Com mais de 2 milhões de pessoas idosas, o que representa 17,6% da população, o Paraná registrou ano passado 13.077 internações de idosos por quedas, com uma prevalência maior entre as mulheres, que somaram 8.021 registros contra 5.056 de homens. Os dados são do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS).
A gravidade dos acidentes se reflete no número de mortes, que aumenta progressivamente com a idade. No mesmo ano, foram 412 óbitos, sendo 226 deles na faixa etária com mais de 80 anos, que também concentra a maior taxa de quedas do último ano, chegando a representar 50% dos casos.
Embora quedas possam ocorrer em qualquer idade, seus impactos na população acima de 60 anos são desproporcionalmente graves, levando a fraturas, perda de autonomia e complicações graves.
As quedas de idosos raramente são eventos isolados, estando frequentemente associadas a um declínio funcional gradual, que inclui a perda de força muscular, alterações de equilíbrio e o uso de múltiplos medicamentos. Fatores ambientais, como tapetes soltos, iluminação inadequada e falta de barras de apoio, também desempenham um papel crucial, especialmente dentro de casa, onde a maioria dos acidentes ocorrem.
Para o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, os dados mostram que as quedas não podem ser tratadas como acidentes isolados, mas sim como um evento comum e, muitas vezes, evitável. Ele ressalta a importância de uma abordagem coletiva para o problema.
“É uma questão de saúde pública com impacto direto na qualidade de vida, na independência e na sobrecarga dos serviços de saúde. A prevenção de quedas é um cuidado coletivo que envolve toda a sociedade incluindo familiares, cuidadores, profissionais de saúde, gestores públicos e as próprias pessoas idosas. Todos têm um papel na construção de um envelhecimento mais seguro e saudável”, afirmou.
PREVENÇÃO
As estratégias de prevenção são multifatoriais e incluem desde a prática regular de exercícios físicos para fortalecimento muscular e ósseo até a revisão periódica de medicamentos. Para combater a fragilidade óssea, a recomendação é manter uma dieta rica em cálcio e a exposição solar moderada para produção de vitamina D.
Ainda sobre prevenção, o SUS disponibiliza medicamentos para tratamento da osteoporose e acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). No último ano, o Paraná registrou crescimento de 165,54% no número de pessoas idosas avaliadas pelas equipes de saúde.
Em casa, a adaptação do imóvel com a instalação de barras de apoio, a melhora da iluminação, remoção de obstáculos, tapetes e pantufas escorregadias também são recomendadas para evitar quedas.
“É uma questão de saúde pública com impacto direto na qualidade de vida, na independência e na sobrecarga dos serviços de saúde. A prevenção de quedas é um cuidado coletivo que envolve toda a sociedade incluindo familiares, cuidadores, profissionais de saúde, gestores públicos e as próprias pessoas idosas. Todos têm um papel na construção de um envelhecimento mais seguro e saudável”
OSTEOPOROSE
Um fator agravante frequentemente subdiagnosticado é a osteoporose, uma doença silenciosa que se caracteriza pela perda progressiva de massa óssea, tornando os ossos frágeis e suscetíveis a fraturas. Uma estimativa do Ministério da Saúde aponta que 50% das mulheres e 20% dos homens com 50 anos ou mais sofrerão uma fratura osteoporótica ao longo da vida. Em um idoso com osteoporose, uma queda que poderia resultar em apenas um hematoma pode levar a uma fratura grave, como a de fêmur, que tem altas taxas de mortalidade e perda de independência.