Cultura

sem que dizer

Conheça a crônica literária do escritor Marcio J. de Lima, ilustrada pelo seu filho
(Foto: Reprodução)

torci que os versos que se faziam pesados na caneta corressem-me como águas no riacho: límpidas, ligeiras, longevas. a noite inteira a esperar e nem mesmo a imensa, alva e bela lua conseguiu desvelar a penumbra que ofuscava minha inspiração. nem o carinho da mãe ao filho na praça me emocionou a ponto de reproduzir em letras ordenadas; uma ode, um soneto ou um simples verso; tão singelo e puro amor. nem mesmo a dor do abandonado à sorte me levou ao ideal mundo para trazer em rimas seu consolo e pão. o que houve?esvaziou-se meu peito? intimidou-se frente à imensa obra já dita desde os primórdios? minha composição tornou-se obra microscópica frente ao reconhecimento da maestria dos ícones de outrora? simplesmente me perdi em um labirinto, em palavras e orações... sim... reconheci-me pequeno... reconheci-me ignorante. por não saber (o que escrever), despeço-me brincando de rabiscar sonetos em patas de grillus, por não ter nada a dizer; frente a este tudo fantástico (e quase) intraduzível denominado Universo.

 

**********Marcio J. de Lima é aprendiz de poeta e contador de histórias, além de blogueiro