Escritor lança três livros em 45 dias

No início de janeiro, por exemplo, foi lançada a edição revista e ampliada de “Estrada de Papel” (2017), centésimo livro de sua carreira, escrito com sua mulher psicóloga Jeanine Wandratsch Adami

O escritor Saulo Adami começou 2022 com dois livros reeditados e um inédito, publicados pela editora Estrada de Papel, de Curitiba.

No início de janeiro, foi lançada a edição revista e ampliada de “Estrada de Papel” (2017), centésimo livro de sua carreira, escrito com sua mulher psicóloga Jeanine Wandratsch Adami. Estão a caminho da gráfica: “Cicatrizes” (1982), de poesia, conto e crônica, terceira edição do primeiro de seus 140 livros, lançado quando o autor tinha 17 anos e vivia em Santa Catarina; e o inédito “Camicleta – Manual dos Proprietários”, retrospectiva da série de TV brasileira “Shazan – Xerife & Cia.” (1972-1974), estrelada por Paulo José e Flávio Migliaccio, segunda publicação do autor sobre o tema.

Metade dos 140 livros que Saulo Adami publicou como autor, até dezembro do ano passado, foi escrita no Paraná e publicada por editoras paranaenses: DTX, Ataîru e Estrada de Papel, de Curitiba; e Estronho, de São José dos Pinhais. Com Jeanine W. Adami, ele criou o próprio selo editorial em 2019 – Estrada de Papel, que lançou até agora 18 títulos, inclusive de autores do Paraná, e foi tema do documentário biográfico da Griô Filmes, de Santa Catarina, estado no qual o escritor viveu até 2011.

No ano passado, Adami concorreu a uma vaga na Academia Paranaense de Letras e passou a ser representado pela empresa O Agente Literário, de Minas Gerais, de Marcelo Pereira Rodrigues.

ESTRADA DE PAPEL
O livro “Estrada de Papel”, segundo Jeanine Wandratsch Adami, “é a celebração do talento de um autor apaixonado pelo ofício de ouvir e contar histórias”. Mais do que trechos de obras selecionadas nos mais diversos gêneros no qual o escritor publica, conta como o autor as criou, como ideias ou sugestões foram transformadas em livros, peças de teatro ou roteiros de filmes. O que permite ao leitor mais do que um encontro com um autor e sua obra, permite uma viagem ao universo ficcional e o acesso às memórias de um escritor que vive do ofício de escrever e contar histórias.

O primeiro livro de Jeanine Wandratsch Adami e Saulo Adami foi “Doutor Nica” (DOM, 2012), biografia do médico catarinense João Antonio Schaefer, que cursou medicina em Curitiba.

“O sonho dos tempos de criança se tornou realidade”, afirma Saulo Adami. “Sou o escritor que sempre o quis ser. O sonho mais recente era ter oportunidade de fazer uma revisão completa da carreira, de preferência ao lado de alguém que fosse importante para a minha vida, que se dispusesse a fazer uma longa e inspiradora viagem ao princípio de tudo, tendo como ponto de chegada o último original que escrevi, livro que editei ou roteiro que filmei”.

Saulo Adami e Jeanine Wandratsch Adami (Foto: Divulgação)

CICATRIZES
Quando foi lançada a primeira edição de “Cicatrizes” (1982), o autor já somava “alguma experiência” como escritor. “Eu vinha da prática do teatro amador iniciada em 1975”, lembra Saulo Adami na abertura da terceira edição da obra. “Escrevia, dirigia e interpretava personagens que criava em peças teatrais de curta duração ou reuniões de esquetes inspirados em atrações da TV. Tais personagens ganharam vida em montagens realizadas no Arraial dos Cunhas, meu latifúndio pessoal e comunidade do interior de Itajaí, Santa Catarina”.

“Até chegar à publicação, os poemas, contos e crônicas que escrevi entre 1978 e 1981, maturaram nas gavetas da pequena escrivaninha deste aspirante a escritor”, prossegue Adami. “Sempre que podia, revisitava seus originais, anotava coisas, cortava palavras, escrevia novos versos ou linhas… Foram meus primeiros passos rumo à prática do constante polimento de textos”.

“Cicatrizes”, além dos conteúdos originais das edições anteriores, apresenta texto de Jeanine Wandratsch Adami sobre a produção do autor nas áreas de poesia, conto e crônica. Quatro poemas que, embora tenham sido escritos na época, não constaram das versões anteriores, foram recuperados para esta.

(Foto: Divulgação)

CAMICLETA – MANUAL DOS PROPRIETÁRIOS
Em 21 de fevereiro será lançado “Camicleta – Manual dos Proprietários”, de Saulo Adami, sobre as aventuras dos mecânicos inventores criados pelo dramaturgo Walther Negrão para a telenovela “O Primeiro Amor” (1972) e que ganharam sua própria série de TV, “Shazan-Xerife & Cia.” (1972-1974).

Shazan e Xerife fizeram 451 aparições na telinha: 226 capítulos da telenovela, 23 episódios + 199 capítulos de cinco seriados da série de TV, dois capítulos da telenovela “Era Uma Vez…” (1998) e o especial “Globo 50 Anos” (2015). Eles inventaram a Bicicleta Voadora na telenovela, construíram a Camicleta e projetaram a Cadeira de Rodas Voadora na série de TV.

“Camicleta – Manual dos Proprietários”, segundo Saulo Adami, “reúne documentos raros, entrevistas exclusivas com a atriz Lucia Alves, o roteirista Eduardo Borsato, o diretor Reynaldo Boury, o ator Claudio Ayres da Motta e o jornalista Marcelo Migliaccio, além de divertidas memórias de telespectadores e fãs”. O prefácio é do jornalista e escritor Eduardo Torelli, o posfácio da psicóloga Jeanine Wandratsch Adami, e colaborações dos artistas gráficos Clovis Paulo Stocker, Gerson Luiz Teixeira e Laudo Ferreira.

A arte da capa foi criada pelo artista gráfico inglês Pete Wallbank, o mesmo que ilustrou as capas de “Onde Ninguém Mais Esteve” (2021), organizado Adami e Eduardo Torelli, em homenagem à série de TV clássica “Jornada nas Estrelas”, e “Um Amor de Gênio” (2021), de Luciana Costa, sobre a série de TV “Jeannie é um Gênio”.

“Assim como os obstinados heróis vividos por Paulo José e Flávio Migliaccio, Adami precisou ser criativo para viabilizar este projeto”, destaca Eduardo Torelli, no prefácio. “Ele não encontrou, ao longo da feitura do livro, auxílio institucional para completar sua pesquisa. Teve que improvisar, apelando para colecionadores e até para os responsáveis pela série – que, felizmente, reconheceram o empenho do autor em resgatar a memória do programa e generosamente contribuíram com depoimentos. Exercitando-se em seu hobby favorito – a arqueologia cultural –, o autor reconstruiu a cronologia do programa da melhor forma que pode. E deve se orgulhar de seus esforços, pois não existe relato mais pormenorizado e assertivo sobre este clássico da cultura pop brasileira”.

Quarta capa do livro “Camicleta – Manual dos Proprietários” (Foto: Ítalo Sani)