Agricultura

Paraná valoriza a agricultura familiar para garantir merenda saudável e movimentar economia local

Os agricultores do Assentamento 8 de junho, em Laranjeiras do Sul, participam do programa desde 2011. Com isso, eles conseguiram ampliar a produção e se especializar
(Foto: Assessoria)

Garantir aos alunos de escolas estaduais alimentos de qualidade, seguros e nutritivos e, além disso, contribuir para o desenvolvimento local de forma sustentável. Esses são os objetivos do programa de compra de alimentos de agricultores familiares para compor a alimentação escolar. No Paraná, mais de 18.100 famílias de pequenos agricultores entregam atualmente produtos para a alimentação dos estudantes, por meio de associações e cooperativas.

O Paraná é destaque nacional no que se refere à valorização da agricultura familiar. Em 2017, o Estado recebeu o prêmio Boas Práticas de Agricultura Familiar no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). “Somos referência neste quesito”, afirma a nutricionista do Programa de Alimentação Escolar do Fundepar, Andrea Bruginski.

O PNAE transfere recursos federais para o Estado para compra de produtos destinados à alimentação escolar. Há obrigatoriedade de que no mínimo 30% dos recursos sejam gastos com compra da agricultura familiar. O Paraná ampliou muito a compra de produtos deste segmento. Neste ano, destinará 80% dos recursos para comprar produtos da agricultura. Além disso, 26% dos alimentos são orgânicos. “Esse é o maior percentual que o Paraná destinará à agricultura familiar, desde 2010”, informa Andrea.

RENDA

Neste ano, o Governo do Estado assinou 150 contratos, com 144 cooperativas participantes da Chamada Pública da Agricultura Familiar, que representa R$ 68 milhões. Para o diretor-presidente da Fundepar, José Roberto Ruiz, a iniciativa garante alimento saudável e nutritivo aos alunos, reconhecendo, assim, a diversidade de culturas alimentares. “Isso reflete na qualidade da alimentação dos alunos e na formação de hábitos alimentares mais saudáveis, já que os alimentos são frescos e naturais. O objetivo é ter 100% da alimentação escolar com produtos orgânicos”, diz Ruiz.

São frutas, verduras, legumes, raízes, tubérculos. Nesse sistema uma família detentora de terra tem a atividade agropecuária como principal fonte de renda. “Assim é possível gerar emprego e renda, fixar o homem no campo e valorizar a produção local. Isso funciona, já que a própria produção vendida nas escolas vai alimentar, inclusive, o filho do agricultor”, afirma o diretor.

LOCAL

Os agricultores do Assentamento 8 de junho, em Laranjeiras do Sul (Centro Sul), participam do programa desde 2011. Com isso, eles conseguiram ampliar a produção e se especializar, inclusive, com a criação de agroindústria para a fabricação de pães, bolos, doces e geleias. No local moram cerca de 60 famílias, destes, 20 cooperados participam do programa de entrega de alimentos para 13 escolas da rede estadual, além de outros projetos que beneficiam mais 20 colégios municipais e creches.

O produtor Ivandro Gomes de Amorim, 33 anos, mora com sua família no assentamento. Ele é um dos agricultores que entrega para as escolas semanalmente e, destaca, a importância de políticas públicas para fortalecer as comunidades. “As famílias conseguem se organizar coletivamente, você sabe que vai conseguir receber pelo que produziu. Ficamos um ano sem participar do projeto e as escolas sentiram falta dos nossos alimentos, isso demonstra a aceitação”, diz.

A família do agricultor e os integrantes da cooperativa entregam semanalmente, entre outras unidades, na Escola Estadual José Marcondes Sobrinho, em Laranjeiras, onde estudam 349 alunos educação básica (fundamental e médio), nos turnos da manhã, tarde e noite. “A qualidade dos alimentos é muito boa, são frutas e verduras frescos que garantem uma alimentação completa e diversificada aos nossos alunos. Além disso, por se tratar dos agricultores daqui, podemos preservar a cultura alimentar da região”, afirma o diretor da escola.