Guarapuava, 26 de agosto de 2019
Política

De volta ao cenário político da “terra do lobo bravo”, Burko afirma que perdoou todos os seus desafetos passados, e deixa aberta a possibilidade de uma candidatura à Prefeitura de Guarapuava

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Vitor Hugo Burko é um homem calejado. Além do cargo de vereador, foi duas vezes prefeito de Guarapuava e foi candidato a vice-governador na chapa de Flávio Arns, em 2006. Depois, presidiu o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e passou a se dedicar ao setor privado.

Criado em um tempo em que a cidade era conhecida como “terra de homem macho”, como ele mesmo diz, teve Fernando Ribas Carli como seu principal adversário político. “Nossa briga sempre foi muito visceral”, afirma.

Devido às brigas, Burko relembra que arrumou muitas inimizades e teve conflitos com órgãos públicos, caso do Ministério Público do Paraná (MP-PR) e o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR). “Alguns pesos que eu tive que carregar e alguns que eu carrego até hoje”, diz, ressaltando que sempre tentou tirar “o lado bom das coisas”.

Após um período fora de Guarapuava, o ex-prefeito retornou para o município, mas afirmava categoricamente que não retornaria para a política - ele é enfático ao dizer que precisou “reconstruir sua vida”.

“[Apenas] há uns dois meses atrás eu admiti a possibilidade de discutir isso [voltar ao campo político]. Não sei se serei [candidato], não vou brigar, não vou me acotovelar. Já tem gente tentando me minar, armando estratégias para segurar o ‘polaquinho’”, diz, pontuando que não está filiado a nenhum partido político no momento.

NOVOS TEMPOS

Dando seus primeiros passos na vida pública quando a política era feita de bravatas, Burko afirma que no passado a relação entre os políticos e a população era diferente. Além de a informação ficar restrita à imprensa, Guarapuava era muito belicosa.

“A Câmara era um palco de guerra permanente. Todo dia dava um embate entre os vereadores de oposição, os do governo… era um combate permanente”, relembra.

Nesse sentido, o atual cenário demanda que os agentes públicos consigam assimilar as mudanças proporcionadas pelas novas tecnologias da informação. “Não dá mais para fazer acordo de gabinete sem que a população fique sabendo”, acredita, acrescentando que não é mais possível “encabrestar” a sociedade.

Burko garante que sua principal pretensão é compreender a nova dinâmica da política, buscando entender quais são os sentimentos das pessoas e qual é o real papel da gestão pública.

Já em relação aos seus desafetos, ele diz que irá “respeitosamente responder” às críticas construtivas; às provocações, ele acionará a justiça. “Não tenho adversário nenhum, mas o sonho de servir à minha sociedade”.

[Apenas] há uns dois meses atrás eu admiti a possibilidade de discutir isso [voltar ao campo político]. Não sei se serei [candidato], não vou brigar, não vou me acotovelar. Já tem gente tentando me minar, armando estratégias para segurar o ‘polaquinho’

DEMANDAS

Em um eventual governo, Burko acredita que seria necessário planejar o desenvolvimento da cidade, atuando em áreas como a desburocratização e a modernização do serviço público. Ele enfatiza que não há “quem seja perfeito e não há quem seja totalmente imperfeito”, referindo-se às prioridades de cada mandatário.

“O [Fernando] Carli se dedicou para a parte física da cidade, fez muito asfalto. Não dá para não reconhecer. Tinha qualidades e defeitos. Eu fui um prefeito que cuidou do ser humano, montei programas sociais [...] mas minha gestão foi deficiente na área do asfalto”, ressaltando que o antipó não foi uma boa experiência com o passar do tempo.

De modo geral, ele reconhece que o município teve sorte ao longo dos anos, já que “não teve nenhum bandido nas administrações”. Diferenças administrativas e de conduta, ressalta, sempre irão ocorrer.

“Eu vou trabalhar dentro dessa nova visão. Aquele Vitor Hugo combativo, corajoso, ousado… continua existindo, mas não para combater pessoas. Vou usar minha coragem e ousadia para enfrentar as nossas carências”, diz.

Para as eleições de 2020, o ex-prefeito afirma que é possível que surjam novas lideranças na “terra do lobo bravo”, já que sua vontade não é ser candidato (Foto: Cristiano Martinez/Correio)

LIDERANÇA

Para as eleições de 2020, o ex-prefeito afirma que é possível que surjam novas lideranças na “terra do lobo bravo”, já que sua vontade não é ser candidato. Mas, se eventualmente foi eleito, será por apenas um mandato.

“Não fiz nenhum esforço para inserir nenhuma pessoa da minha família na política, nem para inventar qualquer tipo de liderança. Se eu voltar, realmente é para cumprir um papel e tentar fertilizar o solo para que novas lideranças surjam”, relata.

Em relação a isso, Burko diz que cabe aos políticos experientes despertar na juventude uma visão do que é o papel do líder dentro da malha social.

“Não quero ser lembrado na história como o prefeito que mais fez, o melhor prefeito… agora, eu queria muito ser lembrado na história como o líder que mais estimulou lideranças a cumprirem seu papel na sociedade”.

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