir com esforço e concentração.

Uma mostra pode englobar um ou mais curadores, junto a uma pessoa que deve supervisionar e gerenciar o projeto, que pode ser ocupado pelo cargo de produtor cultural. Este deve localizar as obras, lidar com os termos burocráticos e contratuais, além de coordenar a montagem da exposição. Para o pessoal do design, o trabalho a ser feito envolve a identidade visual da exposição, folders e imagens para as redes sociais. Aliado a isso, há também o setor da comunicação, iluminação, segurança, limpeza.

Outro ponto importante a ser relatado, e que é primordial dentro de uma mostra, é a escrita do projeto. Normalmente idealizado por um produtor cultural, este documento descreve e especifica todos os processos e pessoas envolvidas para que a exposição possa ficar pronta.

Na mostra em que está trabalhando, “A Violência sob a delicadeza”, da artista visual Vera Martins, Jhon afirma que assumiu uma dupla função, ocupando cargo como produtor cultural e atuando como curador, com Agnaldo Farias, de forma independente.

MOSTRA
A mostra “Violência sob a delicadeza”, da artista Vera Martins, traz obras bastante sensíveis. Porém, de acordo com Jhon Voese, mesmo com os conceitos trabalhados pela artista, as peças de arte chamam a atenção para a pintura.

Com início no dia 31 de outubro, a exposição deve ficar aberta por cerca de três meses, ainda sem data de término definida. A mostra é formada por obras finalizadas antes da pandemia, mas para o curador “Elas tratam de temas que estão muito latentes, como a questão da vida e da morte, do isolamento, liberdade…”, pois, segundo ele, “uma exposição vai falar sobre o tempo, assim como vai ajudar a construí-lo”.

Os interessados em visitar a exposição podem comparecer no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, entre terça-feira e domingo, na sala 2. Os ingressos estão no valor de R$ 20 e R$ 10.

Mais sobre a mostra você encontra AQUI.

*********Texto e reportagem: Samilli Penteado, especial para CORREIO

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