Entre exposições, palestras, oficinas, histórias e leituras, a 34ª Semana Literária Sesc & Feira do Livro reserva espaço para conhecer os grandes autores da literatura brasileira e a nova geração de escritores. Por isso, a noite desta terça-feira (29) é mais do que especial no Salão Nobre do Sesc Guarapuava (rua Comendador Norberto, 121, Centro). Os leitores guarapuavanos (e da região) terão a oportunidade de conhecer um pouco do que Estrela Leminski e João Paulo Cuenca têm a falar sobre a poesia. Aliás, o tema da edição 2015 é ‘Poesia na cidade, cidade na poesia’, homenageando o sul-mato-grossense Manoel de Barros (1916-2014) e a paranaense Alice Ruiz (1946).
Com entrada gratuita, a mesa-redonda com os dois jovens talentos da moderna literatura brasileira está programada para ocorrer às 19h30. Sob o tema ‘Aonde eu não estou as palavras me acham (Manoel de Barros, ‘Livro sobre nada’)’, o mote do encontro é levar a poesia onde o povo está, discutindo e falando sobre ela.
Escritores fora do conforto de suas casas e escritórios percorrem, em caravana, cidades do interior do Paraná. É preciso levar a poesia aonde o povo está. É preciso dizer poesia e falar da poesia, que ainda é um gênero popular: quem sonha ser escritor começa a vida desenhando versos; quem se apaixona, mesmo que não seja poeta, acaba rimando amores. Talvez por serem permanentes estrangeiros – fora do lugar comum –, poetas e escritores sejam achados pelas palavras onde quer que estejam, e capazes de levá-las ao mundo em sua forma mais bela.

João Paulo Cuenca
Filha dos poetas Paulo Leminski e Alice Ruiz, Estrela é escritora e compositora. Formada em Música pela Faculdade de Artes do Paraná, concluiu sua especialização em Música Popular Brasileira e mestrado em Música e em Musicologia em Valladolid (Espanha). Autora dos livros ‘Cupido, cuspido, escarrado’ (2004) e ‘Poesia é Não’ (2010), contemplado pelo programa PNBE em 2012 e adotado em escolas de todo o país.
Já Cuenca é autor de quatro romances, entre eles, ‘O único final feliz para uma história de amor é um acidente’ (2010), cujos direitos foram vendidos para dez países. Entre 2003 e 2010 escreveu crônicas semanais para o jornal O Globo – algumas delas reunidas na antologia ‘A última madrugada’ (2012). Em 2007, foi selecionado pelo Hay Festival, no Reino Unido, como um dos 39 jovens autores mais destacados da América Latina e em 2012 foi escolhido pela revista britânica Granta como um dos 20 melhores romancistas brasileiros com menos de 40 anos.
A participação dos dois é apenas uma pontinha da Semana Literária deste ano. Segundo a curadora do evento, Valéria Martins, o tema não significa tratar de poesias feitas sobre cidades. Vamos falar, sim, da poesia moderna que surgiu no final do século 18 pela influência que as grandes cidades, então emergentes, causaram nos poetas. Saem de cena os temas românticos, os artistas que morriam de tuberculose e tristeza, entram em seu lugar os desbocados, inconformados, combativos, aqueles para quem a ordem do dia era, justamente, ir contra a ordem vigente. A modernidade subverteu regras pré-estabelecidas, especialmente, no que diz respeito à arte, diz, em material de divulgação do festival.

Cia Cênica Jones Guerra, que apresenta o projeto ‘Conhecendo Manoel de Barros e Alice Ruiz’
PROGRAMAÇÃO
Desde ontem, a Semana Literária Sesc 2015 tem espalhado poesia pelos cantos do Paraná, com oficinas, mesas-redondas, contação de histórias, bate-papo, exposições etc. Em Guarapuava, a Semana Literária ocorre de 28 de setembro a 2 de outubro, principalmente nas dependências do Sesc local (rua Comendador Norberto, 121, Centro). Como nos outros anos, entrada gratuita e dezenas de atividades para antigos e novos leitores, com sessões de contação de histórias, palestras, oficinas, conversas, cinema, lançamento de livros… a programação é extensa.
Além da mesa-redonda com Estrela e Cuenca, esta terça-feira também tem outras atrações para o terceiro planalto. Uma delas é o espetáculo de contação de histórias ‘Peripécias circense’, apresentado pela Cia. Sola Gasta em sessões ao longo do dia: 9h, 10h, 14h e 15h. Tudo gratuito e no Salão Social do Sesc.
‘Peripécias’ é apresentado por uma equipe de Clowns. O espetáculo é inspirado em brincadeiras de circo feitas no fundo do quintal, onde tudo é feito por palhaços. A abertura é a cantoria de ‘Mamãe eu Quero’, tocada pela Charanga (bandinha) instrumentos musicais, acordeon, corneta e percussão. Os números são prenunciados pelas saudações circenses e sempre realizados de forma cômica, acrobacias, mágica picareta com ajuda da plateia, malabarismo, malabarismo em grupo, corda bamba. O encerramento acontece com um número musical interagindo com a plateia.
CINEMA
A Semana Literária Sesc 2015 não vive apenas de histórias literárias e debates. Ao longo dos dias, o evento reserva espaço para sessões de cinema gratuitas, principalmente no campus Santa Cruz da Unicentro (rua Padre Salvador Renna, 875, Santa Cruz).
Nesta terça-feira, começa a partir de 19h no Salão de Eventos da universidade, com o média-metragem ‘Helena de Curitiba’, que tem direção de Josina Melo. Narra a história da professora e poetisa paranaense Helena Kolody. O documentário traz imagens e depoimentos inéditos da poetisa, colhidos um mês antes de sua morte, em fevereiro de 2004, aos 92 anos. O enredo do filme nasce com cenas fictícias da infância e adolescência dela em meio a natureza paranaense, passando pelo amadurecimento da escritora, professora, e mostrando a sua história como filha, jovem, mulher e autora. Relata parte da história da imigração ucraniana no Paraná através de imagens do acervo da Cinemateca de Curitiba.

Cena de ‘O Coração que falava demais’
Em seguida, às 19h45, tem outro média-metragem no mesmo espaço: ‘O Coração que falava demais’, de Paulo Biscaia Filho. É um mockumentary (falso documentário) baseado na obra ‘O Coração Delator’, de Edgar Allan Poe. Evanildo André Pereira, um pacato locatário de um quarto em um velho apartamento, passou a ser conhecido como o Assassino do Assoalho depois de matar sua senhoria por um motivo mais que estranho. Uma cineasta, Janaína Kreuz, investiga os motivos e verdades por trás do hediondo crime cometido por Evanildo, e cria um documentário com entrevistas e imagens registradas pelo próprio assassino.
HOMENAGEM
Autor homenageado na Semana Literária, Manoel de Barros, o ‘Poeta do Pantanal’ (título que detestava), morava em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, em uma casa ampla e bem localizada, com todos os confortos da vida moderna. Em seu pequeno escritório, fazia gato e sapato com a Língua Portuguesa, mudava palavras de lugar, virava-as de avesso no sentido. Um poeta extremamente moderno apesar de falar de temas rurais como a chuva, o caracol, a formiga, o menino, os bois.
Alice Ruiz, poeta curitibana, patrona da Semana Literária, já nasceu no contexto da modernidade e foi naturalmente influenciada: viveu os loucos anos 70, militou pelo feminismo, foi casada com um dos maiores poetas brasileiros – Paulo Leminski (1944-1989), com quem teve três filhos. Tem mais de 20 livros publicados, muitos deles de haicais – forma poética inaugurada pelo japonês Bashô (1644-1694), caracterizada por poemas curtos de três linhas –, e diversas canções gravadas por parceiros como Zélia Duncan e Arnaldo Antunes.

Alice Ruiz
Em Guarapuava, a autora homenageada é Terezinha Aguiar Vaz – Cadeira nº 1 da Alac, Patrono Antônio Ruiz de Montoya, filiada ao Instituto Histórico de Guarapuava, nascida a 05/02/1941 em Pitanga/Pr.
Foi professora de português, inglês e educação artística nas escolas de 1º grau durante 30 anos. Alfabetizou adultos na cadeia pública de Guarapuava de 1997 a 1999. Professora voluntária em vários projetos.
Visitou mais de 50 países, escrevendo pequenas apostilas sobre as histórias desses povos e sua imigração ao Brasil.
Participou em eventos educativos, oficinas de poesia, folclore e literatura nos estados brasileiros.
Colaborou em jornais de Guarapuava, apostilas de escolas particulares e outros livros com autores locais.
Suas publicações: A Transa das Gentes da Terra; Rascunho da Vida; Terra de Grileiros; História de Guarapuava em versos para crianças; Lendário Caminho de Peabiru a Serra de Pitanga; Caminho de São Tomé na América do Sul; Ecos da História no Turismo do Paraná; Pétalas de Poesia; Teatro, a Arte de Educar; Quadrinhas Singelas; Portal das Poesias; Diário de Viagens, História e Aventura; Contos e Crônicas; Casamento do Índio Brasil com a Princesa Europa; Autora da letra do Hino Acadêmico da Alac, Hino do Escoteiro Manoel Ribas, do Colégio Padre Chagas e Newton Albach. Adaptação para escolas do Teatro: As Cavalhadas.
INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES
Entrar em contato com o Sesc Guarapuava, que fica localizado na rua Comendador Norberto, 121, Centro. Telefone: (42) 3308-2672 / 3308-2650.
PROGRAMAÇÃO
Terça-feira
9h, 10h, 14h e 15h
Espetáculo de contação de história
Peripécias circense
Apresentação: Cia Sola Gasta
Local: Salão Social / Capacidade de público 150 pessoas
Público: Infantil e Infantojuvenil
19h30
Mesa-redonda: ‘Aonde eu não estou as palavras me acham (Manoel de Barros, Livro sobre nada, 1996)’
Escritores: Estrela Leminski e João Paulo Cuenca
Mediação: Gilson Boschiero
Local: Salão Social / Capacidade de público 150 pessoas
Público: Empresários, comerciários, dependentes, usuários, estudantes, professores e comunidade em geral.
19h
CineSesc
Filme – Helena de Curitiba – Dir. Josina Melo
Duração: 31 min
Local: Sala de Eventos da Unicentro / Capacidade de público 100 pessoas
Público: Livre
19h45
CineSesc
Filme – O Coração que falava demais – Dir. Paulo Biscaia Filho
Duração: 37 min
Local: Sala de Eventos da Unicentro / Capacidade de público 100 pessoas
Público: 16 anos
PROGRAMAÇÃO PERMANENTE
Horário: 8h às 20h
Local: Dependências do SESC Guarapuava
– Exposição e venda de livros – Espaço destinado à comercialização de livros.
Participação: Livraria Paço da Luz
– Conhecendo Manoel de Barros e Alice Ruiz
Apresentação: Cia Cênica Jones Guerra
– Exposição de Histórias em Quadrinhos
– Varal de Histórias