Unicentro é contemplada com mais de R$ 4 milhões para projetos em energias renováveis
A Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) foi contemplada no edital de Desenvolvimento Institucional em Energias Renováveis em Instituições Públicas de Ensino Superior e Técnico (IPES) 2025, iniciativa do programa Itaipu Mais que Energia. O anúncio dos recursos e a assinatura dos Planos de Ação ocorreram na noite desta quinta-feira (21), durante cerimônia realizada no Teatro da Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Com mais de R$ 4 milhões em recursos, a Unicentro vai investir na implantação de uma fazenda solar no câmpus Cedeteg e no fortalecimento das pesquisas em bioenergia e hidrogênio verde.
Para o vice-reitor da Unicentro, professor Ademir Juracy Fanfa Ribas, a contemplação no edital representa uma oportunidade de fortalecer o papel da universidade como agente de transformação regional. “A universidade precisa estar atenta e participar das ações que impulsionam a sociedade. Somos uma instituição pública, com ensino gratuito e de qualidade, e buscar recursos para ampliar nossa capacidade de atuação faz parte desse compromisso”, afirmou.
Segundo ele, investimentos como esse fortalecem o papel da universidade no desenvolvimento de soluções voltadas à sustentabilidade e à inovação, ao mesmo tempo em que ampliam a capacidade de pesquisa e formação de profissionais em áreas estratégicas para o futuro. “Estamos falando de oportunidades para reter talentos, gerar emprego, estimular novas empresas, aproximar ciência e setor produtivo e melhorar a qualidade de vida das pessoas. É um investimento que beneficia a universidade, mas também toda a sociedade”, concluiu Ademir.
FAZENDA SOLAR
A maior parte do recurso conquistado pela universidade, cerca de R$ 3,2 milhões, será destinada à implantação de uma usina fotovoltaica no câmpus Cedeteg. Segundo o diretor, professor Ricardo Yoshimitsu Miyahara, o projeto vai além da geração de energia e contempla melhorias estruturais em diferentes espaços da universidade.
A proposta prevê a instalação de uma cobertura com placas solares próxima ao espaço onde acontece a feira do câmpus. Outra parte das estruturas será instalada em solo, ao lado do Complexo Desportivo e Recreativo (CDR). Também serão contempladas a Fazenda Escola e a Clínica Escola de Medicina localizada na Cidade dos Lagos. “Além de captar energia solar, essas estruturas também vão gerar melhorias para os espaços que atendem estudantes, servidores e comunidade”, frisou o diretor.
A expectativa da equipe técnica é que, após a conclusão da implantação, a economia na conta de energia fique entre 35% e 40%, podendo alcançar índices ainda maiores. “Durante o dia, praticamente toda a demanda energética dos equipamentos será suprida pelas placas solares. Como neste momento não teremos armazenamento em baterias, o excedente não será utilizado à noite, mas o impacto econômico será muito significativo”.
Ele lembra que a universidade já vinha adotando medidas de eficiência energética, como a substituição da iluminação convencional por lâmpadas LED em projetos anteriores. “Cada etapa nos aproxima de uma universidade mais sustentável. E a economia gerada com energia poderá ser reinvestida em outras ações importantes para a instituição”, completou Miyahara.
PESQUISAS EM BIOENERGIA
O segundo projeto contemplado pela universidade recebeu cerca de R$ 1,4 milhão para fortalecimento da infraestrutura de pesquisa em energias renováveis. Os recursos serão aplicados na aquisição de equipamentos científicos especializados, entre eles um cromatógrafo gasoso, recargas de gases para sua operação, instrumentos para estudos relacionados à eletrólise voltada à produção de hidrogênio e um potenciostato. Os equipamentos ficarão alocados no Laboratório de Bioenergia, coordenado pelo professor André Gallina.
De acordo com o pesquisador, o objetivo principal é ampliar os estudos voltados ao desenvolvimento de soluções energéticas mais limpas. “Vamos trabalhar com células solares e principalmente com produção de hidrogênio verde a partir de processos de eletrólise associados ao aproveitamento de derivados da biomassa. Acreditamos que esses equipamentos vão permitir avanços importantes nas pesquisas”, apontou Gallina.