Guarapuava, 20 de agosto de 2019
Cultura

O objetivo é dar visibilidade aos movimentos de luta, empoderamento e combate à violência contra a mulher afrodescendente

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A Superintendência da Cultura promove, em parceria com a Secretaria de Estado da Justiça, Família e Trabalho, o Movimenta Preta, ação e expressão. 

A programação gratuita inclui palestras, shows, mesas-redondas e a exposição Ero Ere: negras conexões. O objetivo é dar visibilidade ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional Tereza de Benguela e da Mulher Negra – ambos celebrados em 25 de julho. O movimento tem apoio do Conselho da Promoção de Igualdade Racial (Consepir).

A programação inicia nesta quinta-feira (18), às 18 horas, com uma homenagem a 30 mulheres negras em função da liderança e contribuição para a promoção da igualdade racial e de gênero no Estado, no Miniauditório do Museu Oscar Niemeyer (MON).

Na sequência, às 19 horas, o Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR), que funciona temporariamente nas salas 8 e 9 do MON, abre a exposição Ero Ere: negras conexões, que reúne trabalhos do coletivo homônimo formado por artistas visuais negras residentes em Curitiba: Claudia Lara, Eliana Brasil, Fernanda Castro, Kênia Coqueiro, Lana Furtado, Lourdes Duarte e Walkyria Novais.

Para a superintendente da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, as ações são uma forma de abrir novos espaços de ocupação e dar visibilidade para essas datas. 

“É preciso ter representatividade e também quantidade de mulheres negras para que elas ocupem cada vez mais espaços e estejam em locais de arte importantes. Para que as pessoas possam acessar a produção incrível dessas mulheres”, destaca.

Uma das representantes do Coletivo Ero Ere, Eliana Brasil, ressalta que há muita produção artística de mulheres negras no Paraná, mas elas não estão documentadas ou expostas. “Formamos o coletivo a partir dessa invisibilidade para promover o nosso trabalho e uma discussão da importância da presença dessa produção”.

MUNDO DO TRABALHO 

De 22 a 25 de julho, no hall Biblioteca Pública do Paraná (BPP), sempre às 17 horas, haverá diálogos cujo tema central será o mundo do trabalho da mulher negra, com temas como afroempreendedorismo criativo, territórios e representatividade. No dia 26, sexta-feira, o espaço recebe o show da cantora Kátia Drumond, às 17 horas.

Movimento Marcha das Mulheres Negras acontece pelo Brasil em prol dos direitos da comunidade feminida afrodescendente.
Foto: Flickr

ORIGEM

O Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha foi criado e reconhecido pela ONU em 1992, quando mulheres organizaram o primeiro Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas em Santo Domingo, na República Dominicana, com pauta central sobre racismo, machismo e formas de combate à violência.

As mulheres negras ainda são as mais vulneráveis à pobreza, desemprego e feminicídio: dados do último Atlas da Violência lançado em junho pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), junto com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrou que há 13 homicídios de mulheres no Brasil por dia e 66% das vítimas são negras, mortas por arma de fogo e, em sua maioria, dentro de casa.

O Dia Nacional Tereza de Benguela e da Mulher Negra foi instituído por lei, em 2014, para fazer jus à heroína negra que liderou, entre 1750 e 1770, o Quilombo do Quariterê, no Mato Grosso. Em seu comando, ela instituiu uma espécie de parlamento, reforçou a defesa do quilombo e o cultivo em suas terras.

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