Editoras independentes no Brasil têm catálogo diversificado de quadrinhos

0 498

Fumetti, gibi, banda desenhada (BD), historietas… há várias formas de chamar os quadrinhos, variando conforme a nação. O universo da Nona Arte não se limita somente a Marvel, DC, enfim, os comics dos Estados Unidos.

Existe um leque considerável na produção feita em países da Europa e da América Latina. Ultimamente, as editoras independentes brasileiras têm conseguido trazer esse material diversificado para lançamentos em português. Além, claro, do produto nacional.

Uma delas é a Faria e Silva (https://fariaesilva.com.br/hqueria/), criada em 2020 por Rodrigo Faria e Silva, ex-diretor da Editora Sesi SP. A nova casa já lançou obras de autores como o brasileiro Eloar Guazzelli (“Porto Alegre”) e o belga Zidrou (“Naturezas mortas”).

Ao final de 2021, a Faria e Silva lançou “A mundana”, mais uma parceria de Zidrou e Jordi Lefebre. É uma novela gráfica ambientada na Paris dos anos 1940 durante a ocupação nazista. Numa delegacia de polícia assistimos a vida comum dos crimes e pecados que, sob bombardeios e opressão política, insistem em continuar acontecendo na cidade Luz.

Publicação da Faria e Silva (Imagem: Reprodução)

Outra editora nova no mercado é a Brasa (www.brasaeditora.com.br/), cujo debute se deu com um autor nacional. Trata-se de Gidalti Jr., que ganhou projeção com a premiada HQ “Castanha do Pará” (Jabuti de 2017). Agora, ele veio com “Brega Story” em 2021. É um quadrinho ambientado nos bastidores do universo da cena da música brega de Belém do Pará.

Ao longo de 320 páginas, acompanha a trajetória de Wanderson Jr., músico que, embora carregue o título de Rei do Brega, tem que se virar para manter a coroa. Ele quer fama a todo custo, não importa quem esteja em sua frente. Além de lutar para adaptar-se às mudanças trazidas pelo tempo, ele tem que negociar com os políticos regionais, com DJs de aparelhagens e com outros músicos para levar adiante seu grande plano de ser uma grande estrela nacional e, quem sabe, internacional.

A Brasa também publicou “Lovistori”, gibi produzido por Lobo (roteiro) e Alcimar Frazão (desenhos). Tem sido sucesso de crítica na mídia especializada em quadrinhos.

FIGURA
Dedicada à imagem, a Figura (www.figuraeditora.com/perramus) formou ao longo dos últimos anos um acervo de respeito, com grandes autores europeus e latino-americanos: Alberto Breccia, Juan Sasturain, Enrique Sánchez Abulí, Jordi Bernet, Sergio Toppi, Ernesto Sabato, Héctor Oesterheld, Hugo Pratt, Flavio Colin.

O lançamento mais recente é “Perramus”, de dezembro de 2021. Atormentado pela culpa de abandonar à morte os seus companheiros de luta contra a ditadura d’os marechais, um homem só quer o esquecimento. E nessa mesma noite trágica, em um bordel chamado “O Aleph”, ele tem seu desejo realizado. Agora, sem nome ou passado e condenado a ser o que faz, ele adotará a marca do casaco que veste como sua nova identidade: Perramus, e num golpe do destino, voltará à luta contra o regime opressor. Acompanhe sua jornada – ao lado de seus companheiros canelones e o inimigo, guiados por ninguém menos que o escritor Jorge Luis Borges – nessa intrincada trama concebida pelo premiado escritor Juan Sasturain e o grande mestre dos quadrinhos Alberto Breccia.

Tendo como sócios o escritor Ferréz (autor de “Capão pecado”) e o youtuber Thiago Ferreira, a Comix Zone (www.instagram.com/canalcomixzone/), que é derivada de um canal no YouTube, vem despertando grande interesse dos leitores. A novidade em 2022 é “Cidade”, graphic novel de ficção científica escrita por Ricardo Barreiro e desenhada por Juan Giménez, ambos argentinos.

Sinopse: certa noite, voltando para casa depois de mais uma discussão com sua namorada, Jean se encontra em uma área desconhecida do seu bairro. As ruas estão desertas e a paisagem, totalmente devastada. Não tardará a perceber que se encontra em um lugar que nada tem a ver com a sua cidade. Ele acabou em uma monstruosa metrópole habitada por “náufragos”, homens e mulheres que se perderam em algum lugar do mundo e reapareceram nesse labirinto urbano sem nome, sem lógica e sem regras.

Página de “Cidade”, graphic novel em fase de pré-venda (Imagem: Divulgação)
Deixe uma resposta