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Por que os idosos sentem mais dores no corpo durante o inverno?

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Com a chegada do frio e das baixas temperaturas, uma queixa torna-se comum em grande parte dos lares brasileiros: o aumento das dores na coluna vertebral (cervical e lombar), nos joelhos, nos quadris e nas articulações (mãos e punhos). Longe de ser apenas uma impressão popular, o fenômeno é real e tem comprovação científica.

Segundo um estudo conduzido pela Universidade de Manchester, da Inglaterra, com mais de 13 mil cidadãos britânicos, dias com alta umidade, baixa pressão atmosférica e ventos mais fortes (comuns nas frentes frias de inverno) aumentam significativamente a severidade da dor em cerca de 20% nos indivíduos com condições crônicas.

“O corpo humano passa por uma série de reações biológicas automáticas para se proteger do frio. O organismo promove a vasoconstrição periférica, que é a diminuição do calibre dos vasos sanguíneos para preservar o calor nos órgãos vitais. Isso reduz a oxigenação nos músculos e tendões, gerando rigidez e dor”, explica o médico ortopedista Benito Marcelo Ferri, professor do curso de Medicina do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR).

Além disso, o especialista aponta que o líquido sinovial, responsável por lubrificar as juntas, fica mais espesso no inverno, aumentando o atrito em articulações que já sofrem com algum desgaste prévio.

QUEM MAIS SOFRE COM AS BAIXAS TEMPERATURAS?
O impacto atinge principalmente os idosos e adultos na meia-idade. Com o envelhecimento natural do sistema musculoesquelético, há uma maior prevalência de doenças degenerativas crônicas, como a osteoartrite (artrose), tendinopatias e discopatias (problemas nos discos da coluna) que se tornam sintomáticas sob o estresse do inverno.

Além disso, a população idosa apresenta menor massa muscular (sarcopenia) e uma eficiência termorreguladora reduzida, expondo mais facilmente os tecidos articulares às variações térmicas. Pacientes portadores de fibromialgia e doenças reumatológicas autoimunes (como a artrite reumatoide) também costumam enfrentar crises e agudizações mais severas nesta época do ano.

COMO PREVENIR AS DORES
Outro fator que agrava o cenário é o reflexo natural de se encolher para fugir do vento gelado, o que gera uma contratura muscular involuntária e contínua, sobrecarregando o pescoço e as costas. Contra isso, o doutor Benito recomenda uma abordagem prática no dia a dia baseada em quatro pilares:

1) Termoterapia (Cuidado com o calor): Manter o corpo devidamente aquecido com roupas térmicas é o pilar preventivo primário. O uso local de calor superficial (bolsas de água quente ou banhos aquecidos) por 15 a 20 minutos promove a vasodilatação, reduz a viscosidade sinovial e relaxa a musculatura contraída.

2) Atividade Física (Cinesioterapia): O sedentarismo sazonal piora o quadro. Praticar alongamentos suaves ao acordar, exercícios aeróbicos de baixo impacto e alongamentos dinâmicos elevam a temperatura basal do corpo, estimulam a produção do líquido sinovial e combatem a rigidez matinal.

3) Ergonomia: Evite manter posturas prolongadas de flexão ou encolhimento induzidas pelo frio durante o trabalho ou momentos de descanso.

4) Hidratação: Frequentemente esquecida nos meses frios devido à diminuição da sede, a ingestão de água desempenha um papel crucial, pois músculos desidratados têm muito mais propensão a espasmos e cãibras.

“É fundamental esclarecer que a dor recorrente ou incapacitante no inverno não deve ser naturalizada. Embora o clima atue como um gatilho, a persistência das dores pode ser o sinal de alerta de uma patologia estrutural subjacente, como uma osteoartrite em evolução ou uma hérnia discal. O diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado, associados à reabilitação física, continuam sendo as melhores estratégias”, alerta o professor.

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