Guarapuava, 22 de outubro de 2019
Esporte

Decepcionado e frustrado com a falta de apoio financeiro, Bernardo Feler avisou que a sua paciência chegou ao limite com o empresariado local. Por isso, ele deu o prazo de 15 dias para analisar se continua à frente do clube

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De dez a 15 dias. Este é o prazo dado pelo presidente executivo do Batel, Bernardo Feler, ao empresariado de Guarapuava.

À frente da Associação Atlética Batel desde o segundo semestre do ano passado, o empresário carioca está bastante decepcionado com o apoio dos guarapuavanos ao principal time profissional de futebol da cidade.

Por isso, em entrevista a este CORREIO na tarde desta terça-feira (14 maio), ele deu um ultimato: ou tem apoio financeiro dos empresários do município; ou ele encerra sua participação no clube. Nessa segunda opção, o time pararia por completo e não terminaria nem mesmo o Campeonato Paranaense da 2ª Divisão.

Feler conta que vem investindo financeiramente há meses para deixar o Batel na atual condição, ou seja, um clube com estrutura profissional. Mas sua paciência chegou ao limite com Guarapuava.

“Não estou tendo apoio da cidade. Tenho dos torcedores, que vêm e estão indo para o estádio. Mas eu estou falando financeiramente. Não estou tendo apoio e realmente está ficando pesado”.

Nesse cenário, Feler não escondeu sua decepção com Guarapuava e a tristeza em caso de interrupção do trabalho desenvolvido até aqui. Por isso, ele começa a contar o prazo máximo de 15 dias para definir a continuidade do projeto tocado por ele no Rubro-Negro da Baixada.

Na verdade, o cartola frisa que a decisão será do povo e de patrocinadores em apoiar o Batel. “Se eu não ver isso, realmente vou ter de tomar uma decisão mais drástica”.

CUSTO

Entre folha salarial de jogadores e as despesas com a estrutura do Batel, Bernardo Feler informa que o clube tem um custo mensal de R$ 120 mil. Isso sem contar todo o gasto que ele teve até aqui com o investimento em profissionalizar o Rubro-Negro.

Em caso de interrupção do trabalho, ele já avisou que pretende desativar tudo o que ele implantou em Guarapuava. Do ponto de vista empresarial, é claro que isso também significa um prejuízo.

Por um lado, Feler lamenta essa possibilidade; por outro, ele também tem consciência que não pode insistir no mesmo ponto. “Estava uma coisa bacana antes. Só que agora está ficando cansativo. Sem apoio é muito difícil”, acrescentando que trabalhar sozinho, sem nenhuma colaboração, é impossível.

Entre folha salarial de jogadores e as despesas com a estrutura do Batel, Bernardo Feler informa que o clube tem um custo mensal de R$ 120 mil (Foto: Douglas Kuspiosz/Correio)

FRANQUEZA

De maneira franca, Bernardo Feler pôs as cartas na mesa para a reportagem deste CORREIO. Ele não quer interromper o trabalho no Batel, mas a situação para ele se tornou insustentável.

“Se eu sair, pode ter certeza de que vou levar tudo comigo”, afirma, explicando que montou uma estrutura profissional e acredita que não tenha gente em Guarapuava para assumir o Batel nesse momento.

Inclusive, boa parte do elenco do Batel e o técnico Paulo Campos são de sua confiança e já avisaram que não ficam em caso de saída de Feler. Trocando em miúdos, isso significa que o time seria desmanchado com o campeonato em andamento.

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