Guarapuava, 15 de setembro de 2019
Cotidiano

Além do encolhimento na disponibilidade de recursos para a pós-graduação, se não houver uma suplementação orçamentária no CNPq, outros pesquisadores podem ser afetados

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A situação da produção científica no Brasil não é nada boa. Além da suspensão de novas indicações de bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que foi anunciada na semana passada, a agência não terá recursos suficientes para pagar integralmente as bolsas de setembro.

Atualmente, há um déficit de R$ 330 milhões no orçamento da instituição, que pode resultar no corte de mais de 80 mil bolsas em todo o país, afetando alunos em programas de iniciação científica, mestrado, doutorado e de produtividade.

Enquanto há uma comoção na comunidade científica a nível nacional, o corpo docente e discente da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) já começa a sentir os primeiros sintomas do encolhimento na destinação de recursos para a produção científica na universidade.

Dados da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesp) mostram que foram bloqueadas 50 bolsas do CNPq voltadas para a Iniciação Científica Júnior, que contempla alunos do ensino médio.

Para piorar o cenário, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) cortou 13 bolsas de mestrado na Unicentro, e suspendeu uma parceria com a Fundação Araucária (FA), que geraria mais 10 bolsas de pós-graduação na universidade.

Em entrevista exclusiva ao CORREIO, o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Unicentro, professor Marcos Ventura Faria, afirmou que as últimas notícias deixaram a comunidade científica bastante apreensiva em todo o Brasil. “De fato, a preocupação é geral. Já foram feitos alguns contingenciamentos, há uma certa expectativa de reversão, mas ainda nada sinalizou que pode ser revertido”, disse.

Ele ressaltou que além desses cortes promoverem uma grande estagnação no desenvolvimento da pesquisa, muitos bolsistas dependem desses recursos para se manter na universidade.

O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Unicentro afirmou que as últimas notícias deixaram a comunidade científica bastante apreensiva em todo o Brasil (Foto: Douglas Kuspiosz/Correio)

CNPq

Em números gerais, a agência oferece bolsas voltadas principalmente para a Iniciação Científica na Unicentro, tendo atualmente 56 bolsas ativas neste programa, e outras 10 para a Iniciação Tecnológica.

Já para os docentes, o CNPq mantém 18 bolsas de Produtividade em Pesquisa e três voltadas à Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora.

Dessa forma, se não houver uma recomposição orçamentária, todos os bolsistas podem não receber os recursos a partir do próximo mês. “Essa questão a partir de setembro, se vier a acontecer, não vai afetar só as bolsas de IC, já que também temos os professores que são bolsistas em produtividade”, explicou, acrescentando que outras universidades podem perder recursos em programas de mestrado e doutorado.

CENÁRIO

Mesmo acreditando que há possibilidade para a recomposição orçamentária do CNPq, Marcos ressalta que esse contexto é péssimo, porque além de prejudicar financeiramente os estudantes e docentes, evidencia um desmonte no sistema de financiamento da pesquisa.

“É uma agência que tem um respeito enorme, é bastante valorizada na comunidade acadêmica, e de repente se sinaliza um enfraquecimento da ciência e tecnologia, um enfraquecimento na valorização das universidades dentro desse novo governo”, finalizou.

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