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Conheça ‘Cidadão Kane’, filme interligado a ‘Mank’ da Netflix

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Prestes a estrear na Netflix (e já em cartaz no circuito paulistano de cinemas), “Mank” (2020) remexe no vespeiro em torno de “Cidadão Kane” (1941), o clássico dos clássicos no cinema ocidental.

Com direção de David Fincher, “Mank” acompanha a disputa entre o roteirista Herman J. Mankiewicz, responsável por “Cidadão Kane” e o diretor do clássico, Orson Welles, sobre a autoria do enredo.

Não é de hoje que se contesta a verdadeira assinatura dessa obra-prima lançada nos anos de 1940 e até hoje cultuada entre os cinéfilos. Para muita gente, Welles (o diretor) é o responsável pelas inovações e originalidade da narrativa do filme; mas, para outros, Mankiewicz (o roteirista) seria de fato o grande autor intelectual.

A estreia de “Mank”, programada para sexta-feira (4 dezembro) na plataforma de streaming, promete jogar mais lenha na fogueira. Ou melhor, iluminar a figura do roteirista.

O momento também é propício para voltar a “Cidadão Kane”, um divisor de águas na história do cinema ocidental. Por meio da trajetória de ascensão e queda de um magnata da imprensa, Charles Foster Kane (vivido por Welles), o longa questiona o sentido da vida, digamos assim. Em resumo, uma produção sobre a busca da felicidade e a perda da identidade. “Rosebud” é a palavra-chave.

Para contar essa fábula, a narrativa se vale de enquadramentos, fotografia (preto e branco em alto contraste) e sequências incomuns para a sua época. É um modernismo cinematográfico com alto grau de simbolismo e inovação. Em votação realizada em 1998 pelo American Film Institute, “Cidadão Kane” foi escolhido o melhor filme de todos os tempos.

Ao mesmo tempo que fez a fama do jovem Welles (tinha apenas 25 anos), foi a sua ruína. Nos anos seguintes, todos esperavam que ele fizesse um novo “Cidadão Kane” em termos de originalidade e impacto. No entanto, o cineasta seguiu por outros caminhos, deixando muitos trabalhos ótimos e outros incompletos.

“Mank” acompanha a disputa entre o roteirista Herman J. Mankiewicz (vivido por Gary Oldman) e o diretor Orson Welles (Foto: Divulgação)

MAIOR
Em 1º de maio de 1991, reportagem publicada no jornal O Estado de S.Paulo destacava que “Cidade Kane” era a maior obra da história do cinema. Nessa época, o longa completava exatas cinco décadas de seu lançamento (1º de maio de 1941) e reestreava em Nova York.

Mas o repórter Vincent Canby (em matéria do The New York Times que foi traduzida e veiculada no Estadão) recorda que, antes da consagração, a fita de Welles foi considerada um lixo por alguns e William Randolph Hearst (barão da imprensa que inspirou o personagem Kane) queria destruí-la. Sem contar que, no projeto inicial, era para ter se chamado “John Citizen, U.S.A.”.

Para Canby, Welles e seus principais colaboradores – Mankiewicz, Gregg Toland (cameraman), Bernard Herrmann (compositor), Robson e Robert Wise (editores) – estavam aprendendo uma arte durante a produção do filme. Parecia que a tinham inventado. “Mas não a inventaram. De um modo geral, reajustaram as convenções”.

Por exemplo, essa equipe pôs a câmera onde ela não deveria estar, frequentemente no chão, para focalizar Kane.

AVALIAÇÃO
O jornal O Globo de 1º de maio de 1991 também comemorou os 50 anos de lançamento de “Cidade Kane” com matéria especial no Segundo Caderno. Mas o foco foi na avaliação de cineastas entrevistados pelo repórter Rogério Durst, casos de Júlio Bressane, Eduardo Escorel e Tizuka Yamasaki.

Um dos aspectos apontados é o rol de invenções apresentadas nesse filme clássico: história acronológica, movimentos de câmera inesperados e montagem rimada. Mas tudo feito com a impressionante equipe técnica de Welles.

Reprodução de parte da matéria do jornal O Estado de S.Paulo sobre os 50 anos de “Cidadão Kane”, em 1991

SERVIÇO
“Mank” estreia na sexta-feira (4), mas apenas para assinantes da plataforma Netflix. Por sua vez, “Cidadão Kane” está disponível no serviço Looke (mediante aluguel online).

*********************Texto/pesquisa: Cris Nascimento, especial para CORREIO

***********Abaixo, trailer do filme de Orson Welles

**************Abaixo, trailer do filme de David Fincher

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