Cristina Silvestri anuncia desconto na conta de água para clínicas de diálise e criação da Frente Parlamentar da Nefrologia

A deputada estadual Cristina Silvestri (PP) anunciou, nesta segunda-feira (9), duas medidas importantes para fortalecer o atendimento a pacientes com doença renal no Paraná: a concessão de desconto de 50% na tarifa de água para clínicas de hemodiálise e a criação da Frente Parlamentar da Nefrologia na Assembleia Legislativa do Paraná.

Os anúncios foram feitos durante audiência pública alusiva ao Dia Mundial do Rim, realizada no Auditório Legislativo da Casa, com a participação de médicos especialistas, representantes de entidades da área da saúde, pacientes e profissionais que atuam no atendimento a pessoas com doenças renais.

As duas iniciativas atendem a reivindicações apresentadas pela Sociedade Paranaense de Nefrologia (SPN) à parlamentar. Durante o encontro, Cristina Silvestri apresentou o ofício da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) com a resposta ao pedido de redução da tarifa de água e o requerimento solicitando a criação da Frente Parlamentar da Nefrologia, já protocolado com o número necessário de assinaturas de deputados.

Segundo a parlamentar, a criação da Frente tem o objetivo de ampliar o debate sobre políticas públicas para a área e fortalecer o diálogo com especialistas, entidades e gestores públicos. “A Frente Parlamentar da Nefrologia será um espaço permanente de diálogo dentro da Assembleia para discutir os desafios do tratamento renal, buscar soluções e apoiar iniciativas que fortaleçam o atendimento aos pacientes. No Congresso Nacional já existe uma frente com esse propósito, e queremos seguir esse exemplo no Paraná, reunindo parlamentares e especialistas para avançar em políticas públicas que salvam vidas”.

Cristina Silvestri também destacou que as medidas são resultado da parceria construída ao longo dos últimos três anos com a Sociedade Paranaense de Nefrologia, período em que a deputada tem recebido e encaminhado demandas da área. “A doença renal é silenciosa e muitas vezes só é descoberta quando já está em estágio avançado. Como agentes políticos, temos a obrigação de discutir políticas públicas, promover informação e garantir tratamento adequado para as pessoas que dependem da saúde pública”.

Entre as conquistas já alcançadas nesse período está o cofinanciamento estadual para a diálise, em vigor desde 2025, que contribui para fortalecer o atendimento aos pacientes no estado. Outra demanda apresentada pela classe e que segue em discussão é a redução das tarifas de energia elétrica das clínicas de diálise, um dos principais custos das unidades.

Dados e desafios

Durante a audiência, especialistas apresentaram dados sobre o impacto da doença renal no Brasil e no mundo. O presidente da Sociedade Paranaense de Nefrologia, René Santos Neto, afirmou que a doença renal deve se tornar a quinta maior causa de morte no mundo até 2040 e hoje já consome cerca de 3% do orçamento global da saúde, principalmente devido às terapias tardias.

Atualmente, cerca de 8,7 mil paranaenses dependem de diálise, sendo 82% atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O estado conta com 50 centros de diálise em 30 municípios, além de 14 centros transplantadores e aproximadamente 5,5 mil pessoas na fila por um transplante de rim.

A médica nefrologista Maria Laura Neme, secretária da Sociedade Paranaense de Nefrologia, reforçou que a doença renal crônica já é considerada um problema de saúde pública mundial. Segundo ela, cerca de 850 milhões de pessoas convivem com a enfermidade no mundo. “O grande desafio é que a doença renal geralmente não apresenta sintomas. Menos de 10% das pessoas descobrem o problema a tempo. Por isso, a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais”.

O presidente da Fundação Pró-Renal, Miguel Carlos Riella, destacou o papel das instituições no apoio às políticas públicas. “As entidades ajudam a ampliar as ações do poder público, trazendo reivindicações, alertando para os problemas e colaborando nas campanhas de conscientização”.

Apesar dos desafios, o sistema de atendimento público no Paraná foi elogiado. Segundo Ricardo Akel, superintendente do Instituto do Rim do Paraná e presidente da Associação Brasileira de Centros de Diálise e Transplante no Paraná, o estado possui uma das melhores estruturas do país para terapia renal substitutiva. “O Paraná tem clínicas bem estruturadas, profissionais qualificados e equipamentos modernos capazes de garantir qualidade de vida ao paciente e prepará-lo para um possível transplante”.

O vice-presidente da Região Sul da Sociedade Brasileira de Nefrologia, Paulo Fraxino, apresentou dados sobre o impacto econômico da doença renal. Segundo ele, o atraso no diagnóstico aumenta significativamente os riscos de agravamento da doença e de complicações cardiovasculares. Fraxino destacou ainda que o tratamento em diálise pode custar de 50 a 70 vezes mais que a prevenção e que o diagnóstico precoce, aliado aos medicamentos disponíveis no SUS, pode adiar a necessidade de diálise por até 10 a 15 anos.

O presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia, José Moura Neto, participou por vídeo e reforçou a importância do debate sobre o financiamento do tratamento. “Hoje, 170 mil pacientes dependem da diálise para sobreviver. É um tratamento vital, contínuo e inadiável. Precisamos discutir o financiamento, que está muito defasado na tabela do SUS e tem sobrecarregado as clínicas”.

Participaram ainda da audiência Ricardo Benvenutti, conselheiro e coordenador da Câmara Técnica de Nefrologia do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), e a deputada estadual Marcia Huçulak, vice-presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa.